Abril Azul-Claro alerta para câncer de esôfago

Abril Azul-Claro alerta para o câncer de esôfago e destaca três hábitos essenciais que ajudam a reduzir o risco da doença.
 Campanha Abril Azul-Claro alerta para prevenção do câncer de esôfago com foco em hábitos saudáveis

Três hábitos simples podem reduzir drasticamente o risco desta doença silenciosa


Álcool e tabaco juntos não somam risco: multiplicam-no


São Paulo – abril 2026 - Abril Azul-Claro é a campanha de conscientização sobre o câncer de esôfago, uma doença grave e de evolução rápida, cuja incidência tem crescido no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 11 mil novos casos por ano no país, com maior predominância entre homens acima dos 50 anos. “Trata-se de um câncer silencioso, muitas vezes diagnosticado tardiamente, o que dificulta o tratamento e piora o prognóstico”, explica o Dr. Ramon Andrade de Mello*, oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia. “Embora fatores genéticos e ambientais desempenhem papéis importantes no desenvolvimento da doença, há pelo menos três comportamentos modificáveis que, comprovadamente, podem reduzir o risco: evitar o consumo de álcool, parar de fumar e manter uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes”, comenta o médico.

O tipo mais comum da doença no Brasil é o carcinoma espinocelular, associado a danos diretos na mucosa do esôfago, o canal que liga a boca ao estômago. “O cigarro, isoladamente, é um dos maiores agressores desse tecido. A fumaça do tabaco contém substâncias tóxicas e cancerígenas que, ao serem inaladas e engolidas, entram em contato direto com o revestimento do esôfago, promovendo mutações celulares ao longo do tempo. Estudos apontam que o risco de desenvolver esse tipo de câncer pode ser até cinco vezes maior em fumantes do que em não fumantes”, diz o médico oncologista.

Mas o cigarro não é o único. O álcool potencializa esse efeito irritativo para o revestimento do esôfago. “O etanol é metabolizado em acetaldeído, uma substância altamente tóxica e classificada como carcinogênica. Quando o consumo de álcool é associado ao tabagismo, os riscos não se somam — eles se multiplicam. Pesquisas mostram que a combinação dos dois hábitos pode elevar o risco de câncer de esôfago em mais de 30 vezes, em comparação a indivíduos que não fumam nem bebem”, diz o especialista.

O oncologista explica que a dieta também desempenha um papel crucial na prevenção dessa doença. “Diversos estudos epidemiológicos mostram que uma alimentação pobre em frutas, verduras e vegetais está associada a maior risco da doença. Esses alimentos são fontes naturais de fibras, antioxidantes, vitaminas (como A, C e E) e compostos bioativos que ajudam a proteger as células contra o dano oxidativo e inflamações crônicas — dois processos fortemente ligados ao desenvolvimento do câncer. Em contrapartida, dietas com excesso de alimentos ultraprocessados, pobres em nutrientes e ricos em sódio, corantes e conservantes, contribuem para a inflamação do trato digestivo e prejudicam a regeneração do tecido esofágico”, comenta o médico.

Embora nem todos os casos da doença possam ser evitados, parar de fumar, evitar bebidas alcoólicas e adotar uma alimentação saudável são medidas eficazes de prevenção primária, segundo o Dr. Ramon Andrade de Mello. “A boa notícia é que, mesmo entre pessoas que fumaram ou beberam por longos períodos, a interrupção desses hábitos ainda oferece benefícios. A redução no risco de câncer começa já nos primeiros anos após parar de fumar ou beber e continua a cair com o tempo. Prevenir o câncer de esôfago não exige medidas drásticas ou inacessíveis. Trata-se, sobretudo, de escolhas consistentes no dia a dia: trocar o cigarro por uma caminhada, substituir bebidas alcoólicas por sucos naturais e incluir mais vegetais no prato. São mudanças simples, mas que, com base científica sólida, podem representar uma diferença significativa para a saúde a longo prazo”, explica o Dr. Ramon.

O tratamento do câncer de esôfago envolve diferentes abordagens, que variam conforme o estágio da doença, o tipo do tumor, a localização no órgão e as condições de saúde do paciente. “Em muitos casos, especialmente quando o diagnóstico é feito em estágios iniciais ou localmente avançados, a cirurgia para remoção parcial ou total do esôfago — chamada esofagectomia — é indicada. Trata-se de um procedimento complexo, pois o esôfago é um órgão delicado e próximo de estruturas vitais, exigindo técnicas cirúrgicas avançadas e cuidados intensivos no pós-operatório. A quimioterapia também desempenha um papel importante no tratamento, podendo ser administrada antes da cirurgia, para reduzir o tamanho do tumor (neoadjuvante), ou depois, com o objetivo de eliminar possíveis células cancerígenas remanescentes (adjuvante). Em tumores mais avançados, quando a cirurgia não é viável, a quimioterapia passa a ser utilizada para controlar a progressão da doença e aliviar sintomas”, diz o médico. A radioterapia, por sua vez, também costuma ser combinada com a quimioterapia. “Nos últimos anos, terapias mais modernas têm ampliado as opções terapêuticas, principalmente nos casos de câncer metastático ou resistentes aos tratamentos convencionais. A imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais, vem mostrando resultados promissores. Além disso, terapias-alvo que atuam em mutações específicas, como a HER2 em alguns adenocarcinomas, também têm sido incorporadas aos protocolos de tratamento, oferecendo abordagens mais personalizadas”, completa o médico. “Independentemente da estratégia adotada, o suporte nutricional e os cuidados paliativos são componentes essenciais no tratamento do câncer de esôfago. Como a doença frequentemente afeta a deglutição, muitos pacientes precisam de intervenções para garantir a alimentação adequada, como sondas ou próteses esofágicas. Equipes multiprofissionais, incluindo nutricionistas, psicólogos e profissionais de cuidados paliativos, são fundamentais para preservar a qualidade de vida ao longo de toda a jornada do paciente”, finaliza.

*DR. RAMON ANDRADE DE MELLO: Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. Instagram: @dr.ramondemello
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