Lucy Citti Ferreira volta à cena modernista

Evento gratuito na AML resgata Lucy Citti Ferreira com palestra e lançamento de biografia de Mazé Torquato Chotil.
 Cartaz oficial de palestra sobre Lucy Citti Ferreira na Academia Mineira de Letras

Palestra na AML resgata trajetória de artista esquecida e revisa o modernismo


Uma pintora além da sombra dos grandes nomes


A memória cultural brasileira ganha um novo fôlego no dia 22 de abril, às 19h, quando a Academia Mineira de Letras abre suas portas para um encontro que mistura investigação histórica, reconhecimento artístico e justiça simbólica. A jornalista e autora Mazé Torquato Chotil conduz a palestra “Lucy Citti Ferreira: a pintora esquecida do modernismo”, seguida pelo lançamento da biografia dedicada à artista. A noite conta ainda com apresentação de Ana Maria Clark e mediação de Rogério Faria Tavares.

No centro do debate está Lucy Citti Ferreira (1911–2008), uma artista cuja trajetória, embora relevante nas décadas de 1930 e 1940, acabou sendo relegada ao esquecimento. Pintora, desenhista, gravadora e professora, Lucy construiu uma formação sólida na Europa, com estudos em cidades como Gênova, Le Havre e Paris. Ao retornar ao Brasil, integrou-se ao circuito modernista, convivendo com nomes como Mário de Andrade e trabalhando ao lado de Lasar Segall, com quem manteve uma relação artística e pessoal significativa.

Apesar do reconhecimento em seu tempo, Lucy optou por uma trajetória longe dos holofotes. A partir de 1947, estabelecida novamente em Paris, dedicou-se intensamente à pintura, mas sem investir na divulgação de sua obra — uma escolha que contribuiu diretamente para seu apagamento histórico. Seu acervo, posteriormente doado à Associação Pinacoteca Arte e Cultura (APAC), hoje representa uma importante fonte de preservação e redescoberta.

Para Mazé Torquato Chotil, revisitar essa história é também um ato político. Ao retirar Lucy do papel secundário de “musa” e reposicioná-la como protagonista de sua própria produção artística, a autora propõe uma revisão crítica da historiografia tradicional. Com uma carreira consolidada e mais de 15 livros publicados, Mazé — doutora pela Universidade Paris VIII e pós-doutora pela EHESS — tem se dedicado a iluminar trajetórias femininas silenciadas, ampliando o olhar sobre a cultura e a memória.

O evento integra o Plano Anual da AML (PRONAC 256536), realizado com base na Lei Federal de Incentivo à Cultura, e conta com o patrocínio do Instituto Unimed-BH, que há mais de duas décadas atua no fomento a projetos culturais, sociais e ambientais, além do apoio da Minasmáquinas.

Mais do que uma palestra e lançamento, o encontro propõe um deslocamento de perspectiva: revisitar o modernismo brasileiro a partir de vozes que ficaram à margem — e que agora reivindicam seu espaço na história.

Nota do Editor - Portal Splish Splash
Ao resgatar Lucy Citti Ferreira do silêncio histórico, Mazé Torquato Chotil não apenas reconstrói uma trajetória artística, mas também desafia os critérios que definem quem permanece — ou desaparece — na memória cultural.
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