Novo trabalho do artista berlinense mergulha no industrial, EBM e rock gótico
Das sombras mais profundas podem nascer novas razões para viver
William Bleak apresenta o seu novo álbum, Neon Goth, editado pela Breathing Records, um trabalho profundamente pessoal que nasce da dor, da perda e da procura de sentido num mundo cada vez mais difícil de compreender.
Segundo o próprio artista:
"Neon Goth" estava inicialmente pensado como uma simples compilação de todos os singles lançados durante 2024. Contudo, a morte de um amigo levou-me a criar uma obra completa — algo verdadeiramente pessoal que expressasse os sentimentos, ideias e experiências que me conduziram até este momento. Existe uma narrativa oculta nas letras, uma história sobre a perda gradual de controlo e o abandono da própria humanidade. Talvez também já tenhas sentido isso — a sensação de não seres verdadeiramente humano, de nunca encontrares o teu lugar neste mundo, de sentires que o próprio mundo te quer afastar. No entanto, ao escrever a canção final, "BLACK AND BLUE", encontrei uma renovada vontade de viver. Depois de libertar toda esta dor e sofrimento, talvez exista uma nova paleta de emoções à espera de ser descoberta.
Com uma reputação construída através de atuações intensas e uma presença crescente na cena alternativa internacional, William Bleak tem partilhado palcos com nomes consagrados como She Past Away, Clan of Xymox e Traitrs, além de realizar concertos no México, Estados Unidos, Reino Unido e por toda a Europa.
Agora integrado na editora Breathing Records, o músico berlinense apresenta o seu álbum de estreia em formato LP, uma viagem visceral e abrasiva pelos territórios do industrial, EBM e do desespero gótico contemporâneo.
Das origens à reinvenção
O percurso de William Bleak começou em 2016, após o fim da sua anterior banda, I am the svn. Nos primeiros anos, explorou sonoridades inspiradas pelo surf rock e garage rock, participando em várias formações e sessões de improvisação.
Com o lançamento de Songs of Death, o seu primeiro álbum, começou a delinear uma identidade artística marcada pela melancolia e pela escuridão, embora ainda fortemente influenciada pelo rock alternativo e pelas sonoridades surf.
A mudança para Berlim revelou-se decisiva. Foi aí que recuperou as influências góticas da sua juventude e formou um novo trio com o qual gravou Viva Lost Love, um disco inspirado pelas atmosferas oníricas da série de videojogos Silent Hill. Apesar da evolução artística, o projeto não alcançou o sucesso desejado.
A transformação durante a pandemia
No verão de 2023, enquanto recuperava de uma infeção por COVID-19, William Bleak recebeu uma mensagem inesperada: o baixista e o baterista decidiram abandonar a banda devido à escassez de concertos.
Num dos momentos mais difíceis da sua carreira, encontrou inspiração na história da criação do álbum Floodland, da lendária banda The Sisters of Mercy. Comprou uma drum machine e reconstruiu completamente o seu som.
Dessa reinvenção nasceram vários singles, começando por "Es wid schon", seguidos por temas como "Crows and Ravens", que lhe proporcionaram o primeiro reconhecimento significativo na cena gótica internacional.
Ascensão internacional
Após uma intensa digressão DIY pelos Estados Unidos, William Bleak manteve um ritmo frenético de lançamentos, editando novos singles praticamente todos os meses.
Durante este período, abriu concertos para artistas e bandas de referência como Clan of Xymox e She Past Away, enquanto desenvolvia uma sonoridade mais agressiva e eletrónica.
O início de 2025 trouxe uma nova evolução artística com os singles "Blood Red" e "Beat and Bleed", aproximando-se do EBM e do industrial. Temas como "Delirium" e "Never Feel" acrescentaram ainda elementos de punk, rock gótico e influências subtis da cena japonesa Visual Kei.
A sua reputação enquanto performer explosivo e imprevisível continuou a crescer, destacando-se atuações ao lado dos Ductape, participações no Infest Festival e no NCN Festival, bem como um concerto de abertura para She Past Away perante cerca de 1.300 espectadores.
O nascimento de "Neon Goth"
No verão de 2025, a morte de um amigo próximo e antigo colega de banda num acidente de mota teve um impacto devastador na vida de William Bleak.
Consumido pelo luto e pela necessidade de criar algo duradouro, isolou-se temporariamente e dedicou-se à composição de Neon Goth.
O álbum reflete esse período sombrio, apresentando uma abordagem pessimista e emocionalmente intensa, influenciada por nomes como Nine Inch Nails, Killing Joke e pelo metal industrial dos anos 2000.
Apesar do desgaste físico e emocional, continuou a atuar ao vivo, incluindo concertos de abertura para Rosegarden Funeral Party e uma série de atuações internacionais, entre as quais a sua estreia em França, no festival Setmana Santa, em Toulouse.
O apoio da Breathing Records
Exausto após anos de luta independente, William Bleak decidiu, pela primeira vez, procurar apoio externo.
A Breathing Records reconheceu o potencial de Neon Goth e assinou contrato com o artista a 6 de janeiro de 2026.
O resultado dessa parceria já pode ser ouvido: Neon Goth encontra-se disponível nas principais plataformas digitais.
As influências musicais de William Bleak refletem um percurso singular. Da parte materna herdou o contacto com a música clássica e a ópera; da parte paterna, o pós-punk e o hardcore.
Ao longo dos anos desenvolveu competências em guitarra, baixo, sintetizadores, bateria, produção e mistura musical, tendo lançado projetos sob diversas identidades artísticas, incluindo Saint Ark, Dear Envy, Weekend Dad, I am the svn e STereochan.
Entre as suas principais referências encontram-se bandas japonesas da cena Visual Kei como Dir en grey e MUCC, projetos eletrónicos como Crystal Castles, Death Grips e HEALTH, bem como grupos de rock alternativo como Type O Negative.
A sua ligação à cultura gótica é antiga, tendo crescido a ouvir bandas como Killing Joke, The Cure e Siouxsie and the Banshees.
Vida pessoal
Grande parte da obra de William Bleak nasce das suas dificuldades em lidar com a sociedade contemporânea, das relações afetivas turbulentas e dos desafios emocionais que atravessou ao longo dos anos.
Atualmente reside em Berlim, cidade onde continua a desenvolver a sua visão artística sem compromissos, transformando experiências pessoais em música intensa, honesta e profundamente emocional.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
"Neon Goth" é mais do que um álbum de estreia. É um documento emocional que transforma a perda, a frustração e a vulnerabilidade numa poderosa declaração artística. William Bleak surge como uma das vozes emergentes mais autênticas da nova geração gótica europeia, combinando intensidade emocional, identidade sonora e uma impressionante capacidade de reinvenção.
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Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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