Workshop debate futuro da piscicultura amazónica

Workshop da FAO reúne especialistas para discutir o futuro da piscicultura amazónica e o cultivo sustentável de espécies nativas.
 Ilustração alusiva ao workshop internacional sobre piscicultura de espécies nativas da Amazónia

Especialistas discutem inovação e aquicultura sustentável na Bacia Amazónica


A piscicultura amazónica pode ganhar força com a cooperação regional



De 10 a 14 de agosto, especialistas de países da Bacia Amazónica participam no workshop internacional “Estado e perspectivas futuras das principais espécies de peixes comerciais cultivadas na bacia amazónica”, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com apoio da Embrapa e da INFOPESCA.

O encontro reunirá investigadores, técnicos e representantes de instituições públicas para analisar os avanços científicos, os desafios e as oportunidades associados ao desenvolvimento da aquicultura de espécies nativas da Amazónia.

FAO promove cooperação entre países amazónicos


Os investigadores Fernanda Sampaio, da Embrapa Meio Ambiente, e Luiz Eduardo Lima de Freitas, da Embrapa Cerrados, integram o comité gestor do projecto e actuam também como revisores técnicos dos documentos que avaliam o potencial das espécies nativas para a aquicultura.

Esses documentos serão apresentados por especialistas dos países convidados, permitindo uma análise comparativa da situação da piscicultura amazónica e das perspectivas de desenvolvimento do sector.

O principal objectivo é ampliar a cooperação entre os países da região e construir estratégias conjuntas para impulsionar uma piscicultura mais sustentável, resiliente e competitiva.

A iniciativa surge num contexto em que aumenta a necessidade de diversificar a produção de alimentos, reforçar a segurança alimentar e reduzir a pressão sobre a pesca extractiva, num cenário marcado também pelos efeitos das alterações climáticas e pelas dificuldades enfrentadas pelos pequenos produtores.


Tambaqui, pirarucu e outras espécies nativas em destaque 


Durante cinco dias, especialistas da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Venezuela irão partilhar experiências nas áreas da produção, investigação, governação, inovação tecnológica e políticas públicas relacionadas com o cultivo de peixes amazónicos.

Entre as espécies em destaque estarão o tambaqui, o pirarucu, o pacu, a matrinxã, os bagres amazónicos e diferentes híbridos com importância económica para a aquicultura regional.

A Bacia Amazónica concentra a maior diversidade de peixes de água doce do planeta e possui espécies com elevado potencial para o cultivo comercial. Apesar deste património biológico, a produção aquícola enfrenta ainda obstáculos relacionados com o acesso à tecnologia, assistência técnica, insumos, mercados e regulamentação.

Actualmente, a piscicultura da região baseia-se sobretudo em sistemas semi-intensivos conduzidos por pequenos produtores. Para milhares de famílias, a actividade representa uma importante fonte de rendimento e contribui para a criação de emprego, a segurança alimentar e o desenvolvimento económico das comunidades amazónicas.

Segundo os organizadores, o fortalecimento da aquicultura de espécies nativas exige tecnologias adaptadas às condições locais, capacitação de produtores e técnicos, melhoria da governação e maior cooperação entre os países amazónicos.

Para Fernanda Sampaio, a Bacia Amazónica apresenta um enorme potencial em espécies aquáticas que constituem uma das bases do desenvolvimento económico local. A realização de uma oficina com especialistas regionais permite aprofundar o conhecimento sobre esse potencial, promover uma exploração conjunta e valorizar o conhecimento local.


Intercâmbio de conhecimento e inovação


A programação inclui apresentações técnicas, relatos nacionais e discussões estratégicas sobre os principais avanços científicos e tecnológicos relacionados com o cultivo de peixes nativos.

Entre os objectivos específicos do workshop estão a apresentação de inovações recentes no cultivo de espécies amazónicas, a identificação dos desafios e oportunidades existentes nos diferentes países e a avaliação das necessidades de assistência técnica e capacitação.

O encontro pretende ainda definir prioridades para investigação, desenvolvimento tecnológico e cooperação regional.

Segundo Luiz Eduardo Lima de Freitas, o evento representa uma oportunidade para partilhar conhecimentos, identificar os principais obstáculos e analisar as possibilidades de expansão da criação de peixes amazónicos nos países da América do Sul.

A partir das apresentações e discussões, poderão surgir novas possibilidades de cooperação, especialmente nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I) entre os diferentes países participantes.

As conclusões deverão contribuir para a formulação de políticas públicas destinadas à expansão sustentável da piscicultura e ao fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura na Amazónia.

Diagnóstico regional e recomendações para o sector


No final do encontro, os participantes deverão elaborar um diagnóstico regional sobre a situação da aquicultura de espécies nativas amazónicas, identificando avanços tecnológicos, limitações produtivas e tendências para o sector.

Estão também previstos documentos com recomendações destinadas a orientar políticas públicas e investimentos em investigação, inovação e capacitação, bem como a consolidar prioridades comuns entre os países amazónicos.

Os debates servirão de base à elaboração de uma Ata de Pesca e Aquicultura da FAO e de uma Nota de Política, documentos que deverão apoiar a tomada de decisões dos governos e contribuir para reforçar a cooperação regional no âmbito da iniciativa Transformação Azul, da FAO.

Para além dos resultados técnicos, o workshop deverá favorecer uma maior integração entre instituições de investigação, universidades, órgãos governamentais e especialistas da Amazónia, consolidando uma rede regional dedicada ao desenvolvimento sustentável da aquicultura de espécies nativas.

Aquicultura sustentável e segurança alimentar 


Para Fernanda Sampaio, compreender as limitações e as oportunidades da produção de alimentos aquáticos na Bacia Amazónica é fundamental para garantir a segurança alimentar e nutricional das comunidades florestais.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento sustentável da aquicultura poderá contribuir para reduzir a pressão sobre os recursos naturais de uma das regiões com maior biodiversidade do mundo.

O workshop internacional promovido pela FAO coloca, assim, a piscicultura de espécies nativas da Amazónia no centro de uma discussão que combina ciência, inovação, segurança alimentar, desenvolvimento económico e cooperação regional.

Mais informações: FAO – Workshop sobre espécies comerciais cultivadas na Bacia Amazónica [separador]
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O Portal Splish Splash acompanha iniciativas que promovem a investigação, a inovação e o desenvolvimento sustentável, destacando neste caso a importância da cooperação entre os países amazónicos para o futuro da aquicultura de espécies nativas.
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