Quedas lideram hospitalizações de crianças no Brasil

Quedas lideram hospitalizações de crianças no Brasil pelo décimo ano. Estudo alerta para o aumento de acidentes evitáveis e reforça a prevenção.
 Ilustração sobre acidentes infantis e hospitalizações de crianças e adolescentes no Brasil

Acidentes evitáveis levam milhares de crianças aos hospitais todos os anos


As quedas representam 43,4% das hospitalizações por acidentes em 2025


As quedas foram, pelo décimo ano consecutivo, a principal causa de hospitalizações por acidentes entre crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil. Entre 2016 e 2025, 518.249 crianças e adolescentes foram internados em decorrência de quedas, uma média de 51.825 hospitalizações por ano.

Os dados fazem parte de um levantamento inédito realizado pelo Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, com base em informações do Ministério da Saúde. O estudo chama a atenção para a dimensão dos acidentes na infância e para a necessidade de reforçar as medidas de prevenção.


Hospitalizações por acidentes aumentam 5,4% 


Somente em 2025, foram registadas 55.814 hospitalizações de crianças e adolescentes devido a quedas, número que corresponde a 43,4% de todas as internações decorrentes de lesões não intencionais, classificadas como acidentes.

O levantamento revela ainda um crescimento das hospitalizações por acidentes no país. Entre 2024 e 2025, os casos passaram de 121.933 para 128.466, representando um aumento de 5,4%.

Na prática, isso significa uma média de 352 crianças e adolescentes hospitalizados por dia, ou aproximadamente 15 por hora, em consequência de acidentes.

Além das quedas, o ranking de acidentes registados em 2025 inclui queimaduras (19,6%), sinistros de trânsito (9,9%), intoxicações (3,3%), sufocações (0,5%), afogamentos (0,2%), acidentes com armas de fogo (0,1%) e outras ocorrências (23,1%).

Entre as diferentes categorias, as intoxicações apresentaram o maior crescimento em relação a 2024, com aumento de 19,7%. Na sequência aparecem as sufocações, com crescimento de 10,8%, e as queimaduras, que aumentaram 7,4%.


Registo dos acidentes ainda é um desafio


Apesar da dimensão dos números, o estudo aponta uma dificuldade importante na identificação precisa das circunstâncias das quedas.

Em 2025, 25.774 hospitalizações por quedas não tiveram o tipo de acidente especificado, o equivalente a 46,2% dos registos. Considerando todo o período entre 2016 e 2025, as ocorrências sem especificação representaram 48,1% dos casos.

Para a Aldeias Infantis SOS, melhorar a qualidade das informações registadas em boletins de atendimento e prontuários é fundamental. Dados mais completos contribuem tanto para o histórico de saúde das crianças como para o desenvolvimento de campanhas e políticas públicas de prevenção de acidentes.

A Organização destaca ainda que mais de 90% dos acidentes, independentemente da causa, são evitáveis.

“Os números mostram que não podemos naturalizar acidentes e sinistros que, na sua grande maioria, poderiam ser evitados. A persistência das quedas no decênio analisado, bem como o crescimento de ocorrências como intoxicações e a quantidade de registros de casos sem especificação revelam que precisamos combinar informação, ambientes mais seguros, supervisão adequada e políticas públicas capazes de atuar sobre os diferentes fatores de risco presentes em cada etapa da infância, apoiando as famílias para um cuidado eficaz”, afirma José Carlos Sturza de Moraes, pesquisador e ponto focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS.

Sufocações lideram mortes de crianças e adolescentes 


O estudo também apresenta dados sobre mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil em 2024.

Somadas as oito categorias analisadas, foram registadas 3.341 mortes naquele ano. As sufocações apareceram como principal causa, com 1.039 óbitos, correspondentes a 31,1% do total.

Na sequência estão os acidentes de trânsito, responsáveis por 922 mortes (27,6%), e os afogamentos, com 850 óbitos (25,4%).

Juntas, sufocações, acidentes de trânsito e afogamentos representaram cerca de 84,1% das mortes analisadas no período.

O perfil das vítimas varia de acordo com a idade. Crianças entre 1 e 4 anos concentraram 1.095 mortes, equivalentes a 32,8% do total, enquanto os menores de 1 ano registaram 930 óbitos, ou 27,8%.

Entre as mortes por sufocação, 75% das vítimas eram bebés. Já os afogamentos concentraram sobretudo crianças entre 1 e 4 anos.

Os acidentes de trânsito atingiram diferentes grupos, incluindo ocupantes de automóveis e caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas.

Prevenção exige responsabilidade coletiva 


Para José Carlos Sturza de Moraes, os números reforçam a necessidade de ampliar as ações de prevenção e, simultaneamente, melhorar a qualidade das informações sobre acidentes e riscos de morte na infância.

“A Aldeais Infantis SOS defende que famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e demais atores envolvidos na proteção da infância atuem conjuntamente para engajar a sociedade em campanhas de conscientização e promover ambientes mais seguros e efetivamente protetores. O desafio, para todos nós, é fomentar uma cultura de cuidado e de responsabilidade coletiva sobre a segurança e o bem-estar de nossas crianças e nossos adolescentes, para que possam se desenvolver plenamente como indivíduos”, conclui o pesquisador.

Estudo sobre acidentes infantis 


O estudo completo realizado pela Aldeias Infantis SOS reúne os dados sobre hospitalizações e mortes decorrentes de acidentes envolvendo crianças e adolescentes e pode ser consultado no documento disponibilizado pela Organização.

Sobre a Aldeias Infantis SOS
A Aldeias Infantis SOS é uma organização não governamental dedicada a apoiar crianças e jovens sem cuidados parentais ou em risco de perdê-los.
A negligência, o abuso e o abandono infantil estão presentes em diferentes contextos e podem colocar famílias em risco de separação. Presente em mais de 130 países e territórios, a Organização trabalha para fortalecer famílias sob pressão, contribuindo para que permaneçam unidas.
Quando permanecer com a família não corresponde ao melhor interesse da criança ou do jovem, a Organização oferece cuidados de qualidade, de acordo com as necessidades específicas de cada situação.
O trabalho desenvolvido procura envolver comunidades, sociedade e poderes públicos na construção dos suportes necessários para crianças, adolescentes e famílias.
Em colaboração com parceiros, doadores, comunidades, crianças, jovens e famílias, a Aldeias Infantis SOS procura garantir que as crianças cresçam com os vínculos necessários ao seu desenvolvimento. A Organização também defende os direitos das crianças e promove mudanças para que todas possam crescer num ambiente acolhedor e protetor.
Para saber mais, acesse o site da Aldeias Infantis SOS. [separador]
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Os dados apresentados neste artigo evidenciam a importância da prevenção dos acidentes na infância e da adoção de medidas capazes de tornar os ambientes mais seguros para crianças e adolescentes. O Portal Splish Splash reproduz as informações com finalidade jornalística e de interesse público, valorizando iniciativas que contribuam para a proteção e o bem-estar das crianças.
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