Obras feitas com mel, cera e própolis inspiram encontro aberto ao público no Rio
Arte contemporânea, natureza e ciência unem-se numa experiência inédita
No próximo dia 25 de julho, às 14h, o público terá a oportunidade de conhecer mais profundamente o universo criativo do artista Ricardo Siri durante uma conversa gratuita e aberta com a curadora Fernanda Lopes, integrada na exposição PRO-POLIS, patente no Museu Histórico da Cidade, no Rio de Janeiro. O encontro promete revelar os processos, conceitos e materiais que dão forma a uma das exposições mais originais da temporada cultural carioca.
Com curadoria de Fernanda Lopes, a mostra reúne cerca de 20 obras inéditas entre pinturas e esculturas produzidas a partir de mel, cera e própolis provenientes do meliponário do próprio artista. O mel ali produzido conquistou reconhecimento nacional ao ser eleito o terceiro melhor do Brasil.
Arte, natureza e construção coletiva
Segundo Ricardo Siri, os trabalhos estabelecem uma ligação entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação. Já a curadora Fernanda Lopes destaca que o artista utiliza materiais produzidos pelas abelhas como instrumentos de reflexão sobre coexistência, cuidado e organização social.
Mais do que representar a natureza, Siri trabalha diretamente a partir dela. Os materiais utilizados carregam histórias, geografias e relações ecológicas que permanecem presentes em cada obra.
A própolis transforma-se em pintura
Um dos destaques da exposição é a utilização da própolis como matéria pictórica. Tradicionalmente associada à proteção das colmeias, a substância ganha nova vida em obras abstratas que exploram tonalidades naturais de castanho, verde e vermelho. Algumas peças incorporam ainda geoprópolis, mistura produzida por determinadas espécies de abelhas nativas brasileiras.
As pinturas exploram texturas, transparências e densidades únicas, transformando elementos da paisagem e da memória vegetal em expressão artística contemporânea.
Do neoconcretismo aos QR Codes vivos
A exposição também apresenta trabalhos realizados com folhas de cera de abelha moldadas em estruturas geométricas inspiradas no Movimento Neoconcreto, uma das correntes mais importantes da arte brasileira. Formado em engenharia civil, Siri explora padrões matemáticos e a geometria natural das colmeias.
Noutras obras, o artista presta homenagem ao pintor neerlandês Piet Mondrian através da série “Meldrian”, recriando formas e cores utilizando exclusivamente cera de abelha e mel, sem recurso a pigmentos artificiais.
A inovação estende-se ainda ao uso de QR Codes produzidos em cera. Quando digitalizados pelos visitantes, conduzem diretamente a conteúdos sobre as colmeias e as abelhas responsáveis pelos materiais utilizados nas obras. Algumas pinturas escondem ainda imagens que só se revelam através da câmara do telemóvel, criando uma experiência interativa que desafia a forma tradicional de observar arte.
Migração, biodiversidade e homenagem às abelhas
Grande parte dos materiais utilizados provém do meliponário do artista, dedicado às abelhas nativas brasileiras. Contudo, Siri também presta homenagem às espécies introduzidas no país através de obras que representam mapas-múndi construídos com cera produzida por abelhas estrangeiras, numa reflexão sobre migração, diversidade e convivência.
SERVIÇO:
Conversa com Ricardo Siri e Fernanda Lopes na exposição “PRO-POLIS”
Data: 25 de julho de 2026, sábado, às 14h
Exposição: até 22 de agosto de 2026
Local: Museu Histórico da Cidade (MHC) – 3.º andar
Endereço: Estrada Santa Marinha, s/n – Gávea – Rio de Janeiro – RJ
Horário de visitação: terça a domingo, das 9h às 16h
Entrada gratuita
Curadoria: Fernanda Lopes
Ficha Técnica
Evento: Conversa com Ricardo Siri e Fernanda Lopes
Exposição: PRO-POLIS
Data: 25 de julho de 2026
Local: Museu Histórico da Cidade (MHC)
Cidade: Rio de Janeiro (RJ)
Entrada: Gratuita
Curadoria: Fernanda Lopes
Sobre o autor
Ricardo Siri é artista transdisciplinar, músico, compositor e meliponicultor. Com uma trajetória que atravessa a música, a performance e as artes visuais, desenvolve obras que criam pontes sensoriais entre natureza, tecnologia e espaço urbano.
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