Medo Imortal revive o terror clássico brasileiro

Podcast Medo Imortal adapta clássicos do terror brasileiro em 13 episódios com entrevistas, suspense e homenagem à literatura nacional.
Capa do podcast Medo Imortal com participantes do projeto reunidos em ambiente sombrio inspirado na literatura de terror brasileira

Podcast transforma contos históricos de horror em experiência sonora envolvente


Clássicos literários deixam as bibliotecas acadêmicas para alcançar o grande público

O universo sombrio da literatura brasileira ganha uma nova dimensão com o lançamento do podcast “Medo Imortal”, produção que estreia nesta sexta-feira (8), na Livraria Edera, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Inspirado no livro homônimo organizado por Romeu Martins e publicado pela DarkSide Books, o projeto reúne 13 episódios dedicados a clássicos do terror nacional, combinando dramatizações literárias e entrevistas com especialistas.

Com episódios entre 30 e 60 minutos, a série pretende ampliar o acesso a obras que marcaram a tradição do horror brasileiro, mas que muitas vezes permanecem restritas ao ambiente acadêmico ou a leitores mais especializados. A proposta é aproximar o público contemporâneo de narrativas inquietantes escritas por autores históricos ligados à Academia Brasileira de Letras, revelando como o medo sempre esteve presente na literatura nacional.

O primeiro episódio será disponibilizado no próprio dia do lançamento, enquanto os demais serão publicados duas vezes por semana — sempre às segundas e quintas-feiras — nas principais plataformas de áudio. A expectativa dos realizadores é transformar o podcast em uma ponte entre o passado literário e as novas formas de consumo cultural.

Entre os textos escolhidos para adaptação estão obras emblemáticas como “A Causa Secreta”, de Machado de Assis, além de “Os Porcos” e “A Alma das Flores”, de Julia Lopes de Almeida. Também integram a seleção os perturbadores “O Bebê de Tarlatana Rosa” e “Dentro da Noite”, de João do Rio, histórias que ajudaram a consolidar o imaginário sombrio da literatura brasileira.

Um dos pontos mais relevantes do projeto é a valorização da escritora Julia Lopes de Almeida, autora fundamental da literatura nacional e frequentemente negligenciada pela historiografia oficial. Apesar de ter participado da criação da Academia Brasileira de Letras, Julia foi impedida de ocupar uma cadeira na instituição por ser mulher — um reflexo das limitações sociais da época.

Segundo Romeu Martins, organizador da coletânea “Medo Imortal”, a presença da autora no podcast representa também um gesto de reparação histórica. Para ele, recuperar a relevância de Julia Lopes de Almeida é fundamental para compreender a verdadeira dimensão da literatura brasileira de horror e suspense.

O clima de mistério ultrapassou os próprios textos durante a produção do podcast. Em uma das sessões de leitura, uma tempestade provocou queda de energia, obrigando a equipe a continuar o trabalho à luz de velas. A experiência, segundo os realizadores, intensificou ainda mais a atmosfera sombria das narrativas e acabou se tornando parte da memória afetiva do projeto.

Produzido pela Desterro Filmes, com apoio do No Sleep Coffee e da Livraria Edera, o podcast foi viabilizado por meio da Lei Aldir Blanc, através da Fundação Catarinense de Cultura, Governo de Santa Catarina, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Mas os criadores pretendem ir além do áudio. O podcast surge como mais uma etapa de expansão do universo “Medo Imortal”, que nasceu como livro e agora avança para o formato sonoro. A equipe já trabalha na possibilidade de transformar os contos em uma futura série audiovisual.

De acordo com Mariana Thomé, editora do podcast, o objetivo atual é consolidar a produção e fortalecer o projeto junto ao público para viabilizar novas adaptações no futuro. A ambição é fazer do terror literário brasileiro uma experiência multimídia capaz de alcançar públicos ainda maiores.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
“Medo Imortal” reforça a importância de revisitar autores brasileiros que ajudaram a construir o imaginário do horror nacional muito antes da popularização do género no audiovisual contemporâneo. Ao transformar contos clássicos em experiência sonora, o projeto aproxima novas gerações de obras históricas e devolve protagonismo a escritores frequentemente esquecidos, especialmente Julia Lopes de Almeida, cuja relevância literária ainda carece do reconhecimento merecido.
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