Constituição leva democracia ao palco

Espetáculo Constituição, de Isabel Costa, leva ao CCB uma reflexão emocionante sobre democracia, juventude e memória coletiva portuguesa.
Ilustração promocional do espetáculo Constituição, de Isabel Costa, apresentado na Fábrica das Artes do CCB no âmbito do programa Missão: Democracia

Espetáculo da Fábrica das Artes cruza memória, juventude e liberdade


Entre o pessoal e o político, nasce uma viagem emocional pela História de Portugal


O Centro Cultural de Belém, através da Fábrica das Artes, apresenta Constituição, a nova criação de Isabel Costa, integrada no programa Missão: Democracia. O espetáculo sobe ao palco nos dias 30 e 31 de maio, às 16h00, no Espaço da Fábrica das Artes, propondo uma reflexão artística e sensível sobre os valores democráticos, a memória coletiva e o papel das novas gerações na construção do país.

Pensado para adolescentes a partir dos 12 anos e público em geral, Constituição nasce de um convite da Fábrica das Artes e da Assembleia da República para celebrar os cinquenta anos da Constituição da República Portuguesa. A criação insere-se numa programação mais ampla que transforma os temas da coleção Missão: Democracia, das Edições Assembleia da República, em experiências performativas dirigidas à cidadania e à participação cívica.

Com texto e encenação de Isabel Costa, o espetáculo cruza o íntimo e o político através de um dispositivo cénico inspirado numa assembleia. Em palco, dois intérpretes e um músico conduzem o público por episódios históricos ligados ao final do Estado Novo e ao nascimento da jovem democracia portuguesa, enquanto acompanham as vidas, inquietações e descobertas de três jovens em tempos de transformação.

A criadora revela que o ponto de partida do espetáculo surgiu da vontade de perceber que juventudes ajudaram a construir a democracia portuguesa. Durante a investigação, encontrou inesperadamente a própria história familiar: o pai iniciou os estudos universitários em Coimbra, precisamente em 1969, ano marcante das lutas estudantis contra o regime. Essa coincidência pessoal abriu espaço para uma reflexão mais ampla sobre aquilo que nos constitui enquanto indivíduos e enquanto país.

Ao longo da narrativa, o espetáculo acompanha um jovem estudante que desce a escadaria monumental da Universidade de Coimbra em direção à Praça da República, descobrindo pela primeira vez a força coletiva da multidão e da consciência política. A partir daí, emergem dúvidas, paixões, conflitos e esperanças que atravessam toda uma geração e ecoam nas perguntas dos jovens de hoje.

Mais do que uma evocação histórica, Constituição propõe um diálogo vivo entre passado e presente. A encenação aposta na emoção, na palavra e na memória para lembrar que a democracia não é um dado adquirido, mas um processo permanente de participação, escuta e questionamento.

A ficha artística reúne nomes reconhecidos das artes performativas contemporâneas. Além de Isabel Costa na autoria e encenação, o espetáculo conta com interpretação de Isabel Costa, Miguel Nicolau e Vasco Barroso, cenografia de Joana Subtil, figurinos de Nádia Henriques, composição musical e desenho de som de Miguel Nicolau e desenho de luz de Ângela Bismarck. A coprodução é da Fábrica das Artes – CCB, com apoio do Fundo Cultural da Sociedade Portuguesa de Autores, do Tribunal Constitucional e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Isabel Costa tem desenvolvido um percurso multifacetado no teatro, cinema e curadoria de artes performativas. Integra o coletivo Os Possessos desde 2014 e tem assinado diversas criações marcantes nos últimos anos, entre elas Maratona de Manifestos, Salão Para o Século XXI, Som e Fúria e Manifestos Para Depois do Fim do Mundo. Em 2024, foi selecionada para o Festival FastForward, na Alemanha, consolidando o reconhecimento internacional do seu trabalho.

Com Constituição, a encenadora volta a afirmar o teatro como espaço de pensamento, memória e transformação, convidando os espectadores — sobretudo os mais jovens — a interrogarem o presente e o futuro da democracia portuguesa.
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Num tempo em que a velocidade da informação muitas vezes esvazia o sentido da participação cívica, Constituição surge como um gesto artístico necessário. O espetáculo de Isabel Costa devolve à juventude o lugar central na construção democrática e lembra que a liberdade continua a depender da capacidade de questionar, escutar e agir coletivamente. Mais do que revisitar o passado, esta criação desafia novas gerações a compreenderem que a democracia vive da memória, mas também da inquietação permanente.
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