Dança do Universo: som, corpo e cidade

Felipe Antunes lança Dança do Universo, álbum que une música, poesia e reflexão sobre tempo, cidade e coletividade em experiência sensorial.
Capa do álbum Dança do Universo de Felipe Antunes com estética artística contemporânea

Álbum de Felipe Antunes propõe experiência sensorial entre afeto, tempo e coletividade


A música como travessia sensorial


O cantor e compositor Felipe Antunes apresenta Dança do Universo, um trabalho que consolida e amplia seu percurso autoral ao propor uma experiência sensorial sobre conexão, tempo e coletividade. Mais do que um conjunto de faixas, o disco se organiza como uma narrativa viva, que investiga as relações humanas a partir do encontro entre corpo e cidade.


Segundo o artista, “Dança do Universo nasce do desejo de transformar vivências em canção e comunicação. O disco parte de afetos, encontros e cruzamentos do cotidiano, em diálogo com a MPB e o samba, para falar de coletividade, tempo e resistência.” A proposta é clara: menos distanciamento, mais identificação — um convite à escuta compartilhada.

Ao longo do álbum, Felipe desloca o foco das experiências íntimas para um campo coletivo, onde trajetórias individuais se entrelaçam numa espécie de coreografia afetiva. Faixas como “Pode Apostar”, a faixa-título e “Quem Tem Vida” conduzem essa jornada.

Sobre esta última, o artista explica: “‘Quem Tem Vida’ é sobre liberdade. Mais que isso, fala da oportunidade de viver e deixar viver. É um protesto pela vida e uma homenagem a quem cuida dela.”

O disco se estrutura como uma travessia sensorial e política. A abertura com “Retalhos” estabelece a metáfora central ao relacionar fases da lua às oscilações emocionais e à vida urbana. “Pode Apostar” transforma o fim em recomeço, enquanto “Dança do Universo” mergulha numa atmosfera contemplativa, quase cósmica. Já “São” resgata o sentido coletivo diante da individualização contemporânea.

Assista ao visualizer “Dança do Universo”
Assista ao clipe “Pode Apostar”

A dimensão filosófica se aprofunda em “O Tempo Uma Espiral”, inspirada na ideia de tempo não linear popularizada por Leda Maria Martins. Em “Todo Corpo Vivo”, surgem tensões sociais e desigualdades estruturais. Já na reta final, o álbum ganha contornos mais íntimos: “Eu Me Vingo da Tristeza”, inspirada em Oswaldo de Camargo, transforma dor em celebração, enquanto “Di Dia Ó Di Noti / De Dia, De Noite” conecta Brasil e Guiné-Bissau numa canção de amor atravessada por história e linguagem. O encerramento com “Mente” retoma o tempo sob uma ótica introspectiva e curativa.

O lançamento marca mais um capítulo na trajetória multifacetada de Felipe Antunes, que transita entre música, literatura e artes performáticas. Recentemente, assinou a direção musical da peça Lia Lia, com Bete Coelho e Camila Pitanga, dramaturgia de Caetano W. Galindo e direção de Gabriel Fernandes.

Antes da carreira solo, o artista ganhou destaque com a banda Vitrola Sintética, indicada três vezes ao Latin Grammy. Também desenvolveu trilhas para teatro e projetos interdisciplinares, como Visão Noturna, ao lado de Nástio Mosquito.

Na discografia, o álbum anterior Embarcação usava o mar como metáfora existencial. Já Dança do Universo desloca esse olhar para o espaço urbano e para os encontros que moldam a coletividade, propondo uma viagem sensorial onde corpo, cidade e movimento são protagonistas.

Realizado com apoio do ProAC/PNAB, o álbum já está disponível nas plataformas digitais.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Felipe Antunes reafirma sua identidade artística ao unir música, poesia e pensamento crítico em um álbum que dialoga com o presente sem abrir mão da sensibilidade.
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