Rapoport transforma música em arte visual

Exposição no Centro Cultural Correios RJ destaca a arte poética e contemporânea de Alexandre Rapoport em diálogo com música e movimento.
Obras coloridas e geométricas de Alexandre Rapoport expostas no Centro Cultural Correios RJ durante a mostra A Música de Rapoport – Harmonia dos Traços

Exposição no C. C. Correios RJ revela a força poética e contemporânea de Alexandre Rapoport


A exposição reafirma a atualidade de um artista que transformou geometria em poesia

A exposição A Música de Rapoport – Harmonia dos Traços ocupa o espaço do Centro Cultural Correios RJ com uma seleção marcante da produção de Alexandre Rapoport, artista que atravessou gerações mantendo viva uma linguagem singular e profundamente sensível. Reunindo cerca de 40 obras entre gravuras, desenhos, pinturas, esculturas e técnicas mistas, a mostra apresenta ao público um panorama expressivo da trajetória do artista plástico carioca, reafirmando sua relevância dentro da arte contemporânea brasileira.

Mais do que uma retrospectiva, a exposição propõe uma experiência sensorial na qual som, ritmo e imagem dialogam de maneira intensa. O eixo conceitual da mostra parte da influência invisível da música sobre o corpo, o movimento e o espaço. Nas obras de Rapoport, a sonoridade abandona o campo abstrato para ganhar materialidade em linhas pulsantes, formas orgânicas e volumes que parecem vibrar diante do olhar do visitante.

As figuras humanas presentes em grande parte de sua produção surgem frequentemente multiplicadas, infladas ou fragmentadas, criando composições que evocam movimento contínuo, emoção e energia. A repetição visual funciona como uma espécie de partitura plástica, enquanto a geometria, marca constante de sua obra, é suavizada pela delicadeza poética de cores e traços. O resultado é um universo artístico lúdico, luminoso e carregado de humanidade.

Alexandre Rapoport construiu uma trajetória artística rara pela coerência estética e pela capacidade de renovação. Nascido no Rio de Janeiro em 1929, iniciou-se na pintura de forma autodidata antes mesmo de ingressar na antiga Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Paralelamente à arquitetura, aprofundou seus estudos em desenho e gravura na Escola Nacional de Belas Artes, passando desde cedo a participar de importantes exposições coletivas no cenário cultural brasileiro.

Seu contato com a obra de Candido Portinari, em 1949, deixou marcas perceptíveis em sua formação artística. Nos anos seguintes, recebeu premiações importantes em salões nacionais de arte, consolidando-se como um dos nomes expressivos da produção visual brasileira do período. Além da pintura, também atuou no campo do desenho industrial e da arquitetura de interiores, fundando a Módulo Arquitetura de Interiores, onde desenvolveu mobiliário e objetos com identidade estética própria.

A força de sua obra ultrapassou fronteiras. Trabalhos de Rapoport integram coleções particulares e instituições em cidades como Roma, Paris, Londres, Nova York, Tóquio, Jerusalém e Viena, além de espaços ligados ao Banco do Brasil em diversos países. Sua produção também recebeu atenção de importantes críticos de arte ao longo das décadas.

O crítico Walmir Ayala destacou, ainda nos anos 1970, a capacidade do artista de recriar o espaço através de uma tridimensionalidade ilusória marcada pela espontaneidade e pela inteligência visual. Já Flávio de Aquino definiu sua obra como a representação de um mundo organizado pela geometria e suavizado pela poesia — talvez uma das sínteses mais precisas sobre a essência criativa de Rapoport. Em análise posterior, Carlos Perktold ressaltou o forte humanismo presente em suas figuras humanas, apontando essa característica como um diferencial raro na arte contemporânea globalizada.

Com curadoria e produção de Beatriz Rapoport, a exposição não apenas preserva a memória do artista, falecido em 2020, como também revela a permanência de sua linguagem artística em tempos atuais. Em uma era marcada pela velocidade e pelo excesso de estímulos visuais, suas obras continuam provocando contemplação, emoção e diálogo com o público.

A mostra permanece em cartaz até 27 de junho de 2026, com entrada gratuita, oferecendo ao visitante a oportunidade de mergulhar em um universo onde música e imagem se fundem em perfeita harmonia estética.

SERVIÇO:
Exposição: A Música de Rapoport – Harmonia dos Traços
Artista: Alexandre Rapoport
Curadoria e produção: Beatriz Rapoport
Local: Centro Cultural Correios RJ
Período: de 14 de maio a 27 de junho de 2026
Visitação: terça a sábado, das 12h às 19h
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Acessibilidade: espaço adaptado para pessoas com mobilidade reduzida
Assessoria de imprensa: Paula Ramagem
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
A obra de Alexandre Rapoport reafirma a capacidade da arte de traduzir emoções invisíveis em experiências visuais profundamente humanas. Em tempos de estímulos efêmeros, a sua produção permanece atual justamente por valorizar contemplação, sensibilidade e poesia estética, aproximando música e imagem numa linguagem universal.
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