Abelhas, Arte e Futuro em PRO-POLIS

Ricardo Siri posa ao lado de obras da exposição PRO-POLIS no Museu Histórico da Cidade, unindo arte contemporânea, abelhas e sustentabilidade.

Ricardo Siri transforma mel, cera e própolis em obras que unem natureza, tecnologia e reflexão social


A arte nasce da natureza e devolve significado ao mundo

"Cada colmeia guarda uma arquitetura de inteligência coletiva."
Alba Fraga Bittencourt

O diálogo entre arte e meio ambiente ganha uma nova dimensão no Rio de Janeiro com a exposição inédita PRO-POLIS, do artista transdisciplinar Ricardo Siri. Em cartaz no Museu Histórico da Cidade, na Gávea, a mostra apresenta cerca de 20 obras que utilizam mel, cera de abelha, própolis e geoprópolis como matéria-prima para construir narrativas visuais que conectam natureza, sociedade e cultura.

Resultado de uma pesquisa iniciada há aproximadamente oito anos, quando Siri passou a estudar e criar abelhas nativas brasileiras, a exposição reflete uma trajetória singular que une arte, ciência e sustentabilidade. Reconhecido inclusive pela qualidade de sua produção apícola, o artista transforma elementos produzidos pelas abelhas em pinturas, esculturas e instalações que convidam o público a refletir sobre cooperação, proteção, memória e transformação.

Com curadoria de Fernanda Lopes, PRO-POLIS propõe uma experiência que ultrapassa a simples contemplação estética. A própolis, tradicionalmente associada à defesa e imunização das colmeias, converte-se em matéria pictórica, revelando texturas, transparências e tonalidades naturais que carregam vestígios de paisagens, vegetações e ciclos ecológicos.

A geometria das abelhas também ocupa papel central na exposição. Em trabalhos inspirados pelo Movimento Neoconcreto, Siri utiliza folhas de cera moldadas em estruturas hexagonais que dialogam com conceitos matemáticos e arquitetônicos. A influência de mestres da arte moderna, como Piet Mondrian, surge reinterpretada em obras produzidas exclusivamente com materiais provenientes das colmeias, sem o uso de pigmentos artificiais.

A inovação tecnológica amplia ainda mais a experiência do visitante. QR codes construídos com cera de abelha podem ser lidos por celulares e conduzem o público para dentro das colmeias, revelando informações sobre a vida das espécies responsáveis pela produção daquele material. Em outras obras, imagens ocultas surgem apenas quando fotografadas, criando uma interação que transforma o ato de observar em descoberta.

A mostra também presta homenagem às abelhas estrangeiras presentes no Brasil e às histórias de migração que ajudaram a construir o país. Mapas-múndi confeccionados com cera dessas espécies estabelecem paralelos entre deslocamentos humanos e naturais, reforçando uma visão ampla sobre convivência, diversidade e pertencimento.

Mais do que uma exposição, PRO-POLIS apresenta uma reflexão contemporânea sobre a relação entre seres vivos, território e criação artística. Ao transformar materiais orgânicos em linguagem estética, Ricardo Siri propõe um olhar atento para os processos invisíveis que sustentam a vida e inspiram novas formas de pensar o futuro.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
PRO-POLIS destaca-se por apresentar uma abordagem artística inovadora que une sustentabilidade, tecnologia e consciência ambiental. Ao transformar elementos produzidos pelas abelhas em linguagem visual, Ricardo Siri amplia o debate sobre preservação, convivência ecológica e inteligência coletiva, reafirmando o papel da arte como instrumento de reflexão e transformação social.
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