Excesso de informação pode agravar a dor

Como o excesso de informação nas redes sociais pode aumentar o medo e influenciar a dor, criando ciclos negativos e afetando a saúde física e mental.
Pessoa preocupada a usar telemóvel com conteúdos sobre dor e saúde, simbolizando o impacto do excesso de informação.

Redes sociais amplificam o medo e influenciam a perceção da dor


Nem toda a informação sobre saúde serve para si



Por: Luiz Sola*

Em um cenário onde todos opinam sobre saúde, as redes sociais se tornaram uma fonte constante de informação, e também de distorção. O excesso de conteúdo, muitas vezes sem contexto ou embasamento, tem contribuído para um fenômeno crescente: o aumento do medo relacionado à dor.

Muitos pacientes chegam aos consultórios já carregando crenças formadas a partir de relatos vistos online. Experiências individuais são frequentemente apresentadas como verdades absolutas: “minha dor piorou ao subir escadas”, “me machuquei ao treinar”, “parei e melhorei” ou até afirmações alarmistas como “correr faz o osso bater com o osso”. O problema é que cada corpo responde de forma única. O que acontece com um não define o que acontecerá com outro.

A exposição excessiva a conteúdos alarmistas ativa mecanismos de alerta no cérebro. A pessoa passa a observar mais o próprio corpo, interpretar sensações com preocupação e evitar movimentos por medo. Forma-se um ciclo conhecido: medo gera tensão, tensão gera rigidez, a rigidez aumenta a dor, e a dor reforça o medo.

Além disso, a repetição dessas mensagens amplia o alcance do problema. Uma experiência pessoal compartilhada sem contexto pode gerar pânico coletivo, especialmente em quem já está fragilizado. A dor deixa de ser apenas física e passa a ser influenciada pela expectativa negativa.

Informação é essencial, mas precisa de critério. Nem tudo que é visto ou ouvido se aplica à realidade individual. Buscar orientação qualificada, reduzir o consumo de conteúdos alarmistas e compreender que o corpo é adaptável são passos fundamentais para quebrar esse ciclo.

Em tempos de excesso de informação, proteger a mente tornou-se também uma forma de tratar a dor.

*Luiz Sola é fisioterapeuta, especialista em dor crônica e autor do livro “365 dias sem dor”
NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
Num tempo dominado por conteúdos rápidos e opiniões virais, este artigo lembra a importância de filtrar a informação em saúde. A dor não é apenas física: é também moldada pela perceção, pelo contexto e pelo que consumimos diariamente. Procurar fontes credíveis e evitar o alarmismo digital são passos essenciais para uma relação mais saudável com o corpo.
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