Sarau, música e cordel unem escola, famílias e natureza
Quando a arte entra, os valores ficam. E a comunidade deixa de ser plateia para virar parte da história.
"A poesia sai dos livros e ganha vida entre árvores."
Carmen Augusta
Em celebração ao Dia Mundial da Poesia, a Biblioteca Professor Arlindo Corrêa da Silva, do Instituto Ramacrisna, promove no dia 20 de março o evento “Poesia no Parque: Entre folhas e versos”. A proposta vai além de uma simples comemoração: trata-se de uma manhã pensada para reunir alunos, educadores, famílias e a comunidade num ambiente onde literatura, arte e afetos se cruzam de forma natural.
Com início às 9h e término às 10h40, a programação inclui recital de poesias, apresentações musicais e atividades que convidam à interação com o espaço e com os livros. Um dos destaques é a leitura ao pé da árvore, onde estará exposta a chamada “Mala de Leitura” — uma estante móvel em tecido resistente, com bolsos transparentes que exibem capas de livros e despertam a curiosidade dos mais novos. A ideia é simples, mas eficaz: aproximar o leitor do livro sem formalidades.
Outro momento relevante será a exposição dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos do Centro de Apoio Educacional Ramacrisna (CAER), apresentados no estilo cordel — uma linguagem popular que alia ritmo, narrativa e identidade cultural. O evento contará ainda com um sarau de produções autorais dos estudantes, reforçando o protagonismo juvenil na criação artística.
Segundo a bibliotecária Diná de Alcântara, responsável pela condução das atividades, o projeto nasce de um propósito mais profundo do que a simples expressão artística. A escolha do repertório, explica, está ligada à necessidade de trabalhar valores afetivos essenciais de forma prática e vivida, não como conceitos abstratos, mas como experiências partilhadas.
O trabalho é desenvolvido em encontros realizados tanto na biblioteca como na oficina de música, integrando formação cultural e humana. A poesia, nesse contexto, torna-se ferramenta de reflexão e expressão, permitindo aos alunos abordar temas como amizade, respeito, cuidado com a natureza e empatia. É um processo que envolve escuta, criação e partilha — três pilares muitas vezes esquecidos no ensino tradicional.
"Há versos que educam, outros que aproximam."
— Vímara Porto
Outro ponto central da iniciativa é o convite aberto às famílias e à comunidade. A presença dos pais não é apenas simbólica: ela reforça o reconhecimento do esforço dos alunos e contribui para o fortalecimento dos laços familiares. Quando a família participa, o aprendizado deixa de ser isolado e passa a ter continuidade fora do espaço escolar.
Para a vice-presidente do instituto, Solange Bottaro, a celebração do Dia Mundial da Poesia reafirma o compromisso da instituição com a formação integral dos alunos. A poesia, sublinha, é uma ferramenta poderosa de expressão e transformação — um legado deixado pelo fundador e que continua a orientar o trabalho desenvolvido.
Solange também destaca o papel da comunidade nesse processo. Ao abrir as portas para famílias e moradores, o instituto fortalece a sua missão e cria um ambiente mais acolhedor e participativo. Essa troca constante, afirma, é essencial tanto para o crescimento dos alunos quanto para o impacto social que a instituição procura gerar diariamente.
Mais do que um evento, “Poesia no Parque” assume-se como um encontro de sensibilidades — onde palavras, música e natureza se unem para lembrar algo simples, mas muitas vezes esquecido: educar também é ensinar a sentir.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num tempo em que a pressa dita o ritmo e o digital ocupa quase todo o espaço, iniciativas como esta lembram que a poesia continua a ser um refúgio — e, ao mesmo tempo, uma ponte. Entre gerações, entre escola e família, entre o que se aprende e o que se vive.
Sarau, música e cordel unem escola, famílias e natureza
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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