Livros que libertam: cultura no sistema prisional

Biblioteca Nacional e CNJ doam 100 mil livros para prisões, promovendo leitura, cultura e reintegração social no Brasil
Ministro da Justiça, Edson Fachin e Marco Lucchesi em evento de doação de livros para sistema prisional

Iniciativa leva leitura, dignidade e novas perspectivas a detentos


Um passo concreto contra o vazio educacional nas prisões

A leitura pode não abrir portas físicas, mas tem o poder de destrancar horizontes — e é exatamente essa a aposta de uma iniciativa que promete fazer a diferença no sistema prisional brasileiro. A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura, firmou uma parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para doar nada menos que 100 mil livros a bibliotecas de escolas em unidades prisionais de todo o país.

O acordo foi oficializado em cerimônia realizada na sede da instituição, no Rio de Janeiro, com a presença de autoridades de peso, entre elas o presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ, o ministro Edson Fachin, e o presidente da FBN, Marco Lucchesi. Também marcaram presença o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro.

Mais do que números, a iniciativa carrega simbolismo. Os livros — editados ou coeditados pela própria Biblioteca Nacional — abrangem uma diversidade de gêneros, incluindo romance, poesia, história, iconografia e ensaios. Ou seja, não se trata apenas de preencher prateleiras, mas de alimentar mentes com conteúdo de qualidade.

O ato de assinatura também marcou o encerramento da Semana da Cultura do Sistema Prisional, evento que levou atividades artísticas para dentro e fora das unidades prisionais. O desfecho ocorreu no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde foi lançado o programa “Horizontes Culturais”, uma estratégia nacional voltada à promoção da cultura no ambiente prisional.

A ação reforça o papel da Biblioteca Nacional como agente ativo na democratização do acesso ao conhecimento. Como destacou Marco Lucchesi, a instituição responde a uma “fome de leitura” ainda muito presente no Brasil — especialmente em contextos de maior vulnerabilidade.

Essa não é a primeira colaboração entre as instituições. A parceria teve início em 2023, com a participação da Biblioteca Nacional no projeto “Prêmio A Saída é Pela Leitura”, incentivando a remição de penas por meio da leitura. Desde então, o diálogo se fortaleceu com a presença de nomes como Rosa Weber e Luís Roberto Barroso em eventos ligados à leitura no sistema prisional.

No fundo, a mensagem é simples — e poderosa: investir em cultura dentro das prisões não é luxo, é estratégia. Porque quem lê mais, pensa melhor. E quem pensa melhor, tem mais chances de reescrever a própria história.

Nota do Editor - Portal Splish Splash
Iniciativas como essa mostram que cultura e educação continuam a ser ferramentas essenciais para transformar realidades, inclusive onde muitos já perderam a esperança. Democratizar o acesso ao livro é, acima de tudo, um gesto de humanidade. 
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