Quebrada Viva celebra a potência cultural da periferia

Festival Quebrada Viva reúne Trio Mocotó, MC Luanna, Stefanie e atrações gratuitas no Parque Linear Bananal-Canivete, na Brasilândia, em São Paulo.
Cartaz oficial do Festival Quebrada Viva 2026 com programação gratuita reunindo Trio Mocotó, MC Luanna, Stefanie e diversas atrações culturais na Brasilândia, em São Paulo.

Festival gratuito reúne grandes nomes da música e fortalece a cultura na Brasilândia


Quando a comunidade ocupa os espaços públicos, a cultura ganha novas vozes


Julho será marcado por um grande encontro entre música, arte e participação popular na Zona Norte de São Paulo. No dia 25, o Parque Linear Bananal-Canivete, na Brasilândia, recebe o Festival Quebrada Viva, iniciativa gratuita que reúne importantes nomes da cena musical brasileira, atividades culturais para todas as idades e ações voltadas ao fortalecimento da produção artística periférica.

O evento representa o ponto alto de um processo iniciado meses antes com oficinas gratuitas realizadas na Fábrica de Cultura da Brasilândia. Durante a etapa formativa, participantes tiveram acesso a cursos de discotecagem, iluminação, produção cultural e comercialização de shows, preparando novos profissionais para atuar na cadeia produtiva da cultura.

Idealizadora do projeto, a gestora cultural Michelle Serra destaca que o festival nasce de uma construção coletiva e do desejo de ampliar oportunidades para artistas e moradores da periferia.

"Sonho com esse festival há dez anos, desde o início da minha trajetória como produtora cultural independente. Cresci cercada pela música e sempre enxerguei a cultura como uma poderosa ferramenta de transformação social. O Quebrada Viva representa o primeiro passo de uma caminhada que pretende fortalecer ainda mais os territórios periféricos nos próximos anos", afirma.

Segundo Michelle, a proposta vai além da realização de apresentações artísticas.

"Queremos gerar oportunidades de trabalho para mães solo, artistas e profissionais frequentemente invisibilizados pelo mercado. O festival foi pensado a partir das necessidades da própria comunidade, valorizando quem vive e constrói esse território diariamente."

A programação musical começa às 14h com o DJ Ray, que sobe ao palco acompanhado pelos alunos da oficina de discotecagem promovida pelo projeto: DJ Xum, Vossog, Lets Diaz, Ant e Refulgeo. A apresentação simboliza a união entre formação e prática profissional, permitindo que novos talentos compartilhem o palco com artistas já consolidados.

Na sequência, às 15h, o coletivo DeeJazz apresenta um espetáculo que combina jazz, hip hop e improvisação, reinterpretando clássicos da música brasileira e internacional sob uma linguagem contemporânea.

Às 17h, a rapper Stefanie leva ao festival toda a força de sua trajetória no rap nacional, recebendo como convidada especial a rapper, poeta e diretora audiovisual Cristal, uma das artistas mais representativas da nova geração da música brasileira.

O clima de celebração continua às 17h50 com o cortejo do Bloco Jah É, que leva ao parque toda a energia do samba reggae e da cultura carnavalesca construída nas periferias paulistanas.

Na sequência, às 18h30, o público acompanha o show do Trio Mocotó, grupo histórico responsável por consolidar o samba-rock brasileiro e por influenciar diferentes gerações de músicos desde a década de 1970.

A partir das 19h40, a DJ K-Mina assume as pick-ups com um repertório que percorre black music, samba-rock, soul, afrobeats, hip hop e brasilidades, preparando o público para o encerramento da programação musical.

Quem fecha a noite é MC Luanna, às 20h30. Entre rap, trap e funk, a artista apresenta um repertório marcado por narrativas sobre identidade, empoderamento, ancestralidade e cotidiano, encerrando o festival com a potência da nova cena da música urbana brasileira.

Além dos shows, o Festival Quebrada Viva promove uma programação paralela que amplia o diálogo entre diferentes linguagens artísticas e convida famílias inteiras a ocupar o parque ao longo de todo o dia.

Às 10h, o espetáculo infantil "Os Piratas na Ilha do Tesouro Perdido" abre as atividades com uma aventura repleta de humor, fantasia e mensagens sobre convivência, amizade e cidadania.

Já às 14h, o Slam do Pico transforma o espaço público em palco para batalhas de poesia e literatura falada, reafirmando a importância da palavra como instrumento de expressão, resistência e transformação social.

Na sequência, às 15h30, o Caldeirão do Samba da Dobrada convida o público para uma tradicional roda de samba, celebrando compositores consagrados e mantendo viva uma das mais importantes manifestações da cultura popular brasileira.

Durante toda a programação, o coletivo O Jazz Não Morde circulará pelo parque com apresentações itinerantes que aproximam o jazz do público de maneira leve, espontânea e acessível, transformando diferentes espaços do evento em pontos de encontro entre artistas e espectadores.

Mais do que reunir atrações de destaque, o Festival Quebrada Viva propõe um modelo de ocupação cultural que fortalece redes locais, amplia o acesso à arte e estimula o desenvolvimento social por meio da economia criativa.

A iniciativa conecta formação profissional, circulação artística e valorização dos territórios periféricos, demonstrando que investir na cultura significa também criar oportunidades, gerar renda e fortalecer a identidade das comunidades.

Realizado pelo Ministério da Cultura, o festival tem idealização de Michelle Serra, apoio cultural do Instituto Poiesis, da Fábrica de Cultura da Brasilândia e da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, além da produção do Instituto SUAME Esperança.

SERVIÇO:
Festival Quebrada Viva
Local: Parque Linear Bananal-Canivete – Brasilândia – São Paulo (SP)
Data: 25 de julho
Horário: das 10h às 21h30
Entrada: Gratuita

Programação
Palco Principal
14h – DJ Ray com DJ Xum, Vossog, Lets Diaz, Ant e Refulgeo
15h – DeeJazz
17h – Stefanie, com participação de Cristal
17h50 – Bloco Jah É
18h30 – Trio Mocotó
19h40 – DJ K-Mina
20h30 – MC Luanna

Intervenções
10h – Espetáculo infantil Os Piratas na Ilha do Tesouro Perdido
14h – Slam do Pico
15h30 – Caldeirão do Samba da Dobrada
Durante todo o evento – Intervenções itinerantes do coletivo O Jazz Não Morde.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O Festival Quebrada Viva evidencia como a cultura pode atuar como ferramenta de inclusão, formação profissional e fortalecimento dos territórios periféricos. Ao reunir artistas consagrados, novos talentos e atividades gratuitas para todas as idades, o projeto reafirma a importância do acesso democrático à arte e da ocupação dos espaços públicos como instrumento de transformação social
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