Paço Imperial debate gestão e memória cultural

Mesa de conversa celebra 40 anos do Paço Imperial com exposição e debate sobre gestão cultural no Rio de Janeiro
Vista aérea do Paço Imperial no centro histórico do Rio de Janeiro durante celebração de 40 anos

Encontro reúne direção atual e ex-dirigentes nos 40 anos do Paço Imperial


Quatro décadas depois, o Paço reafirma o seu papel cultural. E prova que memória também se constrói conversando.

Como parte da exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, será realizada neste sábado, 11 de abril, às 15h, a mesa de conversa “O Paço e suas gestões”, reunindo a atual diretora Claudia Saldanha e os ex-diretores Lauro Cavalcanti e Paulo Sérgio Duarte, com mediação do historiador da arte Ivair Reinaldim, professor da Escola de Belas Artes da UFRJ. O encontro acontece na Sala dos Archeiros, com entrada gratuita e aberta ao público — daqueles eventos que não pedem convite, mas pedem atenção.

A exposição “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, com curadoria de Claudia Saldanha e Ivair Reinaldim, ocupa 12 salões e dois pátios internos do espaço, reunindo cerca de 160 obras de 130 artistas de diferentes gerações. É uma verdadeira reunião de nomes que ajudaram a desenhar o panorama da arte brasileira contemporânea, como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Roberto Burle Marx, Tunga, entre muitos outros.

Mais do que uma exposição, trata-se de uma espécie de mapa afetivo e artístico do próprio Paço. Desde a sua criação como centro cultural, o espaço tornou-se ponto de encontro essencial para o circuito das artes visuais do Rio de Janeiro. Se antes foi palco de acontecimentos históricos do país, hoje soma novas camadas de memória, desta vez ligadas à arte, à cultura e à experimentação.

A proposta curatorial segue a ideia de “constelação”: um conjunto de elementos distintos, ligados não pela proximidade física, mas por relações simbólicas. Aqui, artistas contemporâneos dialogam com artistas populares, diferentes técnicas convivem sem hierarquia e múltiplas gerações ocupam o mesmo espaço. O resultado é uma mostra que não tenta organizar o caos criativo — abraça-o.

Para chegar a esse resultado, foi realizada uma extensa pesquisa ao longo de cerca de um ano, mapeando todas as exposições e artistas que passaram pelo Paço Imperial. O critério não foi apenas revisitar obras já exibidas, mas reunir artistas que ajudaram a construir a identidade do espaço. Por isso, a mostra combina peças icônicas, trabalhos inéditos e criações especialmente desenvolvidas para a ocasião.

Entre os destaques está um jardim em homenagem a Roberto Burle Marx, montado no pátio principal em parceria com o Sítio Burle Marx, além da instalação “Agrupamento”, de José Damasceno, construída com materiais recolhidos na feira da Praça XV — um detalhe que liga arte e cidade sem filtros nem romantizações.

A exposição inclui ainda 15 vídeos produzidos pela Rio Arte nas décadas de 1980 e 1990, com nomes como Amilcar de Castro, Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel e Lygia Clark. Não são simples registos: são obras concebidas como arte em si, ocupando uma sala inteira dedicada a esse diálogo entre imagem, tempo e criação.

Fundado em 6 de março de 1985, o Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial celebrou 40 anos em 2025 e prolonga as comemorações até 2026. Um aniversário que não se limita a olhar para trás — prefere provocar novas leituras sobre o seu papel na cultura brasileira.

Instalado num edifício construído em 1733 e inaugurado em 1743, o Paço Imperial já foi Casa dos Vice-Reis, sede do Império com a chegada de D. João VI em 1808, e posteriormente espaço dos Correios após a Proclamação da República. Tombado pelo Iphan em 1938 e restaurado em 1983 sob coordenação do arquiteto Glauco Campello, o edifício reinventou-se sem perder a memória — coisa rara, diga-se.

Hoje, é um daqueles lugares onde o passado não fica quieto e o presente não entra de mansinho.

SERVIÇO:
Mesa de conversa “O Paço e suas gestões”
Data: 11 de abril de 2026
Horário: 15h
Local: Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial – Sala dos Archeiros
Capacidade: 80 lugares
Entrada gratuita
Endereço: Praça XV de Novembro, 48 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Funcionamento: terça a domingo e feriados, das 12h às 18h
Produção: AREA27

Nota do Editor - Portal Splish Splash
Uma conversa que cruza passado, presente e futuro num dos espaços mais simbólicos da cultura brasileira — imperdível para quem gosta de arte com contexto. 
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