Caso fatal em São Paulo reacende alerta sobre riscos e fiscalização
Nem toda transformação rápida vale o risco permanente
A morte de uma maquiadora de 48 anos após a realização de um procedimento estético em uma clínica em São Paulo trouxe novamente ao debate a segurança em intervenções estéticas. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a paciente havia passado por uma remodelação glútea e de coxas com aplicação de PMMA, com uso estimado de cerca de 300 ml da substância, e morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória no dia seguinte. Reportagens também apontam que ela teria realizado outro procedimento estético dias antes. Para a Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional São Paulo (SBD-RESP)*, o caso exige cautela e não permite, neste momento, estabelecer relação direta entre o procedimento, a substância utilizada e o desfecho, sem a conclusão da investigação e sem informações completas sobre o histórico de saúde, possíveis comorbidades, sequência de procedimentos e condições clínicas prévias da paciente. Ainda assim, a repercussão do caso reforça a necessidade de discutir critérios de segurança na realização dessas intervenções. “De forma geral, procedimentos estéticos devem ser realizados com indicação adequada, avaliação clínica prévia, escolha criteriosa dos materiais, definição segura das quantidades utilizadas, ambiente apropriado e preparo para reconhecer e manejar intercorrências”, diz a dermatologista Dra. Sylvia Ypiranga, diretora da SBD-RESP.
Em relação ao PMMA, ou polimetilmetacrilato, a SBD-RESP reforça posição contrária ao uso estético da substância e defende o endurecimento do controle sanitário e regulatório do produto junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Trata-se de um material sintético, definitivo e não absorvível pelo organismo, o que torna eventuais complicações de difícil manejo e, em alguns casos, persistentes”, destaca a diretora. Entre as complicações associadas ao PMMA estão nódulos, processos inflamatórios, infecções por micobactérias, granulomas e até insuficiência renal e risco de morte por hipercalcinose. “Mas essas complicações costumam ocorrer meses após a aplicação”, diz a dermatologista. “Quando a evolução é aguda, é necessário considerar diferentes possibilidades, incluindo intercorrências relacionadas à técnica, ao volume aplicado, a eventuais alterações na homeostase do organismo, embolia, necrose de tecido, compressões ou condições clínicas prévias”, pontua.
Outro ponto de atenção é o volume aplicado, pois grandes quantidades de qualquer substância injetável podem gerar impacto sistêmico e aumentar a complexidade do procedimento. “Quanto maior o volume utilizado, maior a necessidade de controle, monitoramento e estrutura adequada. Procedimentos de maior porte, especialmente com substâncias definitivas e em grandes volumes, não devem ser banalizados nem tratados como intervenções simples”, pontua a médica. A entidade reforça a importância da realização do procedimento em ambientes adequados, com estrutura, monitorização e suporte para emergências em casos de intercorrência, além de recomendar que sejam feitos por profissionais especializados e devidamente certificados. “Pela legislação atual, médicos regularmente inscritos no Conselho Regional de Medicina podem realizar procedimentos médicos. No entanto, a residência médica, seguida da obtenção do Registro de Qualificação de Especialista (RQE), proporciona treinamento técnico, experiência em manejo de complicações e desenvolvimento de pensamento crítico para indicar ou contraindicar procedimentos. Em muitos casos, a segurança está justamente em saber dizer não ou adiar uma intervenção quando há fatores que aumentam riscos, como condições clínicas não controladas, ausência de exames adequados, uso recente de determinados medicamentos ou realização de outros procedimentos nos dias anteriores”, destaca a médica.
Para os pacientes, a recomendação da SBD-RESP é sempre buscar informações antes de qualquer procedimento estético, desconfiar de promessas de transformação rápida, questionar a substância utilizada, o volume, os riscos, a reversibilidade do produto e a estrutura disponível para atendimento de emergências. Também é importante verificar se o profissional é médico, se está inscrito no CRM e se possui RQE na área relacionada ao procedimento. “Nenhum procedimento estético é isento de risco, mas eles podem e devem ser minimizados. Para isso, é necessário que os tratamentos sejam indicados com responsabilidade, realizados em ambiente adequado, com produtos seguros e por profissional habilitado e com formação adequada para o procedimento”, conclui a Dra. Sylvia Ypiranga.
*SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA – REGIONAL SÃO PAULO (SBD-RESP) - Fundada em 1970, a SBD-RESP é uma entidade médica criada para fomentar a pesquisa, o ensino e o aprimoramento científico da Dermatologia como especialidade médica. A SBD-RESP reúne todos os dermatologistas filiados e os serviços credenciados do Estado de São Paulo, que são constituídos por hospitais com cursos de especialização em Dermatologia (residência médica e/ou estágio) certificados pela SBD Nacional. Atualmente, a SBD-RESP reúne cerca de 4.000 associados e organiza uma série de eventos de ensino e de reciclagem. Entre eles: RESP em foco, Jornadas, COPID (Congresso Paulista de Interligas de Dermatologia), e a RADESP (Reunião Anual dos Dermatologistas do Estado de São Paulo). Instagram: @sbd_resp
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
A crescente popularização de procedimentos estéticos nas redes sociais tem ampliado a percepção de que intervenções invasivas seriam simples, rápidas e sem consequências graves. Casos como este reforçam a importância da informação responsável, da valorização da medicina especializada e da necessidade de fiscalização rigorosa para proteger vidas num setor cada vez mais pressionado por padrões estéticos imediatistas.
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Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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