Exposição gratuita revela fantasias, histórias e bastidores dos Clóvis cariocas
Mostra inédita apresenta a riqueza cultural dos bate-bolas do Rio de Janeiro
A Biblioteca Parque Estadual (BPE), equipamento vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SececRJ), inaugurou a exposição “Clóvis: o rosto detrás da máscara”, uma homenagem à cultura dos bate-bolas, também conhecidos como Clóvis, uma das manifestações mais marcantes do carnaval carioca.
Com entrada gratuita, a mostra convida o público a conhecer os bastidores dessa tradição popular através de fantasias originais, fotografias, vídeos, adereços e registos que revelam os processos criativos, as histórias e as identidades construídas pelas turmas de bate-bolas. A visitação decorre até 21 de agosto, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h.
Bate-bolas: património cultural e identidade carioca
A exposição reúne indumentárias completas utilizadas por diferentes turmas no carnaval de 2026, incluindo Bem Feitos, Bem Feitas, Animação da Ilha do Governador, Velha Guarda de Paciência, Empoderadas e Mercenários de Realengo.
Outros grupos também estão representados através de fotografias, adereços e materiais audiovisuais que exploram elementos fundamentais dessa expressão cultural, como o corpo mascarado, o brilho, o som, o movimento e o sentimento de pertença.
Reconhecidos como Património Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro desde 2012, os bate-bolas fazem parte da memória afetiva de milhares de cariocas. A proposta da mostra é ultrapassar a visão da fantasia apenas como espetáculo carnavalesco, apresentando os processos de criação e as pessoas que mantêm viva esta tradição nos subúrbios do Rio e na Baixada Fluminense.
“A ideia da exposição surge da oportunidade de debater como os bate-bolas são amplamente reconhecidos como imagem do carnaval carioca, mas pouco compreendidos a partir das pessoas que constroem essa manifestação. O projeto propõe deslocar o olhar da fantasia como espetáculo para a fantasia como processo e linguagem”, explica o curador Rennan Carmo.
Para o idealizador Felipe Soares, as fantasias representam diferentes dimensões desta manifestação cultural.
“Falar por meio das roupas é fundamental porque elas concentram técnica, identidade, estética e pertencimento. A fantasia não é apenas um figurino, mas um dispositivo que transforma o corpo, organiza relações dentro da turma e comunica valores e narrativas do território”, destaca.
Da rua para a galeria: os bastidores da criação
O percurso expositivo conduz o visitante por dois momentos essenciais da cultura dos bate-bolas. O primeiro apresenta a rua como palco das saídas das turmas durante o carnaval, marcada pelas cores, pelo brilho das fantasias, pelas máscaras e pela energia colectiva que transforma os espaços urbanos.
A segunda etapa revela os bastidores da festa popular, mostrando o trabalho desenvolvido por costureiras, pintores, aderecistas, produtores e integrantes das turmas que, durante meses, dedicam-se à criação das fantasias em quintais, varandas e galpões transformados em verdadeiros centros de produção artística.
Além de valorizar a dimensão estética dos bate-bolas, a exposição propõe uma reflexão sobre os preconceitos historicamente associados a esta manifestação, reforçando o seu papel como expressão cultural, comunitária e identitária.
O projecto conta com apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através do Edital Folia RJ 2026, disponibilizando ainda recursos de acessibilidade, como audiodescrição, obra tátil e intérprete de Libras nas actividades de abertura e encerramento.
Programação de abertura aproximou público e protagonistas
A inauguração começou com uma visita mediada pela exposição e prosseguiu com um seminário gratuito que reuniu representantes das turmas Bem Feitos e Empoderadas.
O encontro contou com a participação de Fabiano Lima e Emilly “Milly” Santos, proporcionando ao público a oportunidade de conhecer, sem máscaras, as histórias de quem constrói esta tradição cultural e discutir temas como processos criativos, identidade das turmas e a importância dos bate-bolas para a cultura popular carioca.
SERVIÇO:
Exposição: “Clóvis: o rosto detrás da máscara”
Abertura: 21 de julho de 2026
Visitação: até 21 de agosto de 2026, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h
Local: Biblioteca Parque Estadual (Avenida Presidente Vargas, 1.261, Centro)
Entrada: gratuita
Classificação: livre
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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O Portal Splish Splash valoriza iniciativas que preservam a memória cultural e artística das comunidades, destacando manifestações populares que representam a identidade e a diversidade cultural dos territórios. A exposição “Clóvis: o rosto detrás da máscara” revela que, por detrás das fantasias e das máscaras, existem histórias, criadores e tradições que merecem ser conhecidas e preservadas.
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Redatora Permanente do blog luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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