Trabalho afasta brasileiros dos consultórios

Estudo mostra que a rotina de trabalho é hoje o principal motivo que afasta brasileiros de consultas médicas e exames preventivos.
Cartazes exibem estatísticas sobre brasileiros que deixam de ir ao médico por causa da rotina de trabalho

Rotina profissional pesa mais que custo e burocracia na hora de cuidar da saúde


A correria do trabalho está empurrando a saúde para depois

Em meio a jornadas longas, metas apertadas e uma rotina cada vez mais acelerada, cuidar da própria saúde continua sendo um desafio para boa parte dos brasileiros. Um novo levantamento realizado pelo Olá Doutor, plataforma de consultas médicas via chat, revela que o principal obstáculo para manter consultas e exames em dia não é o preço do atendimento nem a burocracia do sistema de saúde, mas sim a rotina de trabalho.

Segundo o estudo, cerca de 50% dos entrevistados apontaram as demandas profissionais como o maior impeditivo para buscar atendimento médico regularmente ao longo do último ano. Entre os fatores mais citados estão os horários inflexíveis, o excesso de tarefas e a dificuldade de conseguir liberação no expediente para comparecer a consultas e exames.

O dado ajuda a explicar outro resultado preocupante da pesquisa: 2 em cada 5 brasileiros afirmaram que foram menos ao médico do que deveriam nos últimos 12 meses. Em muitos casos, a falta de tempo fez com que pacientes recorressem à internet, ao Google e até a ferramentas de inteligência artificial para esclarecer dúvidas relacionadas à saúde.

O cenário reflete diretamente a realidade do mercado de trabalho brasileiro. Atualmente, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego mencionados na pesquisa, cerca de 30 milhões de brasileiros cumprem jornadas de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias de trabalho. Outros 20 milhões trabalham seis dias por semana, com cargas horárias de 44 horas ou mais, o que reduz drasticamente a flexibilidade para encaixar cuidados médicos na rotina.

A pesquisa mostra, porém, que o problema vai além da falta de tempo. A própria experiência dentro dos consultórios também influencia a decisão de muitos pacientes em adiar ou evitar consultas médicas. Entre os entrevistados, 5 em cada 10 disseram que a falta de empatia e de escuta ativa por parte dos profissionais é um fator que desestimula o acompanhamento regular da saúde.

Além disso, 42,8% reclamaram da pressa durante as consultas, enquanto 37,4% citaram atrasos excessivos no atendimento. Outros participantes mencionaram orientações pouco claras e a sensação de que seus sintomas foram minimizados pelos médicos.

Esse conjunto de experiências ajuda a explicar por que tantas pessoas passaram a buscar respostas fora do atendimento tradicional. O levantamento aponta que 53,2% dos participantes recorreram à internet para tirar dúvidas sobre saúde no último ano, enquanto 45,8% utilizaram ferramentas de inteligência artificial para obter informações sobre sintomas, tratamentos e funcionamento do organismo.

Para Anderson Zilli, CEO do Olá Doutor, o cuidado com a saúde não deveria ser tratado como algo secundário diante das obrigações profissionais. Segundo ele, embora o trabalho faça parte da rotina e das responsabilidades diárias, o acompanhamento médico também precisa ser encarado como prioridade.

Com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do acesso facilitado ao atendimento, a empresa promoverá no começo de maio uma campanha presencial na linha 11-Coral da CPTM, em São Paulo. A ação pretende mostrar, na prática, como consultas online podem tornar o atendimento mais rápido, acessível e menos burocrático, inclusive durante o deslocamento diário para o trabalho.

Durante o evento FUTR Health, realizado recentemente pelo Olá Doutor, o médico Jairo Bauer também destacou a importância de um atendimento mais humano e atento. Segundo ele, independentemente de a consulta acontecer de forma presencial ou digital, o paciente precisa sentir que está sendo realmente ouvido e compreendido.

O estudo ouviu 500 adultos maiores de 18 anos, residentes em todas as regiões do Brasil e conectados à internet. A pesquisa teve índice de confiabilidade de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
A pesquisa evidencia uma contradição cada vez mais presente na sociedade contemporânea: enquanto a produtividade profissional ocupa espaço central na vida das pessoas, os cuidados básicos com a saúde acabam por ser deixados para segundo plano. O levantamento também reforça a necessidade de relações mais humanas no atendimento médico e aponta como a tecnologia, incluindo a telemedicina e a inteligência artificial, está a ocupar um espaço crescente na busca por informação e acolhimento. O desafio, daqui para frente, será equilibrar praticidade, confiança e qualidade no cuidado com o paciente..
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