Tahiti! no CCB: amor, crise e ilusão em cena

Ópera Tahiti no CCB em Lisboa une Bernstein e Halay numa reflexão intensa sobre amor, rotina e felicidade no mundo contemporâneo.
Cartaz oficial do espetáculo Tahiti no CCB com ópera em double bill

Ópera em dose dupla expõe fragilidades humanas com humor, crítica e emoção


O que acontece depois do “felizes para sempre”?


"Às vezes, o paraíso… é só uma ilusão bem decorada."
Alba Fraga Bittencourt

O espetáculo Tahiti!, apresentado no CCB, propõe uma viagem intensa e provocadora pelas relações humanas, através de um formato de double bill que junta duas obras distintas, mas profundamente conectadas: Trouble in Tahiti (1952), de Leonard Bernstein, e Pacific Pleasures (2016-17), de Alannah Marie Halay, esta última em estreia nacional.

Com encenação e cenografia de Jorge Balça e direção musical de Pablo Urbina, a produção ganha vida com a participação da Fadas e Elfos – Associação Cultural e da Orquestra do Algarve. O resultado é uma experiência artística que mistura música, teatro físico e até marionetas, criando um ambiente visual e emocionalmente rico, com inspiração na obra da pintora Paula Rego.

O evento acontece no Pequeno Auditório do CCB, no dia 17 de abril (sexta-feira), às 20h00, com duração aproximada de 95 minutos. A apresentação é em inglês, com legendas em português — ou seja, não há desculpa para se perder nos detalhes.

A proposta de Tahiti! vai além de uma simples apresentação operística. Aqui, o público é convidado a entrar na intimidade de Sam e Dinah, um casal aparentemente comum, preso numa rotina suburbana que esconde frustrações profundas. Tudo aquilo que parecia ser o ideal de vida — casa, casamento, estabilidade — revela-se insuficiente. E o tal “Tahiti”, símbolo de fuga e felicidade, transforma-se numa metáfora agridoce.

Enquanto Trouble in Tahiti mostra o casal já em conflito, Pacific Pleasures funciona como uma espécie de prequela, imaginando os caminhos e escolhas que os levaram até esse ponto. É como assistir ao antes e depois de um sonho que se desfez — ou pior, que nunca chegou a existir de verdade.

A encenação aposta em múltiplas linguagens dramáticas para explorar questões universais: até que ponto controlamos o nosso destino? Será que já nascemos com a vida “programada”? E onde, afinal, se esconde a felicidade?

Mais do que uma ópera, Tahiti! é um espelho desconfortável — mas necessário — das expectativas modernas. E talvez, no meio disso tudo, cada espectador acabe procurando o seu próprio “Tahiti”.


Nota do Editor - Portal Splish Splash
Uma proposta artística que desafia o conceito de felicidade idealizada, cruzando música, teatro e crítica social com inteligência e sensibilidade 
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