Teatro no CCB: memória, imaginação e mistério

Peça “A Valentina e a Valeria não estão mortas”, de Flávia Gusmão e Jacinto Lucas Pires, sobe ao palco da Black Box do CCB entre 19 e 29 de março
Cartaz da peça A Valentina e a Valeria não estão mortas em cena no CCB Black Box

“A Valentina e a Valeria não estão mortas” chega à Black Box do CCB em março

Um palco, uma atriz e várias vozes que emergem da memória e da imaginação

"Entre o real e o imaginado, o teatro revela que a vida raramente é simples."
Alba Fraga Bittencourt

O Centro Cultural de Belém recebe, de 19 a 29 de março, na Black Box, o espetáculo “A Valentina e a Valeria não estão mortas”, criação de Flávia Gusmão e Jacinto Lucas Pires. A peça propõe uma viagem teatral singular, onde a memória, a imaginação e o próprio processo criativo se cruzam de forma inquietante e poética.

Em cena está a atriz Flávia Gusmão, que conduz o público por um monólogo habitado por várias presenças. Durante o ensaio da personagem Esmeralda, surgem duas figuras inesperadas: Valentina e Valeria. Quem são elas? De onde vêm? A resposta permanece em suspenso, como se o espetáculo habitasse um território incerto entre o mundo real, o espaço virtual e um estranho além indefinido.

A atmosfera da peça sugere um lugar quase desértico, onde memórias fragmentadas e imaginação se confundem. Valentina e Valeria poderão ser ecos da mente da atriz, personagens nascidas de lapsos de memória ou simplesmente criações que escaparam ao controlo da própria narrativa.

Com texto de Jacinto Lucas Pires, a obra explora temas universais como a relação entre ficção e realidade, entre teatro e vida, entre morte e luto. O resultado é um monólogo que se multiplica em vozes e perspectivas, revelando gradualmente diferentes camadas de identidade e de emoção.

A encenação aposta num ambiente minimalista e sensorial, apoiado por um cuidado trabalho de luz, música e som. O desenho de luz é assinado por Nuno Meira, enquanto a música e o desenho de som são da autoria de Xullaji. A criação conta ainda com o apoio de Tobias Monteiro e com figurinos trabalhados por Rosário Balbi.

A produção executiva é de Marisa Coelho e a gestão financeira de Nuno Pratas. O espetáculo resulta de uma coprodução entre a Associação Bo Dixam Bai, a Associação Palavrão, o Centro Cultural de Belém, o Cineteatro Louletano e a Culturproject.

As apresentações realizam-se às quintas e sextas-feiras às 20h00, aos sábados às 19h00 e aos domingos às 17h00.

No dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro, o espetáculo terá duas sessões especiais, às 17h00 e às 20h00, com entrada livre, sujeita à lotação da sala. Os bilhetes deverão ser levantados no próprio dia a partir das 13h00 na bilheteira do CCB.

Sobre os criadores

Flávia Gusmão nasceu em Lisboa em 1978 e tem dupla herança cultural portuguesa e cabo-verdiana. Formou-se na Escola Profissional de Teatro de Cascais e aprofundou a sua formação na École de Maîtres e na Escola Superior de Teatro e Cinema, onde concluiu um mestrado em Teatro e Comunidade. Ao longo da carreira integrou companhias como o Teatro Experimental de Cascais e o Teatro da Garagem. Desde então, tem desenvolvido uma atividade intensa como atriz, trabalhando com diversos encenadores nacionais e internacionais, além de criar projetos próprios e lecionar.

Jacinto Lucas Pires é um autor multifacetado que se move entre literatura, teatro, cinema e música. Entre as suas obras literárias destaca-se o romance “Vento nos Olhos”, publicado recentemente, e “Oração a que faltam joelhos”, distinguido com o Prémio John Dos Passos em 2021. Em 2024 publicou também o álbum ilustrado “Pés Rolantes”, com ilustrações de João Fazenda. No teatro, colabora com diferentes grupos e encenadores; em dezembro de 2025, o Ensemble estreou a sua peça “Salvação!”, com encenação de Jorge Pinto. Paralelamente, desenvolve o projeto musical Jacinto Manupela e escreve a newsletter “Pardon my English”.

Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num tempo em que a memória coletiva se mistura cada vez mais com a imaginação digital, peças como “A Valentina e a Valeria não estão mortas” lembram que o teatro continua a ser um território vivo de questionamento e descoberta. Entre vozes, silêncios e presenças que parecem surgir do invisível, o espetáculo propõe ao público um exercício raro: olhar para dentro de si através do palco. 
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