Novo livro de Letícia Fernandes Leal transforma memórias, família e amadurecimento em versos marcados pela delicadeza
Memória, família e amadurecimento unem-se numa escrita intimista e contemporânea
A poeta fluminense Letícia Fernandes Leal apresenta o seu mais recente livro, Filtro de barro, uma obra que transforma as recordações da infância em matéria poética, explorando temas como a família, o amadurecimento, o luto e a construção da identidade. Publicado pela Editora Xará, selo fundado pela própria autora, o livro encontra-se em pré-venda e poderá ser levantado no lançamento ou enviado pelos correios.
Terceira publicação da escritora, Filtro de barro sucede Sólido (Editora Kazuá, 2020), Burnoutinho (Editora Minimalismos, 2023) e A Sombra sem Corpo (autopublicação, 2024), consolidando uma trajetória marcada pela poesia contemporânea e pela investigação das emoções humanas.
Memórias que permanecem vivas
Como o título sugere, Filtro de barro mergulha nas lembranças da infância da autora, convertendo-as em poesia delicada e profundamente humana. No posfácio, assinado por Thereza Christina Rocque da Motta (1957–2026), essas memórias são descritas como "uma parte viva de sua narrativa poética".
Ao longo dos 47 poemas que compõem a coletânea, o leitor percorre diferentes momentos da experiência humana. Há espaço para a leveza das recordações de verão, como no poema Tarde de Sol Limites, mas também para reflexões mais densas, como o luto presente em Novembro. O resultado é um percurso que aproxima o leitor do eu lírico e revela, gradualmente, a sua forma de compreender o mundo.
Uma infância longe dos estereótipos
A infância retratada em Filtro de barro distancia-se das representações idealizadas ou simplificadas. Em vez disso, a autora constrói uma voz poética em permanente transformação, onde a subjetividade ocupa o centro da narrativa.
Os poemas revelam uma criança que observa, sente e interpreta a realidade com profundidade, recusando qualquer visão que relegue a infância para um lugar secundário na experiência humana.
Uma nota biográfica que também emociona
Outro dos elementos distintivos da obra surge no encerramento do livro, com uma extensa Nota biográfica da autora. Longe do formato tradicional das breves apresentações editoriais, o texto assume um caráter confessional e aproxima ainda mais o leitor da escritora.
Logo nas primeiras linhas, Letícia Fernandes Leal sintetiza, com sensibilidade e humor, os desafios da vida literária ao afirmar:
"Quando eu inventei de ser escritora, ninguém avisou que as mãos ressecariam e os dedos dariam calos."
O relato oferece uma visão sincera dos percursos, dificuldades e persistência que acompanham quem escolhe a literatura como forma de expressão.
Uma nova etapa na trajetória da autora
Embora mantenha a intensidade emocional presente nas suas publicações anteriores, Filtro de barro representa uma nova etapa na produção literária de Letícia Fernandes Leal.
Se livros como Burnoutinho abordavam temas ligados à vida adulta, ao burnout, aos tempos líquidos e à síndrome do impostor, esta nova obra volta-se para a origem dessas experiências, revisitando a infância como território de formação da memória, da sensibilidade e da identidade.
Sobre a autora
Nascida em São Gonçalo (RJ), em 1994, Letícia Fernandes Leal decidiu tornar-se escritora aos oito anos e nunca mais abandonou esse propósito.
Licenciada em Letras – Português e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, exerceu funções como professora e gestora escolar em escolas e cursos preparatórios para o ensino superior.
Publicou o seu primeiro livro, Sólido, em 2020, participou em diversas antologias de poesia e prosa e prossegue atualmente os estudos no Mestrado em Estudos Comparados: Literatura e Outras Artes, da Universidade Aberta de Portugal, além de frequentar uma pós-graduação em Escrita Criativa, Roteiro e Multiplataformas, na Faculdade Novoeste. Além da atividade literária, ministra oficinas de escrita criativa e partilha conteúdos sobre literatura nas suas redes sociais. A autora mantém viva a curiosidade de quem, como na célebre referência a O Principezinho, continua a compreender "o desenho da jibóia que engoliu um elefante".
Com Filtro de barro, Letícia Fernandes Leal confirma uma voz poética que alia sensibilidade, memória e maturidade literária. A obra convida o leitor a revisitar a infância não como um espaço idealizado, mas como uma dimensão viva da experiência humana, onde se constroem afetos, perdas e descobertas. O Portal Splish Splash acompanha com interesse os novos percursos da literatura em língua portuguesa e deseja à autora pleno sucesso nesta nova publicação.
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