Atendimento hospitalar adaptado melhora conforto e reduz crises em pacientes com TEA
Cuidar também é saber adaptar
"Pequenos ajustes, grandes resultados."
Carmen Augusta
Abril é marcado pela campanha Abril Azul, dedicada a ampliar o entendimento sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma condição que influencia diretamente a forma como a pessoa comunica, interage e percebe o mundo. No Brasil, mais de 2 milhões de pessoas vivem com o diagnóstico. Em Ribeirão Preto, o número de residentes com TEA ultrapassa os 87 mil, segundo dados recentes do censo.
Entre os sinais mais comuns estão o pouco contacto visual, atraso na fala, dificuldades na socialização, hiperfoco em temas específicos e forte apego a rotinas. Para muitos, ambientes hospitalares tradicionais — com luzes intensas, ruídos e longas esperas — podem tornar-se um verdadeiro campo minado sensorial, desencadeando ansiedade ou crises.
Foi a partir dessa realidade que o Grupo São Lucas, através do Hospital São Lucas Ribeirania, desenvolveu um fluxo de atendimento especializado para pacientes autistas, abrangendo desde o pronto atendimento até eventuais internações.
A iniciativa nasceu de uma situação simples, mas reveladora: o desconforto de uma criança autista diante de estímulos hospitalares, mesmo sem gravidade clínica. O episódio foi suficiente para provocar uma mudança estrutural na forma de acolher esses pacientes.
Desde a chegada, o atendimento é diferenciado. Após a triagem habitual, o paciente é encaminhado para um espaço mais reservado, com menos estímulos visuais e sonoros e maior proximidade com os consultórios. O objetivo é claro: reduzir o tempo de espera e evitar sobrecargas desnecessárias.
O cuidado mantém-se ao longo de todo o processo. Procedimentos, medicação e exames são conduzidos com adaptações, respeitando o ritmo e as necessidades individuais. Em casos de internamento, há prioridade para quartos mais tranquilos, com acompanhamento psicológico e suporte de uma equipa multidisciplinar.
Recursos simples fazem toda a diferença: uso permitido de abafadores de som, óculos escuros e objetos de conforto; apoio visual com cartões de dor e etapas de procedimentos; e ferramentas lúdicas para ajudar na expressão emocional. Há ainda entrevistas com os responsáveis para identificar gatilhos sensoriais, estratégias de autorregulação e histórico clínico.
Segundo especialistas da instituição, a individualização do atendimento traz ganhos claros: mais conforto, previsibilidade e segurança para o paciente. Ao reduzir a sobrecarga sensorial, facilita-se a colaboração durante os cuidados médicos e evita-se que a experiência hospitalar se torne traumática.
No fim das contas, o que está em causa é algo simples — mas nem sempre praticado: tratar cada pessoa como única. Essa abordagem não só melhora a evolução clínica, como fortalece a confiança das famílias e aponta para um modelo de saúde mais humano, inclusivo e eficaz.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num mundo que ainda insiste em tratar todos da mesma forma, iniciativas como esta mostram que a verdadeira igualdade começa quando se respeitam as diferenças. Adaptar não é um luxo — é o mínimo.
Atendimento hospitalar adaptado melhora conforto e reduz crises em pacientes com TEA
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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