Pesquisas da Embrapa revelam benefícios para o carbono no solo, redução de GEE e maior resiliência das lavouras
O Sistema Plantio Direto pode aumentar o sequestro de carbono e reduzir emissões de gases de efeito estufa
As plantas de cobertura, um dos pilares do Sistema Plantio Direto (SPD), consolidam-se como uma das mais importantes estratégias para tornar a agricultura brasileira mais sustentável e preparada para enfrentar as mudanças climáticas. Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Cerrados demonstram que essas espécies contribuem para o aumento do estoque de carbono no solo, reduzem as emissões de gases de efeito estufa (GEE), melhoram a fertilidade e ajudam a manter a produtividade das lavouras mesmo diante de eventos climáticos extremos.
Os resultados foram apresentados pela pesquisadora Arminda Moreira de Carvalho durante visita técnica realizada na Embrapa Cerrados, em Brasília, como parte da programação do 20.º Encontro Nacional do Sistema Plantio Direto (ENSPD) e do 3.º Encontro Mundial do Sistema Plantio Direto. A apresentação contou ainda com a participação das bolsistas Raíssa Dantas e Fabiana Ribeiro, que divulgaram dados de um experimento de longa duração iniciado em 2005.
Segundo Arminda Carvalho, a crescente necessidade de reduzir os impactos ambientais da produção agrícola conferiu uma nova importância às plantas de cobertura.
"Hoje existe uma cobrança muito grande para que a agricultura contribua com soluções para as mudanças climáticas."
Muito além da conservação do solo
As plantas de cobertura exercem um papel muito mais amplo do que a simples proteção da superfície do solo. As leguminosas favorecem a fixação biológica de nitrogénio, enquanto diferentes espécies estimulam a atividade dos microrganismos, promovem a ciclagem de nutrientes, aumentam a infiltração de água e reduzem a dependência de fertilizantes químicos.
De acordo com a investigadora, estes benefícios fortalecem a resiliência dos sistemas agrícolas e contribuem para uma produção mais eficiente e sustentável.
Outro resultado relevante diz respeito ao armazenamento de carbono no solo. As avaliações realizadas ao longo de vários anos demonstram que determinadas plantas de cobertura conseguem reduzir significativamente as perdas de carbono após a introdução da soja na sucessão de culturas.
Entre as espécies avaliadas, gramíneas como o sorgo e o trigo destacaram-se pela elevada produção de biomassa e pela decomposição mais lenta dos resíduos vegetais, favorecendo a permanência do carbono no solo.
Além disso, os investigadores identificaram o mix de plantas de cobertura como uma alternativa promissora, uma vez que combina espécies com diferentes ritmos de decomposição, promovendo uma ciclagem de nutrientes mais eficiente e maior estabilidade dos estoques de carbono.
Redução das emissões de gases de efeito estufa
Outro dos destaques da investigação foi a redução das emissões de óxido nitroso (N₂O), um dos gases de efeito estufa mais preocupantes, cujo potencial de aquecimento global é cerca de 300 vezes superior ao do dióxido de carbono.
Durante quatro anos, investigadores da Embrapa Cerrados monitorizaram áreas cultivadas com milho sob diferentes plantas de cobertura. Os resultados evidenciaram que algumas espécies conseguem diminuir significativamente as emissões de N₂O.
O guandu apresentou um desempenho particularmente positivo, graças às suas características químicas, que influenciam o ritmo de decomposição da matéria orgânica e contribuem para uma menor libertação deste gás.
Para realizar estas medições, a equipa desenvolveu um sistema de câmaras estáticas de baixo custo capaz de recolher simultaneamente dióxido de carbono, metano e óxido nitroso diretamente no solo, ampliando a capacidade nacional de monitorização das emissões do setor agropecuário.
Nitrogénio reciclado naturalmente
Os estudos também revelaram que a maior parte do nitrogénio absorvido pelo milho provém da decomposição da palhada produzida pelas plantas de cobertura e não dos fertilizantes aplicados.
Segundo Arminda Carvalho, a mineralização dos resíduos vegetais representa a principal fonte deste nutriente para a cultura, sendo a braquiária uma das espécies mais eficientes na sua reciclagem.
Os resultados reforçam que o verdadeiro Sistema Plantio Direto deve assentar em três princípios fundamentais:
rotação de culturas;
cobertura permanente do solo;
ausência de revolvimento do solo.
A combinação destes fatores contribui para aumentar a produtividade e reduzir os impactos ambientais da agricultura.
O desafio é ampliar a adoção do Sistema Plantio Direto
O diretor da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP), Rafael Fuentes, alertou que, embora cerca de 45 milhões dos 70 milhões de hectares de culturas temporárias do Brasil utilizem a semeadura direta, apenas 6,4 milhões adotam efetivamente os três princípios do Sistema Plantio Direto.
Segundo o dirigente, existe ainda uma grande diferença entre a tecnologia disponível e a sua implementação prática nas explorações agrícolas.
Fuentes considera essencial criar mecanismos de remuneração pelos serviços ambientais prestados pelos produtores, nomeadamente através do reconhecimento do carbono sequestrado e dos benefícios ecossistémicos proporcionados pelas plantas de cobertura.
Também o investigador Fernando Macena destacou o papel do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), cuja incorporação dos diferentes níveis de manejo poderá incentivar a adoção integral do Sistema Plantio Direto.
Embrapa Cerrados recebe reconhecimento pela investigação
A programação técnica do 20.º ENSPD contou ainda com apresentações de outros investigadores da Embrapa Cerrados.
Ieda Mendes apresentou estudos sobre o papel das enzimas na regeneração biológica e saúde do solo, enquanto Lourival Vilela abordou a integração entre solo, plantas e animais como base da agricultura regenerativa.
Como reconhecimento pela sua contribuição para o desenvolvimento da agricultura sustentável brasileira, Lourival Vilela, Ieda Mendes e Luiz Adriano receberam o certificado de mérito "O Conservacionista", atribuído pela Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto.
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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
As plantas de cobertura assumem um papel cada vez mais estratégico na agricultura sustentável, contribuindo para o aumento do carbono no solo, a redução das emissões de gases de efeito estufa e a maior resiliência das lavouras. As investigações da Embrapa Cerrados reforçam a importância da adoção plena do Sistema Plantio Direto, demonstrando que a inovação científica continua a ser decisiva para conciliar produtividade agrícola, conservação ambiental e mitigação das alterações climáticas.
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Redatora Permanente do blog luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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