Queda de temperatura e vírus respiratórios elevam internações pediátricas
Crianças pequenas sofrem mais com o clima seco e as infecções respiratórias
Com a chegada do Outono e do Inverno, a combinação entre temperaturas mais baixas, ar seco e permanência prolongada em ambientes fechados cria um cenário preocupante para a saúde infantil. O aumento da circulação de vírus respiratórios nesta época do ano favorece o surgimento de crises respiratórias em crianças, muitas delas exigindo atendimento hospitalar e, em casos mais graves, internação em unidades de terapia intensiva pediátrica.
Segundo dados da Fiocruz, o vírus sincicial respiratório (VSR) continua sendo a principal causa de internações e óbitos em crianças menores de dois anos. Entre os quadros mais comuns estão bronquiolite, pneumonia e outras infecções respiratórias graves, sendo a bronquiolite responsável por quase metade das internações pediátricas relacionadas ao período sazonal.
A pediatra intensivista do Hospital Ribeirania e gerente da vigilância epidemiológica da Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto, Dra. Viviane Balbão, alerta que os sinais de agravamento respiratório nas crianças exigem atenção imediata dos responsáveis. Respiração acelerada, chiado no peito, dificuldade para falar, mamar ou engolir, além de sonolência excessiva, são sintomas importantes. A alteração na coloração da pele, especialmente lábios e extremidades arroxeadas, associada à febre e piora respiratória, representa um sinal de alerta ainda mais grave.
A especialista explica que os casos evoluem para quadros severos quando ocorre comprometimento da troca gasosa, dificultando a entrada de oxigênio e a eliminação do gás carbônico. Esse processo pode levar à fadiga respiratória, falência pulmonar e até infecções sistêmicas graves, como sepse e choque séptico.
Entre os principais fatores de risco para agravamento estão crianças menores de dois anos, prematuros, pacientes com doenças pulmonares crônicas, cardiopatias congênitas, imunodeficiências, asma, vacinação incompleta e diagnósticos tardios. Quando a insuficiência respiratória se instala, pode ser necessário o uso de oxigenioterapia de alto fluxo, ventilação não invasiva ou até mesmo ventilação mecânica invasiva com intubação.
O tratamento varia conforme a gravidade do quadro clínico. Casos leves geralmente recebem suporte clínico com hidratação, lavagem nasal com soro fisiológico, controle da febre e acompanhamento dos sintomas. Já os quadros mais graves podem exigir desde cateter nasal e máscaras de oxigênio até aparelhos de ventilação avançada e monitorização contínua em UTI pediátrica.
A vacinação infantil segue sendo uma das principais ferramentas de prevenção contra pneumonias, influenza, COVID-19 e outras infecções respiratórias severas. Além disso, especialistas reforçam a importância da higienização frequente das mãos, ambientes ventilados, evitar exposição à fumaça de cigarro, incentivar a hidratação e manter acompanhamento regular com o pediatra, sobretudo em crianças com doenças crônicas.
Outro ponto destacado pela Dra. Viviane Balbão é o perigo da automedicação. Segundo ela, medicamentos jamais devem ser administrados sem orientação médica, já que a avaliação clínica adequada é indispensável para definir o tratamento correto e evitar complicações.
Diante do aumento da demanda por cuidados intensivos pediátricos, o Hospital Ribeirania anunciou a modernização da sua estrutura de assistência infantil. A nova UTI pediátrica contará com oito leitos, incluindo um quarto de isolamento, além de equipamentos modernos como ventiladores mecânicos pediátricos, monitores multiparamétricos e recursos avançados de suporte intensivo.
A enfermeira intensivista e coordenadora da UTI pediátrica, Marilia Ciaco Munzlinger, destaca que a mudança busca ampliar a qualidade da assistência oferecida às crianças e proporcionar mais conforto às famílias e melhores condições de trabalho às equipes multiprofissionais.
A nova estrutura também fortalecerá o suporte a pacientes submetidos a cirurgias cardíacas, neurológicas, ortopédicas e procedimentos gerais infantis, consolidando uma assistência intensiva mais moderna, segura e especializada.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
A chegada do frio reacende um alerta que vai além do desconforto das baixas temperaturas. O aumento expressivo das doenças respiratórias infantis revela a importância da prevenção, da vacinação e do acesso rápido a estruturas hospitalares preparadas. Em tempos em que os vírus respiratórios continuam pressionando os sistemas de saúde, investir em informação, orientação familiar e modernização das UTIs pediátricas torna-se fundamental para salvar vidas e garantir um atendimento mais humanizado às crianças.
Queda de temperatura e vírus respiratórios elevam internações pediátricas
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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