Um Filme de Medo e Sagrado brilham no festival

Vencedores do É Tudo Verdade 2026 destacam força do documentário com narrativas políticas, íntimas e inovadoras no cinema contemporâneo.
 Cartaz oficial do festival É Tudo Verdade 2026 com destaque para filmes premiados

É Tudo Verdade 2026 consagra obras potentes e revela novos olhares do documentário contemporâneo


O real em estado bruto conquista o júri e o público


A 31ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários reafirmou sua relevância no cenário audiovisual ao anunciar, neste sábado (18), os grandes vencedores de 2026. Reconhecido desde 2018 como festival qualificatório para o Oscar, o evento segue como vitrine essencial para o documentário mundial, reunindo obras que exploram o real com ousadia estética e profundidade política.

O principal prêmio da Competição Internacional de Longas ou Médias-Metragens foi para Um Filme de Medo, dirigido por Sergio Oksman. A produção, uma coprodução entre Espanha e Portugal, constrói uma narrativa sensível ao acompanhar a relação entre pai e filho em um hotel lisboeta que evoca atmosferas de isolamento e memória — numa clara referência ao clássico O Iluminado. Sem recorrer a elementos tradicionais do terror, o filme investiga os “fantasmas” emocionais que habitam os vínculos familiares.

Ainda na competição internacional, o curta Sonhos de Apagão, de Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso e Andrea Settembrini, destacou-se ao retratar os impactos dos blecautes em Cuba. O filme transforma a ausência de energia elétrica em linguagem cinematográfica, criando uma experiência estética potente e politicamente carregada. Já a menção honrosa foi para Se Não Gosta, Não Olhe, um retrato sensível e direto de mulheres idosas que expressam liberdade, afeto e autenticidade.

Na Competição Brasileira, o grande vencedor foi Sagrado, dirigido por Alice Riff. Ambientado em uma escola pública de Diadema (SP), o filme mergulha no cotidiano de professores e funcionários, revelando a força política presente nas relações diárias. Com uma abordagem baseada na escuta e na observação, a obra constrói uma narrativa que valoriza o invisível e transforma o cotidiano em experiência sensível e reflexiva.

A menção honrosa ficou com Apopcalipse Segundo Baby, dirigido por Rafael Saar, que apresenta um retrato vibrante e visceral da artista Baby do Brasil, explorando sua personalidade e trajetória com intensidade estética e rigor documental.

Entre os curtas brasileiros, o destaque foi Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique. A obra utiliza humor e criatividade para discutir o impacto cultural da instalação de uma unidade do McDonald's em Olinda, propondo uma crítica ao imperialismo cultural de forma leve e inventiva. O filme também acumulou prêmios paralelos importantes, consolidando-se como um dos grandes destaques da edição.

A seleção de 2026 apresentou 75 filmes de 25 países, exibidos gratuitamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de uma programação especial em streaming. A retrospectiva homenageou a cineasta Vivian Ostrovsky, celebrando seus 80 anos com uma mostra que percorre quatro décadas de produção.

O festival também prestou tributo a importantes nomes do documentário brasileiro, como Jean-Claude Bernardet, Silvio Tendler e Silvio Da-Rin, reafirmando seu compromisso com a memória e a preservação audiovisual.

Além dos prêmios principais, diversas premiações paralelas reconheceram talentos emergentes e consolidados, reforçando a vitalidade e a diversidade do documentário contemporâneo brasileiro.

Nota do Editor - Portal Splish Splash
O É Tudo Verdade 2026 reafirma que o documentário segue como uma das formas mais potentes de expressão artística e política da atualidade, ao reunir obras que desafiam linguagens, ampliam perspectivas e traduzem, com sensibilidade e rigor, as complexidades do mundo contemporâneo.
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