Pacto Global reforça liderança sustentável do Brasil

Relatório Ambição 2030 mostra crescimento da sustentabilidade empresarial no Brasil, com impacto em 2 milhões de trabalhadores e novas metas ESG.
 Ilustração sobre sustentabilidade corporativa, ESG, energia limpa, inclusão social e metas ambientais do Pacto Global da ONU no Brasil.

Relatório Ambição 2030 revela avanços ESG e metas ampliadas para a próxima década


Sustentabilidade deixou de ser promessa e tornou-se compromisso mensurável


O Brasil reforçou a sua posição de destaque no panorama internacional da sustentabilidade corporativa com a divulgação dos resultados do Relatório Ambição 2030, apresentado durante o 4.º Fórum Ambição 2030, realizado em São Paulo. O documento, referente ao ciclo de 2025, revela que as iniciativas promovidas pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil já impactam diretamente mais de dois milhões de trabalhadores, demonstrando a crescente capacidade do setor empresarial nacional para impulsionar mudanças concretas em áreas estratégicas como clima, biodiversidade, transição energética, integridade, direitos humanos e trabalho.

Os números evidenciam uma expansão consistente da adesão empresarial. Até ao final de 2025, 389 organizações brasileiras encontravam-se formalmente comprometidas com a agenda de sustentabilidade das Nações Unidas, representando um crescimento de 11% face ao ano anterior. A rede acumula ainda 751 cartas de compromisso assinadas e mais de duas mil metas públicas declaradas, num contexto em que a avaliação das empresas participantes atingiu uma média de 9,1 numa escala de zero a dez.

Para Guilherme Xavier, Diretor-Executivo do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, os resultados demonstram uma evolução significativa da maturidade empresarial. Segundo o responsável, as empresas passaram da fase das intenções para um estágio de monitorização contínua e gestão baseada em dados fiáveis, servindo inclusive de inspiração para outras redes internacionais da iniciativa.

Entre as novidades para 2026 destaca-se a transformação do Movimento Impacto Amazónia no novo Movimento Impacto Biomas. A iniciativa amplia o seu alcance para todos os biomas brasileiros, refletindo a urgência das questões climáticas e a proximidade da COP30. O objetivo passa por integrar a conservação dos ecossistemas naturais nas estratégias de negócio das organizações, numa abordagem mais abrangente e alinhada com os desafios ambientais contemporâneos.

Também na área climática, o Movimento Ambição Net Zero consolidou-se como uma das principais iniciativas da rede. Com 129 empresas participantes, a plataforma contabiliza uma redução acumulada de 87,35 milhões de toneladas de carbono nos últimos quatro anos. Paralelamente, a maioria das empresas aderentes já realiza inventários completos de emissões nos Escopos 1, 2 e 3, demonstrando um elevado grau de compromisso com a descarbonização.

Os avanços ambientais estendem-se ainda à gestão da água e dos resíduos. O Movimento + Água alcançou 88% da meta relacionada com o acesso à água potável, enquanto o Movimento Conexão Circular registou 77% de progresso na valorização de resíduos sólidos. A inovação também marcou presença através de projetos como o ReInova e a Moeda Circular, apresentados em contexto internacional como exemplos de soluções alinhadas com os princípios da economia circular.

Na dimensão social, os resultados revelam progressos expressivos em matéria de diversidade, equidade e inclusão. O Movimento Elas Lideram 2030 tornou-se a maior iniciativa da Rede Brasil, reunindo 145 empresas signatárias. A meta inicial de alcançar 30% de mulheres em cargos de alta liderança foi amplamente superada, atingindo uma média de 42%. O sucesso levou à definição de um novo objetivo: alcançar 50% de liderança feminina até 2030, incorporando também critérios de raça, deficiência e orientação sexual.

O Movimento Raça é Prioridade apresentou igualmente indicadores positivos, registando uma média de 23,6% de pessoas negras e indígenas em posições de alta liderança. A nova fase da iniciativa passa agora a incluir exigências de diversidade na cadeia de fornecedores e a integrar as diretrizes do recém-criado ODS 18 para a Igualdade Étnico-Racial.

A preocupação com o bem-estar dos trabalhadores também ganhou relevância. O Movimento Mente em Foco acompanha as atualizações da legislação brasileira relativas aos riscos psicossociais no ambiente laboral, reforçando a importância de ambientes de trabalho saudáveis. Já o Movimento Educa 2030 destacou-se pelo elevado envolvimento das empresas, com 96% das participantes a monitorizarem ativamente as suas metas de educação e inclusão produtiva.

Apesar dos progressos registados, o relatório identifica desafios importantes. O envolvimento da cadeia de valor continua a ser apontado como o principal obstáculo por 26% das organizações, seguido pelas limitações orçamentais. Estas dificuldades refletem-se, por exemplo, na implementação do conceito de salário digno e na disseminação de práticas anticorrupção junto de fornecedores e parceiros.

Atualmente, apenas 23% das empresas garantem o pagamento de salário digno aos seus trabalhadores próprios, enquanto os dados relativos aos colaboradores terceirizados continuam insuficientemente monitorizados. Da mesma forma, apenas 3% das organizações conseguiram formar integralmente a sua cadeia de valor em matérias de integridade e combate à corrupção.

Segundo Mónica Gregori, Diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, os resultados confirmam o potencial brasileiro para liderar transformações estruturais de longo prazo. Para a responsável, o desafio atual passa por acelerar a implementação prática das metas e ampliar o impacto positivo das ações desenvolvidas pelas empresas.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Os resultados apresentados pelo Relatório Ambição 2030 demonstram que a sustentabilidade corporativa está a evoluir de uma lógica de compromisso institucional para uma cultura de resultados concretos e mensuráveis. O protagonismo crescente do Brasil nesta agenda evidencia como a articulação entre empresas, inovação e responsabilidade social pode gerar impactos significativos à escala nacional e internacional. Mais do que cumprir metas, o desafio agora consiste em transformar boas práticas em mudanças estruturais duradoura
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