Uso de protetor labial com FPS ajuda a prevenir tumor com risco de metástase
Uma ferida que não cicatriza pode ser mais do que um simples ressecamento
São Paulo – maio 2026 - Quando o assunto é câncer relacionado ao sol, a maioria das pessoas pensa imediatamente na pele do rosto e do corpo. No entanto, uma área frequentemente negligenciada merece atenção especial: os lábios. “Com pele fina, ausência de glândulas sebáceas e exposição direta e constante à radiação ultravioleta, os lábios estão entre as regiões mais vulneráveis aos danos solares. Com a exposição solar frequente, esse risco se intensifica e pode evoluir para um tipo específico de tumor: o câncer de lábio”, explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff*, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “O câncer de lábio é, na maioria das vezes, um carcinoma espinocelular, o mesmo tipo histológico comum nos cânceres de pele. Porém, diferentemente de muitos tumores cutâneos, por estar em uma mucosa, ele apresenta um risco maior de disseminação para os linfonodos cervicais, especialmente quando diagnosticado tardiamente”, explica o Dr. Ramon Andrade de Mello*, oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Segundo o especialista, essa característica torna o diagnóstico precoce ainda mais decisivo para o prognóstico. “Lesões aparentemente simples, como feridas que não cicatrizam, áreas endurecidas ou manchas esbranquiçadas no lábio, precisam ser avaliadas com atenção, pois podem representar um câncer em fase inicial”, diz o médico. A maior parte dos casos ocorre no lábio inferior, justamente por ser a área mais exposta ao sol ao longo da vida. “Em aproximadamente 90% dos casos, o câncer de lábio acomete o lábio inferior e o tipo mais comum é o carcinoma espinocelular”, destaca a dermatologista Dra. Paola. “A anatomia dos lábios explica essa vulnerabilidade. A pele dos lábios é uma semimucosa, uma região de transição entre a mucosa oral e a pele da face. Além disso, não possui glândulas sebáceas, responsáveis pela produção de oleosidade natural que protege a pele”, explica. “Sem essa barreira, os lábios ficam mais suscetíveis à radiação ultravioleta, ao ressecamento, às queimaduras e às alterações celulares cumulativas que podem levar ao câncer”, comenta a médica.
A exposição solar repetida pode provocar rachaduras, descamação, manchas e placas esbranquiçadas conhecidas como leucoplasias, consideradas lesões potencialmente malignas. “Esses sinais muitas vezes são ignorados ou tratados apenas como um problema estético, quando, na verdade, podem representar um alerta importante”, reforça o Dr. Ramon.
A boa notícia é que o câncer de lábio é altamente prevenível. O uso diário de protetor solar específico para os lábios, com FPS 30 ou superior, é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco, segundo a médica. “É fundamental aplicar o protetor labial todos os dias, inclusive fora da praia, e reaplicar a cada duas horas ou após comer, beber, entrar no mar ou umedecer os lábios com a língua”, orienta a Dra. Paola.
Além da proteção contra os raios UV, os protetores labiais modernos oferecem benefícios adicionais. “Esses produtos ajudam a reconstruir a pele ressecada, promovem hidratação, deixam os lábios mais macios e protegidos, além de alguns oferecerem cor ou brilho, o que facilita a adesão ao uso diário”, complementa a dermatologista.
Quando o ressecamento ou os danos solares já estão instalados, procedimentos dermatológicos podem auxiliar na recuperação da região. Segundo a Dra. Paola, tecnologias como laser com drug delivery, skinboosters e preenchimento com ácido hialurônico podem melhorar a hidratação, estimular a produção de colágeno e restaurar a saúde e a estética dos lábios. “O mais importante é que qualquer tratamento seja indicado após avaliação dermatológica, respeitando as necessidades individuais de cada paciente”, ressalta.
Para o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello, a conscientização é essencial. “Proteger os lábios não é apenas uma questão estética, mas uma atitude preventiva que pode evitar um câncer com potencial de metástase. Pequenos hábitos diários fazem grande diferença na saúde a longo prazo”, comenta o médico. “Assim como o protetor solar para a pele, o protetor labial deve fazer parte da rotina de cuidados o ano inteiro, especialmente nos meses mais quentes. Afinal, quando se trata de prevenção do câncer, cada detalhe conta – inclusive os lábios”, finaliza o oncologista.
*DRA. PAOLA POMERANTZEFF: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais. Instagram: @drapaoladermatologista
*DR. RAMON ANDRADE DE MELLO: Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. Instagram: @dr.ramondemello
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
O câncer de lábio continua pouco discutido, apesar da forte relação com a exposição solar e do risco aumentado de metástase. A adoção do protetor labial com FPS deve fazer parte da rotina diária de cuidados e prevenção.
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