As Enchentes no Ceará, deixam milhares de desabrigados

Este é o açude do Castanhão o maior do Nordeste e um dos maiores reservatórios de água do Brasil. Ele foi construido para produzir riquezas pra a região Jaguaribana,armazenado água para ser utilizada no período da estiagem e no cultivo da agricultura de Projetos Irrigados, na piscicultura. Enfim é um mundão de água que tem uma capacidade de armazenar no seu total em 6,7 bilhões de metros cúbicos de água.

A cidade de jaguaribara foi retirada deste local e construída uma Nova Jaguaribara, pois a velha, está coberta plas águas do castanhão. Durante esse período chuvoso, ele joga suas águas no Rio Jaguaribe, que tem inundado a Região do Vale Jaguaribano.

2009 é o mais chuvoso no Ceará dos últimos 24 anos, isto é desde 1985, aponta a Funceme. Até ontem a média de chuva no Estado era de 1.044 milímtros. Em relação a quadra chuvosa, que leva em consideração as chuvas de feveriro a maio, o número também é histórico. É a maior de 1986, quando o Estado choveu 925,1 milímetros.

Nessa primeira foto do Castanhão, ele está quase na sua capacidade máxima. A população está em estado de alerta pois ele já armazena 97,6% de sua capacidade.

ALERTA - As comportas do açude tiveram de ser abertas mais um pouco e passou a liberar 800 metros cúbicos de água por segundo. A cidade de Itaiçaba que fica quase na foz do rio Jaguaribe, está quase que totalmente inundada.

O Açude do Castanhão em época do verão, onde é bastante frequentado por pescadores, banhistas, turistas e sua capacidade de armazenamento está bem abaixo do totalDaniela Nogueirada
Redação 16 Mai 2009 - 01h22min

O nível do Castanhão não para de subir. Ontem, o maior açude do Estado chegou a 97,6% de armazenamento de água. As chuvas que atingiram a Região do Jaguaribe nos últimos dias provocaram o aumento do nível do reservatório. As comportas do açude tiveram de ser abertas mais um pouco e a vazão do Castanhão chega a 800 m³ por segundo.

Têm entrado no açude cerca de 1.100 m³ a cada segundo. As águas que saem do Castanhão mais as que entram no rio Jaguaribe por outros afluentes têm prejudicado as cidades do Baixo Vale do Jaguaribe, principalmente Itaiçaba. Ontem, o município, como fica na área mais baixa do Vale, recebeu as águas que caíram nas cidades de Morada Nova e Ibicuitinga.

Yuri Castro, assessor da presidência da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), sobrevoou a área ontem e disse que cerca de 95% de Itaiçaba estão inundados. De acordo com ele, poucos prédios na cidade escaparam da água. “Ontem, Itaiçaba recebeu o maior nível de água de toda essa chuva. Foram 3.800 m³ por segundo entrando na cidade. Está quase totalmente debaixo d’água”, afirmou Yuri.

A preocupação agora é que o Castanhão está chegando à sua capacidade máxima. E, se o açude alcançar os 100% de armazenamento, a tragédia nas cidades será bem maior. “Mas a contribuição maior (em Itaiçaba) não é por conta do Castanhão. Os rios Figueiredo, Banabuiú e Palhano têm tido vazões enormes”, cita Yuri. O coordenador da Defesa Civil de Itaiçaba, Marcos Vinício Silva Vieira, conta que as últimas águas chegaram na quinta-feira à cidade: “Foi uma loucura aqui.

As pessoas desabrigadas pela enchente ficam alojadas, em Escolas, predios públicos, Creches

O abrigo na creche Batista recebeu oito famílias até agora. Todas se conhecem, são vizinhas no bairro Ilhas, o que facilita a convivência. Dona Maria Alves da Silva, 62, foi uma das primeiras a chegar com o marido, o filho e um sobrinho no dia 27 de abril. “A gente fica meio aperreado fora de casa.

Aqui à noite faz frio e tem muita muriçoca”, conta. A rotina se refez como deu. Ela prepara as refeições, lava roupa, cuida da limpeza e vê televisão. O filho vai diariamente até a casa ver se a altura da água mudou. Joaquim Bezerra Martins, 46, outro morador do abrigo, reclama do banheiro.

“Como as fossas do bairro estão cheias, o jeito é correr para algum canto”, confessa. No último domingo, o rio baixou bastante e encheu Joaquim de esperança. O servente chegou a limpar a casa na segunda-feira. Na terça, ia lavar tudo, mas a água voltou a subir, dessa vez mais e mais rápido, e sepultou o sonho. (MT)

Defesa Civil, já recebeu 47 toneladas de alimenos fornecidos pelas campanhas de solidariedade. Além dos alimentos, foram doados 23 mil litros de água e 180 mil peças de roupa. Parte dos donativos já foi enviada para os refugiados das chuvas. O alerta é para que as pessoas tenham mais cuidado na doação, deixando de fora roupas sujas e velhas.

Daniela Nogueirada
Redação16 Mai 2009 - 01h10min

O cearense tem mostrado que é um povo solidário. Prova disso são os números de donativos para os refugiados das chuvas, que só aumentam a cada dia. A Defesa Civil do Estado contabilizou a arrecadação de 47 toneladas de alimentos, além de 23 mil litros de água e 180 mil peças de roupa.

A iniciativa da população, de instituições públicas e entidades privadas intensificou-se a partir da campanha Força Solidária, do Governo do Estado, com o apoio de várias entidades. A campanha Refugiados das Águas, promovida pelo Grupo de Comunicação O POVO, já recebeu cerca de oito toneladas, dentre roupas, alimentos e colchões. Segundo a gerente de marketing do Grupo, Marina Vieira, parte de tudo o que foi recebido na sede do O POVO já foi repassada à Defesa Civil do Estado.

“Vamos promover também apresentações de humor no auditório da FIC (Faculdade Integrada do Ceará) e o ingresso cobrado será alimento para ser doado às vítimas das enchentes”, acrescenta Marina. De acordo com o capitão Warner Campos, da assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros, cerca de 40 toneladas de toda a arrecadação já foram enviadas ao Interior.

Quanto ao restante, alguns itens ainda precisam ser incluídos na cesta básica que é montada para as vítimas das enchentes. Em cada cesta, são colocados 23 quilos de alimentos. Por mais que todo material seja importante para quem precisa, a necessidade maior, cita o capitão, é de roupas, alimentação, água e fraldas descartáveis.

Limoeiro do Norte

Incertezas nos Caminhos dos Moradores De Ilhas
A cena se repete em todas as cidades invadidas pelos rios no Baixo Jaguaribe. As famílias só saem de casa se a água entrar pela porta. Mesmo assim, o marido ou um filho continuam indo para dormir, guardando a casa. Quem vai ficando sofre de solidão.

Mariana Toniatti
Enviada à Região do Jaguaribe

Na casa de Fausta da Silva, 47, só o móvel da TV continua no lugar. O som da novela faz companhia, agora que as vizinhas foram embora para abrigos no outro lado da margem do Jaguaribe, no município de Limoeiro do Norte.

Fausta também passou a última noite fora, na casa da filha, mas não dormiu. “Gosto de ficar perto das minhas coisinhas”, sorri. Ela vai mostrando a nova arrumação da casa. Boa parte das coisas foi de canoa para a creche que abriga oito famílias a alguns metros dali. As camas estão penduradas bem no alto, amarradas com cordas nos troncos da viga.

“Graças a Deus, hoje vou dormir aqui. Não sei amanhã(hoje) nem depois. Pode ser que chova, pode ser que o Castanhão encha mais, mas enquanto não chegar dentro de casa, não vou pra canto nenhum”, resiste. De repente, a voz firme explode num choro. Há 17 dias, Fausta vive esperando chegar amanhã para ver como vai ser, onde vai dormir e como vai fazer para não perder as roupas empilhadas em cima das camas. “É uma agonia que cansa”.

Tristeza O nome do bairro onde mora, Ilhas, nunca fez tanto sentido. Para chegar, só de barco. Os três primeiros quarteirões têm água na altura da janela das casas. O rio invadiu a oficina, o cabeleireiro e o mercadinho. “Dá uma tristeza, uma solidão, principalmente à noite. As mulheres ficavam aqui fora conversando até 22h, 23 horas. Faz dias que não tenho com quem conversar, fica só a família mesmo.

Em Limoeiro do Norte o número de famílias em abrigos públicos chegou a 214. Um dia antes desse balanço, na terça-feira, eram 120. O número de famílias dormindo na casa de parentes e amigos chega a 420. > 2.500 famílias estão desabrigadas em Morada Nova. “Nos abrigos tem gente com computador e TV 19 polegadas. A enchente deixou a cidade toda sem casa, inclusive os que têm dinheiro”, conta Priscila Aragão, uma das poucas moradoras que continuam em casa.

De Olho Na Cheia do Banabuiu
Á água voltou a assombrar a população de Russas. Mais 146 famílias deixaram suas casas ontem. O rio Banabuiú é o maior responsável pelo avanço da água na cidade.

Mariana Toniatti
Enviada à Região do Jaguaribe.
A cheia no rio Banabuiú chegou ao riacho Araibu, que passa atrás da comunidade Pitombeira I, onde Joaquim mora. A mudança está no caminhão disponibilizado pela Prefeitura de Russas. Vai levando geladeira, fogão, colchão e duas mudas de roupa. Pela terceira vez nesse inverno, a casa da família foi invadida pela água. “De primeiro, alteamos os móveis e continuamos lá. Agora não dá mais pra ficar”, conta Joaquim. Ele segue com a filha e a esposa para a casa de um conhecido sem saber quando volta para a sua.
O medo da água venceu o medo dos ladrões. “Se não bastasse toda a tragédia, ainda tem gente
que arromba as casas fechadas, mas não temos mais solução”. Desde cedo, o marido, Enoque Mourão, 58, ia e vinha da fazenda de um amigo, levando sacos cheios de galinhas na bicicleta. O casal recebeu guarida do amigo fazendeiro e os vizinhos ajudaram a levantar os móveis com cavaletes e tábuas.
O avanço do rio Banabuiú, que corta Russas, e do rio Jaguaribe, que margeia o município, aumentou o número de famílias desalojadas no município. Ontem mais 146 deixaram suas casas. estavam sendo poupadas para evitar a interrupção das aulas, mas com a nova cheia já estão de sobreaviso.
Obs1 - O Estado do Ceará perde 16,6 milhões na agricultura irrigada, por causa das perdas nos perímetros irrigados decorrentesdas chuvas. O Estado está ameaçado de prder posto de 3º maior exportador de frutas.
Obs2 - Eu sou do interior do Ceará - Limoeiro do Norte, uma dessas cidads que está sendo castigada pelas enchentes, pois sempre estou na espectativa e na preocupação, pois ainda tenho muitos parentes lá, como irmãos e a minha mãe.
Apesar da bela paisagem do Castanhão onde dá pra se ministrar uma excelente aula de Geografia, mas a situação é crítica, e sei o quanto é difícil enfrentar essa situação, pois já vivenciei quando morava lá, três anos de enchentes, não consecutivas. Tivemos que ficar ausente de nossa residência, um mês, onde era tempo que as águas baixassem. Sempre tive e tenho experiência da vida do campo e do interior pra contar pra meus alunos, seja de seca ou enchente etc.
Obrigada pela atenção e rezem para as águas baixarem na Região Jaguaribana e em outros locais .
Fonte: Jornal O Povo
Mazé Silva
1 Comentários

Comentários

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  1. Oi Mazé!

    Coisa muito triste essas enchentes.
    Me coloco no lugar das pessoas que perderam tudo, que tiveram de abandonar suas casas.
    Das que perderam entes queridos.
    Muito, muito triste, e sofrido.

    Mas as chuvas esse ano estão implacáveis, em várias partes do país.

    Beijos,
    Carmen Augusta

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