Especialista debate impacto da NR-1 e crise emocional no trabalho brasileiro
O Brasil já não é o país da alegria dentro das empresas
A psicóloga social e do trabalho e consultora estratégica em saúde mental, Eliana Sorrini, participa de uma live no próximo dia 27 de abril, às 17h, a convite da FlexOn, trazendo à tona um tema urgente: o cenário da saúde mental no ambiente corporativo brasileiro e os impactos da NR-1. Mais do que uma exigência legal, a norma pode — e deve — ser utilizada como uma poderosa alavanca de transformação cultural nas empresas.
O alerta é direto: o Brasil adoeceu — e o trabalho tem papel central nisso. O país que construiu sua imagem global baseada na alegria e na resiliência hoje lidera rankings preocupantes de afastamentos por questões psicológicas. Esse cenário já impacta diretamente indicadores como absenteísmo, presenteísmo, rotatividade e, consequentemente, os resultados financeiros das organizações.
A atualização da NR-1 traz uma exigência clara: o mapeamento dos riscos psicossociais. Mas a grande questão permanece — as empresas estão preparadas para começar?
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e estudos do Instituto de Psiquiatria da USP (IPQ-USP) revelam uma realidade desconfortável: o Brasil é o país mais ansioso do mundo e o mais depressivo da América Latina. O contraste com o estereótipo do “país da alegria” levanta uma pergunta inevitável: o que mudou?
Parte da resposta está na própria formação cultural brasileira. O conceito do “homem cordial”, definido por Sérgio Buarque de Holanda, revela uma sociedade movida por emoções e relações afetivas. No ambiente corporativo, essa característica contribui para a diluição dos limites entre o pessoal e o profissional.
Ao longo do tempo, a alegria foi utilizada como mecanismo de sobrevivência. No entanto, na última década, esse traço foi distorcido por uma cultura de positividade tóxica. Hoje, muitos trabalhadores sentem que não têm espaço para demonstrar fragilidade. Vivem sob a pressão de aparentar felicidade constante, enquanto enfrentam metas agressivas, sobrecarga e hiperconectividade.
O resultado é uma dissociação emocional que esgota o indivíduo antes mesmo do fim da jornada de trabalho.
Nesse contexto, Eliana Sorrini faz um alerta importante: saúde mental não pode ser tratada como ação superficial. Iniciativas como ginástica laboral ou benefícios pontuais são paliativos diante de problemas estruturais mais profundos. A gestão eficaz passa pela identificação de fatores críticos, como liderança tóxica, assédio moral, falta de autonomia e cultura baseada em estresse.
O impacto financeiro também é significativo. Um afastamento por questões mentais pode custar, em média, três vezes o salário do colaborador. Trata-se de um prejuízo silencioso que compromete não apenas os resultados, mas também o clima organizacional.
Empresas que investem de forma consistente em saúde mental tendem a ser mais sustentáveis, produtivas e longevas.
Sobre Eliana Sorrini
Psicóloga social e do trabalho com mais de 10 anos de experiência e MBA em Gestão de Negócios, Eliana acumula mais de duas décadas de atuação executiva no Brasil e na América Latina. Hoje, atua como especialista sênior, levando ao ambiente corporativo uma abordagem estratégica da saúde mental, conectando bem-estar a desempenho e resultados. É psicoterapeuta especializada em ansiedade, depressão, transtornos de humor e doenças ocupacionais, como burnout.
"A solução não é fazer o brasileiro voltar a sorrir à força.
É conscientizar da autorresponsabilidade pelo desenvolvimento dele e da liderança."
— Eliana Sorrini
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Saúde mental deixou de ser pauta secundária e assumiu protagonismo no futuro das organizações. A discussão proposta por Eliana Sorrini reforça que cumprir normas não basta — é preciso transformar cultura, liderança e propósito para enfrentar uma crise silenciosa que já impacta pessoas, empresas e toda a sociedade.
Especialista debate impacto da NR-1 e crise emocional no trabalho brasileiro
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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