Viver não dói


Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade
8 Comentários

Comentários

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  1. Num post recente, um nosso amigo visitante de Viseu comentou que o que apreciava no Splish, Splash era a diversidade de temas, ou seja, pese embora o facto de muitos dos seus colaboradores serem admiradores do cantor/compositor Roberto Carlos (razão da existência do blogue), ao contrário do que seria de esperar muito se tem tentado primar pela pluralidade temática ainda que no ano em curso decorram as comemorações do cinquentenário da carreira artística do Rei da MPB.

    E ainda bem que assim é, pois apesar da minha orgulhosa robertodependência, gostava que assim sempre acontece neste blogue, já que tal tem permitido enriquecer a minha escassa bagagem cultural.

    Vem esta introdução a propósito deste artigo de Drummond de Andrade, uma figura impar nos anais da literatura brasileira que logrei conhecer através da pluralidade temática em apreço.

    Por isso, as minhas felicitações à Guta por mais esta sua contribuição e a todos os que como ela primam nesse sentido.

    Abraços

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  2. Ola Armindo!

    Obrigada meu amigo querido pelo elogioso comentário.
    Acho que você sabe o quanto vale para mim.

    Um beijo,
    Carmen Augusta

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  3. Oi Carla!

    Realmente a dor faz parte da vida,mas como diz o poeta o sofrimento é opcional...
    Muitas vezes procuramos por ele, sofremos sem necessidade.

    Obrigada.

    Um abraço,
    Carmen Augusta

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  4. Olá Guta!

    Mais um lindo Poema de Carlos Drummond!

    Viver muitas vezes dói, mas como disse o nosso rei, "É Preciso Saber Viver".

    Parabéns Amiga e um grande beijo

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  5. Viver não dói, aprender a viver é que dói!
    Nossa dor, pode ser muita mas ela pode nos ensinar, muita coisa!
    Se nós ,não nos amarmos a nós mesmos ,também, não podemos amar ninguém!
    O tempo perdido ,não volta e o futuro é incerto!
    Mas só vivendo ,é que se pode aprender!
    Adorei este post ! Como adoro ler Drummond de Andrade!
    Parabéns !

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  6. Oi Dina querida!

    Realmente amiga Roberto está certíssimo, e você lembrou bem: É Preciso Saber Viver....

    Um beijo,
    Carmen Augusta

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  7. Oi Miriam,

    Obrigada pelo lindo comentário.
    Como vè, também gosto de Drummond.

    Um abraço,
    Carmen Augusta

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