Projeto valoriza jornalismo cultural feito nos territórios e amplia visibilidade das periferias cariocas
Narrativas reais, feitas por quem vive o território
O jornalismo que nasce dentro das comunidades ganha agora um novo fôlego — e também um novo formato. O projeto aMARÉlo – Jornalismo Cultural em Favelas lança a sua primeira revista, reunindo reportagens, ensaios e registros que captam, com autenticidade, a riqueza cultural das favelas do Rio de Janeiro.
Mais do que uma publicação, a revista aMARÉlo assume-se como uma afirmação: as favelas não são apenas cenário, mas centro de produção de pensamento, cultura e identidade. A iniciativa aposta numa abordagem territorializada e colaborativa, valorizando comunicadores que atuam nos próprios locais onde vivem — gente que conhece os becos, as histórias e as nuances que raramente chegam ao grande público sem distorções.
Promovido pelo Observatório de Favelas, o projeto reuniu participantes de diferentes zonas da cidade — sul, norte, oeste e centro — incluindo o emblemático Conjunto de Favelas da Maré. Entre os coletivos envolvidos estão Mangueira Comunica, Maré Vive, PPG Informativo, Voz de Guadalupe e Zona Oeste Ativa, todos com forte atuação na comunicação popular.
Ao longo do processo, os participantes mapearam práticas culturais e produziram conteúdos que agora ganham forma numa revista disponível em versões impressa e digital. Pelo caminho, mergulharam em temas como cultura periférica, desinformação, fotografia, reportagem e design, sempre com uma ligação direta entre teoria e prática.
A coordenadora pedagógica do projeto, Grasiela Cordeiro, destaca um ponto essencial: estas narrativas nascem de relações de confiança com os territórios. Não são olhares de fora, nem recortes superficiais. São histórias que rejeitam estereótipos e revelam a complexidade e a potência desses espaços.
Para quem participa, o impacto vai além da publicação. Rafael Souza, do Zona Oeste Ativa, resume bem: ver o seu trabalho materializado numa revista impressa, num tempo dominado pelo efémero digital, representa reconhecimento, legitimidade e projeção.
O lançamento da revista promete ser mais do que um simples evento — será um encontro de vozes, ritmos e experiências. A programação inclui atuação do DJ Akasama e uma roda de samba com Batuque da Yves, reforçando a ligação entre comunicação e expressão cultural.
A revista aMARÉlo não quer ser apenas lida — quer circular, provocar e permanecer. Ao longo do ano, a publicação será distribuída em espaços de educação, cultura e saúde nos territórios participantes, ampliando o seu alcance e impacto.
SERVIÇO:
Lançamento da Revista aMARÉlo
Data: sábado, 11 de abril
Horário: 13h
Local: Galpão Bela Maré
Endereço: Rua Bittencourt Sampaio, 169 – Maré, Rio de Janeiro – RJ, 21044-075
Classificação indicativa: livre
O projeto aMARÉlo – Jornalismo Cultural em Favelas conta com o patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, Estácio e Instituto Yduqs, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei do ISS), com parceria estratégica de Marcela Bronstein e realização do Observatório de Favelas.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num mundo saturado de versões rápidas e superficiais da realidade, projetos como aMARÉlo lembram-nos de algo simples e poderoso: quem vive a história é quem melhor a sabe contar.
Projeto valoriza jornalismo cultural feito nos territórios e amplia visibilidade das periferias cariocas
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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