Livro de Marina Jerusalinsky é finalista do Jabuti Académico

Guia de conduta para mulheres bravas, de Marina Jerusalinsky, é finalista do Jabuti Académico com uma reflexão sobre género, linguagem e história.
Ilustração alusiva ao livro Guia de conduta para mulheres bravas, de Marina Jerusalinsky, finalista do Prémio Jabuti Académico na categoria Divulgação Científica.

Obra finalista do Jabuti Académico revisita a história e denuncia a opressão feminina


Um livro que transforma investigação académica numa poderosa ferramenta de reflexão social

A investigadora, artista visual e escritora Marina Jerusalinsky é finalista do Prémio Jabuti Académico, na categoria Divulgação Científica (Eixo Prémios Especiais), com a obra Guia de conduta para mulheres bravas, publicada pela editora orlando. O reconhecimento destaca um trabalho que alia investigação histórica, ensaio crítico e criação artística para analisar as origens e a permanência dos mecanismos de controlo da fala e do comportamento das mulheres.

Ao longo de 159 páginas, a autora recupera a história do chamado "Juízo das Bravas", sistema de julgamento que, entre os séculos XIV e XVIII, penalizava mulheres por se expressarem em público de forma considerada inadequada. A partir desse enquadramento histórico, estabelece uma ligação direta com situações que continuam presentes na sociedade contemporânea.

Investigação histórica com linguagem acessível 


Resultado da investigação desenvolvida no doutoramento da autora, Guia de conduta para mulheres bravas combina pesquisa documental, testemunhos de mulheres da atualidade e um projeto gráfico diferenciador para revelar como determinados padrões culturais continuam a influenciar a forma como a sociedade avalia e condiciona a voz feminina.

O texto da quarta capa é assinado pela escritora, artista visual e designer gráfica Marcela Scheid, enquanto a capa e as ilustrações resultam de um trabalho conjunto de Marina Jerusalinsky e da designer gráfica e artista visual Lídia Ganhito.

Ironia para questionar preconceitos 


Organizado em 59 irónicas "lições de conduta", o livro reúne experiências reais de mulheres brasileiras e portuguesas, evidenciando a persistência de expressões e discursos marcados pela misoginia.

Segundo Marina Jerusalinsky, a investigação permitiu compreender melhor a origem das conceções sobre a chamada "mulher ideal" e transformá-las numa crítica consistente aos estereótipos de género que atravessam diferentes épocas.

A autora recorre ainda a referências históricas, literárias e culturais para desconstruir narrativas que limitaram, durante séculos, a autonomia e a liberdade de expressão das mulheres.

Entre as passagens mais marcantes encontra-se a lição "Brava", que utiliza a ironia para expor a criminalização da assertividade feminina:

"Uma mulher pode ser considerada brava ao levantar a voz, ser veemente, discordar, ou falar com irritação – atos completamente inconvenientes e condenáveis. Todos esses elementos vão contra a obrigatória docilidade feminina, sem a qual seria muito mais difícil que nos dominassem como convém."

Brasileiras em Portugal também integram a reflexão 


A obra dedica igualmente atenção aos preconceitos dirigidos às mulheres brasileiras residentes em Portugal. No capítulo "Para Brasileiras em Portugal", são reproduzidas frases frequentemente dirigidas a estas mulheres, expondo estereótipos, discriminação e formas subtis de violência verbal.

Para a autora, estas "lições" demonstram como a linguagem pode perpetuar relações de poder, mas também como a ironia e a reflexão crítica constituem instrumentos eficazes para questionar essas narrativas.

Sobre a autora
Marina Jerusalinsky é artista visual, investigadora e escritora. É doutorada em Artes pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e licenciada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Há mais de uma década desenvolve projetos transdisciplinares ligados à arte participativa, livros de artista, leitura crítica e revisão de textos. É igualmente autora de Adjetivo Feminino: Dicionário de Experiências, publicado em 2022.

Ficha técnica
Título: Guia de conduta para mulheres bravas
Autora: Marina Jerusalinsky
Editora: orlando
Género: Não ficção
Ano: 2025
Páginas: 159ISBN: 978-65-987951-1-5

Sobre a editora orlando
Fundada pelos jornalistas Karol Lopes, Marcela Güther e Vincent Sesering, também responsáveis pela agência de comunicação literária com.tato, a editora orlando aposta na publicação de autores independentes com elevados padrões editoriais.
Sob o lema "Histórias que desafiam o tempo", disponibiliza serviços de edição, revisão, design gráfico e divulgação literária, organizando o seu catálogo através dos selos ziguezague (infantil), dobradura (poesia), espiral (ficção) e brecha (não ficção).
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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Finalista do Prémio Jabuti Académico, Guia de conduta para mulheres bravas destaca-se por transformar investigação científica em leitura acessível, promovendo o debate sobre igualdade de género, linguagem, memória histórica e direitos das mulheres. A distinção reforça a importância da divulgação científica como instrumento de reflexão crítica e aproximação entre a investigação académica e a sociedade, valorizando obras que contribuem para uma cidadania mais informada e consciente.
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