Livro reúne memória, rebeldia e imaginação no surrealismo contemporâneo
Penelope Rosemont transforma memória em resistência criativa
O surrealismo nunca foi apenas uma escola estética. Sempre foi, antes de tudo, uma insurreição do espírito contra a rotina, o conformismo e as amarras da razão instrumental. É justamente esse espírito inquieto que pulsa em Por dentro dos campos magnéticos – surrealismo, situacionismo, contracultura, novo lançamento da Edições 100/cabeças previsto para março/abril de 2026.
Assinado pela poeta, artista visual e ensaísta Penelope Rosemont, o livro surge como uma travessia intensa por territórios onde poesia, desejo, revolta e imaginação caminham lado a lado. Mais do que uma reunião de ensaios e memórias, a obra apresenta um testemunho vivo de décadas de convivência com alguns dos nomes mais importantes do surrealismo e das vanguardas libertárias do século XX.
“[O surrealismo] permite que cada um de nós, seguindo nossos desejos em associação lúdica com os outros, nos tornemos livres e ajudemos a libertar o mundo por meio das maravilhas que revelamos juntos.” A frase presente no livro sintetiza a essência da autora: uma visão de mundo em que a criação artística não se separa da liberdade humana.
Ao longo das páginas, Penelope revisita encontros e experiências com figuras fundamentais como André Breton, Leonora Carrington, Man Ray, Guy Debord e tantos outros criadores que desafiaram as convenções artísticas e sociais do seu tempo. A autora também lança luz sobre os vínculos entre o surrealismo, o situacionismo e os movimentos contraculturais, mostrando como essas correntes continuam ecoando nas disputas culturais e políticas contemporâneas.
O livro ganha ainda mais relevância por revelar uma perspectiva profundamente humana do surrealismo. Em vez de tratar o movimento como objeto acadêmico distante, Penelope o apresenta como experiência cotidiana, afetiva e transformadora. Seus textos mostram que a poesia pode ser uma ferramenta concreta de emancipação e que a imaginação permanece como uma força revolucionária diante de um mundo marcado pela padronização e pelo esgotamento simbólico.
Fundadora, ao lado de Franklin Rosemont, do grupo surrealista de Chicago, Penelope Rosemont construiu uma trajetória marcada pela defesa da liberdade criativa e pela valorização das vozes femininas dentro do movimento surrealista internacional. Sua antologia Surrealist Women: An International Anthology tornou-se referência ao destacar a presença decisiva de mulheres artistas frequentemente apagadas da historiografia tradicional.
Em Por dentro dos campos magnéticos, essa dimensão libertária aparece de forma contundente. A autora transforma lembranças, reflexões e experiências em matéria poética e política, oferecendo ao leitor não apenas um panorama histórico, mas um chamado à reinvenção da vida através da arte, do amor e da insubordinação criativa.
Com 432 páginas, tradução de Elvio Fernandes e projeto gráfico de Guilherme Pacola, a publicação reafirma a proposta editorial da Edições 100/cabeças de apostar em obras que dialogam com pensamento crítico, experimentação estética e resistência cultural.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Em tempos de automatização das emoções e empobrecimento da imaginação coletiva, obras como Por dentro dos campos magnéticos reafirmam a importância da poesia como ato de liberdade. Penelope Rosemont recorda que o surrealismo permanece vivo não como nostalgia de vanguarda, mas como força necessária para confrontar a realidade e reinventar horizontes humanos possíveis.
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Redatora Permanente do blog luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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