BREL revive Jacques Brel no Festival de Almada

O espetáculo BREL chega ao CCB no Festival de Almada com Anne Teresa De Keersmaeker e Solal Mariotte, revisitando a obra de Jacques Brel através da da
Ilustração inspirada no espetáculo BREL, de Anne Teresa De Keersmaeker e Solal Mariotte, apresentado no Festival de Almada, no Grande Auditório do CCB.

Dança contemporânea e música unem três gerações num espetáculo inédito apresentado no CCB


Anne Teresa De Keersmaeker e Solal Mariotte reinventam um dos maiores legados da canção europeia


O Festival de Almada chega ao Centro Cultural de Belém (CCB) com um dos espetáculos mais aguardados da programação internacional. BREL, criação da consagrada coreógrafa belga Anne Teresa De Keersmaeker em parceria com o jovem bailarino e coreógrafo francês Solal Mariotte, sobe ao palco do Grande Auditório nos dias 11 de julho, às 19h00, e 12 de julho, às 17h00, propondo uma intensa viagem coreográfica inspirada no universo musical de Jacques Brel.

Figura incontornável da canção do século XX, Jacques Brel (1929-1978) deixou uma obra marcada pela intensidade interpretativa e pela capacidade de transformar emoções humanas em canções intemporais. É precisamente esse património artístico que serve de ponto de partida para uma criação que reúne três gerações distintas num diálogo entre música, dança e tempo.

Em palco, Anne Teresa De Keersmaeker e Solal Mariotte exploram a energia física e emocional das canções de Brel, questionando de que forma temas como a amizade, as relações humanas, as mudanças sociais, a violência e a condição humana continuam a ecoar no século XXI. O espetáculo procura transformar essas inquietações em movimento, revelando novas leituras de um repertório que permanece surpreendentemente atual.

Conhecido pela entrega absoluta em palco, Jacques Brel estabelecia uma relação única com o público, interpretando cada canção como uma experiência profundamente vivida. Essa intensidade inspira uma coreografia que investiga as tensões, os desfasamentos temporais e as múltiplas camadas de significado presentes na sua obra, propondo uma reflexão artística sobre o legado do cantor belga.

Referência maior da dança contemporânea internacional há mais de quatro décadas, Anne Teresa De Keersmaeker integrou o movimento da Nova Dança Belga antes de fundar, em 1983, a companhia Rosas, uma das mais influentes da criação coreográfica europeia. Ao longo da sua carreira desenvolveu uma linguagem artística singular, reconhecida pela relação íntima entre música e movimento.

Em BREL, essa investigação prossegue através da chamada "coreografia de canções", aprofundando um percurso iniciado em 2002 com o solo Once, criado a partir de músicas de Joan Baez. Desta vez, o encontro com Solal Mariotte acrescenta uma nova dimensão geracional, permitindo reinterpretar o universo de Jacques Brel sob um olhar contemporâneo.

Mais do que um espetáculo de dança, BREL apresenta-se como uma experiência sensorial que convida o público a revisitar um dos maiores nomes da música europeia através de uma linguagem coreográfica inovadora, sensível e profundamente humana.

Ficha Técnica
Conceção e Coreografia: Anne Teresa De Keersmaeker e Solal Mariotte
Música: Jacques Brel
Interpretação: Anne Teresa De Keersmaeker e Solal Mariotte
Dramaturgia: Wannes Gyselinck
Cenografia: Michel François
Adereços: Aouatif Boulaich
Desenho de Luz: Minna Tiikkainen
Som: Alex Fostier
Assistência à Criação: Nina Godderis e Johanne Saunier
Investigação de Dança: Pierre Bastin
Investigação Musical: France Brel / Fondation Jacques Brel e Filip Jordens
Local: Grande Auditório do CCB
Datas: 11 de julho (sábado, 19h00) e 12 de julho (domingo, 17h00)
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O Festival de Almada continua a afirmar-se como um dos mais relevantes eventos de artes performativas da Península Ibérica, reunindo anualmente criadores nacionais e internacionais de referência. Ao destacar propostas que cruzam tradição, contemporaneidade e inovação, contribui para aproximar novos públicos da dança, do teatro e da criação artística, promovendo o diálogo cultural e a valorização das grandes obras que marcaram a história das artes.
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