Nascentes 2026 volta a inundar as Fontes

Festival Nascentes regressa às Fontes, Leiria, entre 1 e 5 de julho de 2026, com música internacional, arte comunitária e criação coletiva.
Cartaz oficial do festival Nascentes 2026 na aldeia das Fontes, Leiria, com programação internacional de música e criação comunitária

Festival regressa a Leiria com música, comunidade e criação coletiva entre 1 e 5 de julho


Cinco dias para escutar, criar e celebrar em comunidade

De 1 a 5 de julho, a aldeia das Fontes, em Leiria, volta a abrir caminhos para mais uma edição do Nascentes, um festival onde música, território e comunidade se entrelaçam de forma orgânica e profundamente humana. Mais do que um evento cultural, o Nascentes afirma-se como um espaço de encontro construído a várias mãos, onde cada gesto de acolhimento, cada porta aberta e cada palco improvisado ajudam a desenhar uma experiência coletiva marcada pela proximidade e pela partilha.

Ao longo de cinco dias, as casas, jardins, hortas e espaços comunitários da aldeia transformam-se em lugares de escuta, descoberta e criação artística. São os próprios habitantes das Fontes que acolhem grande parte da programação, reforçando o espírito colaborativo que distingue o festival desde a sua origem. Essa dimensão humana e comunitária torna-se uma das marcas mais fortes de um projeto cultural que cresce sem perder a intimidade nem a ligação ao território.

A programação de 2026 volta a reunir artistas de diferentes geografias e universos sonoros, propondo uma viagem entre tradição, improvisação, eletrónica, jazz, psicadelismo e música ritual. O Nascentes constrói assim uma experiência sensorial onde convivem momentos de contemplação, intensidade física e liberdade criativa.

Entre os concertos mais atmosféricos e intimistas, destacam-se os suecos e dinamarqueses BITOI, que exploram o diálogo entre baixo elétrico e vozes num equilíbrio subtil entre delicadeza e força emocional. Já a sul-coreana Dasom Baek propõe uma fusão entre instrumentos tradicionais coreanos e abordagens contemporâneas, criando paisagens sonoras onde memória e experimentação coexistem de forma sensível.

A energia mais rítmica e explosiva chega pelas mãos de Elektro Hafiz, que cruza heranças musicais turcas com psicadelismo e atitude punk, enquanto INDUS mergulha na eletrónica experimental alimentada por ritmos afro-caribenhos. Do Reino Unido chegam ainda os MADMADMAD, trazendo atuações intensas onde improvisação, tensão e catarse coletiva se fundem numa pulsação hipnótica.

A improvisação ocupa igualmente um lugar central nesta edição. Os portugueses PLAKA trabalham ritmos inspirados em tradições de várias partes do mundo através de estruturas sonoras em permanente mutação. Já os britânicos Vipertime levam o jazz para territórios explosivos onde groove, afrobeat, pós-punk e liberdade criativa se encontram num espetáculo de enorme intensidade ao vivo.

Nas atuações noturnas, os portugueses Sunflowers apresentam a sua descarga caótica de punk e distorção visceral. Também de Portugal, La Familia Gitana celebra as raízes e a identidade cigana através de uma forte dimensão festiva e coletiva. Os japoneses WaqWaq Kingdom atravessam múltiplos territórios sonoros entre tradição nipónica, eletrónica contemporânea e ritmos globais, enquanto os catalães ZA! fazem de cada concerto um exercício irrepetível de improvisação e energia desenfreada. Já o histórico Conjunto Contratempo traz às Fontes a vibração das coladeiras e de um funaná contagiante, mantendo viva a herança musical cabo-verdiana nascida no Cacém nos anos 80.

O espírito colaborativo do Nascentes estende-se também às residências artísticas, com o reencontro entre Carincur, João Pedro Fonseca e o Coro das Fontes, num trabalho construído entre vozes, memória e comunidade.

Para além dos concertos, o festival propõe diversas experiências de participação e descoberta pensadas para diferentes idades. Entre passeios sonoros conduzidos por Luís Antero, oficinas infantojuvenis, espaços de convívio, discos e petiscos, o Nascentes reforça a ideia de um lugar onde é possível parar, escutar e usufruir coletivamente do tempo e da criação artística.

Mais do que um cartaz musical, o Nascentes continua a afirmar-se como um território de resistência cultural e humana. Um espaço onde a fragilidade se transforma em força coletiva e onde o cuidado mútuo se assume como motor de criação, partilha e continuidade.

Entre 1 e 5 de julho, as Fontes voltam assim a receber um festival que cresce a partir das pessoas, da escuta e do encontro.

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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Num tempo marcado pela velocidade e pela dispersão, o Nascentes continua a destacar-se pela capacidade rara de criar proximidade verdadeira entre artistas, comunidade e público. Mais do que assistir a concertos, quem passa pelas Fontes participa numa experiência humana onde a cultura surge como espaço de encontro, resistência e construção coletiva. O festival reafirma também a importância dos territórios rurais como lugares vivos de criação contemporânea, mostrando que a descentralização cultural pode ser feita com autenticidade, identidade e profundo envolvimento comunitário.
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