Fassbinder regressa ao palco da liberdade - CCB 6 e 7/6

Espetáculo da SillySeason no Festival Temps d’Images revisita Fassbinder e celebra a liberdade artística e afetiva no CCB.
Ilustração artística do espetáculo O Direito do Mais Fraco à Liberdade no Festival Temps d’Images no CCB

SillySeason celebra 50 anos de resistência artística e afetiva no CCB


A liberdade nunca foi confortável para os sistemas que vivem do controlo


O Festival Temps d’Images recebe no Centro Cultural de Belém o espetáculo O Direito do Mais Fraco à Liberdade – Temporada de Asneiras, uma criação do coletivo SillySeason que revisita o universo provocador de Rainer Werner Fassbinder para refletir sobre os mecanismos de poder, exclusão e emancipação.

Com sessões marcadas para os dias 6 e 7 de junho, no Pequeno Auditório do CCB, a produção assume-se como um laboratório artístico onde fronteiras criativas e hierarquias tradicionais são permanentemente questionadas. Inspirado na ousadia estética e política do cineasta alemão, o coletivo constrói uma experiência cénica que mistura funções, linguagens e identidades, recusando modelos paternalistas e estruturas rígidas de autoridade.

Estamos em 1974, num tempo de ruturas e reinvenções. Fassbinder prepara-se para filmar mais uma obra, rodeado por um universo caótico e intenso onde atores, encenadores, argumentistas e produtores se confundem numa mesma pulsão criativa. É precisamente essa energia disruptiva que a SillySeason recupera agora em palco, transformando o espetáculo numa celebração dos 50 anos de um dos mais importantes gritos históricos pelo direito fundamental ao amor.

A direção e criação pertencem ao coletivo SillySeason, formado por Cátia Tomé, Ivo Saraiva e Silva e Ricardo Teixeira, que dividem igualmente a interpretação com Duarte Melo, Rafael Carvalho e Soraia Chaves. O espetáculo conta ainda com a participação de artistas convidados como Inti Villamil, Jéssica Gomes, Pedro Godinho e Sérgio Rodrigues.

A componente visual e técnica reforça a dimensão cinematográfica da encenação, com vídeo de Ricardo Branco, iluminação de Tiago Coelho e música de Ricardo Remédio. A produção resulta de uma ampla rede de coproduções, residências artísticas e apoios culturais, evidenciando o trabalho coletivo como motor central da criação contemporânea portuguesa.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Entre o cinema político de Fassbinder e a linguagem inquieta da SillySeason, este espetáculo surge como uma declaração artística sobre o direito à diferença, ao amor e à liberdade. Num tempo marcado por novos extremismos e intolerâncias, revisitar estas inquietações em palco é também recordar que a cultura continua a ser um espaço essencial de resistência e pensamento crítico.
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