Especialistas explicam o papel das estatinas e a importância dos hábitos saudáveis
O colesterol alto pode evoluir silenciosamente e aumentar o risco de infarto e AVC
São Paulo – agosto 2026 - 08 de agosto é o Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol. Silencioso e muitas vezes descoberto apenas em exames de rotina, o colesterol alto é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Quando em excesso, especialmente na forma de LDL, conhecido como “colesterol ruim”, ele favorece a formação de placas de gordura nas artérias, processo que pode comprometer a circulação sanguínea e aumentar o risco de infarto, AVC e trombose. Segundo a endocrinologista Dra. Deborah Beranger*, o colesterol alto costuma ter relação tanto com hábitos de vida quanto com predisposição genética. “As causas de um colesterol alto são: o excesso de álcool, o sedentarismo, uma alimentação rica em gordura e a genética. A maioria dos pacientes que tem uma tendência a colesterol alto tem um histórico familiar importante de pai ou de mãe que também apresentam colesterol alto. Por isso que, na grande maioria das vezes, esses pacientes vão precisar de remédio de colesterol em algum momento da vida”, explica a endocrinologista. É justamente nesse cenário que entram as estatinas, medicamentos amplamente utilizados para reduzir os níveis de colesterol e proteger o sistema cardiovascular.
De acordo com o farmacêutico Dr. Maurizio Pupo*, pesquisador e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações, as estatinas atuam diretamente no mecanismo de produção do colesterol pelo organismo. “As estatinas atuam inibindo uma enzima chamada hidroximetilglutaril coenzima A redutase, que é a enzima responsável pela produção do colesterol no nosso corpo”, explica o farmacêutico. Ao bloquear essa enzima, os medicamentos reduzem principalmente os níveis de LDL, o colesterol associado à formação das placas de gordura nas artérias. “Quando a enzima hidroximetilglutaril coenzima A redutase (HMG-CoA redutase) é reduzida, os níveis de colesterol, e o que importa para nós é o colesterol ruim LDL, são automaticamente reduzidos também”, detalha o Dr. Maurizio.
A médica Dra. Deborah destaca ainda que o problema evolui de forma silenciosa. “O diagnóstico de colesterol alto só se faz através de exame de sangue. Então esse paciente tem que estar fazendo exame periódico, porque é uma doença silenciosa. E as consequências de um colesterol alto são: formação de placas de gordura na parede dos vasos e com isso vai diminuir o fluxo sanguíneo nessa parede desse vaso, aumentando o risco de trombose no vaso, de hipertensão, de infarto, de AVC, de todas doenças cardiovasculares”, afirma.
A cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita* reforça que muitas vezes a primeira manifestação do colesterol elevado já ocorre em um estágio avançado. “O grande problema dos altos níveis de colesterol no sangue está no fato de ser uma intercorrência silenciosa: o colesterol aumentado pode não causar sintoma nenhum, obstruindo as artérias aos poucos. Então, em alguns casos, a primeira manifestação da alta do colesterol é um evento como infarto ou derrame, quando já é tarde para prevenir”, alerta a Dra. Aline.
Qual estatina?
Entre as estatinas mais conhecidas estão a rosuvastatina e a atorvastatina. Segundo o farmacêutico, ambas apresentam eficácia semelhante no resultado final, mas com diferenças importantes no tempo de ação e no perfil do paciente. “A rosuvastatina é uma droga mais moderna, com uma potência superior para fazer a redução da hidroximetilglutaril coenzima A redutase num prazo mais rápido. Às vezes, em 15 dias, o paciente já está vendo a redução do colesterol. Já a atorvastatina levaria mais ou menos 30 a 40 dias para fazer essa redução”, explica. No entanto, Maurizio ressalta que a escolha do medicamento depende do quadro clínico individual. “Tudo depende do risco cardiovascular. Se o paciente tem um risco cardiovascular muito elevado, às vezes é necessário o médico partir para uma droga mais potente do ponto de vista de obter um resultado mais rápido”, diz. Por outro lado, ele explica que a atorvastatina costuma ser preferida em pacientes com doença renal crônica ou diabetes. “A atorvastatina é mais segura para paciente renal e também mais segura em relação à diabetes, porque geralmente não agrava a doença. A rosuvastatina pode agravar tanto doença renal quanto diabetes, embora reduza o colesterol num prazo menor”, completa o Dr. Maurizio.
Outro fator levado em consideração é o uso simultâneo de diversos medicamentos, situação comum em idosos e pacientes crônicos. “A rosuvastatina tem menos chance de interagir com outros medicamentos por causa da maneira que ela é metabolizada. Já a atorvastatina pode aumentar ou diminuir o nível plasmático de outro medicamento quando há interação”, acrescenta o Dr. Maurizio.
Tratamento vai além da medicação
Embora as estatinas sejam ferramentas importantes no controle do colesterol, os especialistas reforçam que o tratamento também depende de mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e redução do consumo de álcool e cigarro. Segundo a Dra. Deborah Beranger, um dos maiores desafios é justamente a adesão ao tratamento contínuo. “A gente precisa conscientizar esse paciente, quando ele precisa de medicação, de que ele não pode parar o remédio. Porque se ele parar o remédio, o colesterol vai subir novamente. Esse é nosso grande desafio, porque como é uma doença silenciosa, muitas vezes o paciente para a medicação quando esse colesterol chega no nível normal”, afirma a endocrinologista. Já a Dra. Aline Lamaita lembra que a intensidade do tratamento varia conforme o risco cardiovascular de cada pessoa. “Aqueles que já apresentam níveis de colesterol acima do recomendado devem consultar um médico regularmente, afinal, a intensidade do controle do colesterol, com o uso de medicamentos ou apenas com a adoção de uma alimentação balanceada, depende do risco cardiovascular de cada indivíduo, variando caso a caso”, finaliza a Dra. Aline.
*DRA. DEBORAH BERANGER: Endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ) e pós-graduação em Terapia Intensiva na Faculdade Redentor/AMIB. Com cursos de extensão em Obesidade, Transtornos Alimentares e Transgêneros pela Harvard Medical School, a médica tem MBAs de Saúde e Qualidade de Vida, de Marketing e Branding Médico e de Mindset, todos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e curso de Obesidade e de imersão em Medicina Culinária pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Fez Fellowship pela European Association for the Study of Obesity, em Portugal; é speaker dos laboratórios Servier, Novo Nordisk, Novartis, Merck, AstraZeneca, Lilly e Boehringer. CRM 52753912. Instagram: @deborahberanger
*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular em São Paulo, Mestre em Ciências pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Com atuação focada em tratamentos modernos e minimamente invasivos de varizes, a médica tem título de especialista em Cirurgia Vascular e é membro de sociedades nacionais (como a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular - SBACV) e internacionais na área de flebologia. Atua em hospitais de referência e é palestrante em eventos científicos nacionais e internacionais. CRM-SP 101355 | RQE 26557. Instagram: @alinelamaita.vascular
*DR. MAURIZIO PUPO: farmacêutico pela PUC-Campinas (1988), pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações - Instituto Maurizio Pupo de Educação e Pesquisa - e diretor de P&D da ADA TINA. É professor nas áreas de Cosmetologia Avançada, Fotoproteção e Nutracêutica Clínica e Estética.
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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O colesterol elevado é um importante fator de risco cardiovascular e pode permanecer silencioso durante anos. No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, esta informação reforça a importância da prevenção, do acompanhamento médico e da adoção de hábitos de vida saudáveis. As informações sobre medicamentos apresentadas no texto têm caráter informativo e não substituem a avaliação e a orientação de um profissional de saúde.
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