Grande Othelo inaugura novo CEDOC Funarte

Exposição sobre Grande Othelo inaugura nova sede do CEDOC da Funarte, reunindo acervo histórico e celebrando 110 anos do artista brasileiro.
 Exposição Ocupação Grande Othelo na nova sede do CEDOC da Funarte no Rio de Janeiro

Exposição celebra memória das artes na nova sede do CEDOC no Rio de Janeiro


A memória cultural também precisa de casa
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A abertura da nova sede do Centro de Documentação e Pesquisa (CEDOC) da Funarte, no dia 31 de março, às 10h, não é apenas mais um evento institucional — é um marco para a preservação da memória artística brasileira. Para assinalar este momento, a instituição apresenta ao público a exposição “Ocupação Grande Othelo”, numa celebração que cruza história, identidade e cultura com acesso livre.

Integrado na nova Diretoria de Memória, Pesquisa e Produção de Conteúdos (DIMEMO), criada na reforma administrativa de 2025, o CEDOC instala-se finalmente num espaço próprio: um casarão histórico na Praça da República, no Rio de Janeiro, onde funcionou o antigo Museu da Casa da Moeda. Um cenário simbólico para acolher um acervo com mais de um milhão de itens — documentos, objetos e registos que testemunham a evolução das artes no Brasil.

Entre os tesouros preservados pelo CEDOC encontram-se três acervos inscritos no Programa Memória do Mundo da UNESCO, pertencentes a nomes fundamentais da cultura brasileira: o dramaturgo Oduvaldo Vianna, o produtor Walter Pinto e o encenador Fernando Peixoto. Patrimónios que ajudam a contar não apenas histórias individuais, mas a própria narrativa das artes cénicas no país.

Mas é a figura de Sebastião Bernardes de Souza Prata, eternizado como Grande Othelo, que assume o protagonismo desta inauguração. Desde 2008 sob a guarda do CEDOC, o seu acervo pessoal serve de base à exposição agora apresentada. Depois de passar por São Paulo, numa parceria com o Itaú Cultural, a mostra chega “a casa” para marcar também os 110 anos do nascimento do artista.

Mais de 160 peças compõem esta viagem pela vida e obra de Grande Othelo — um pioneiro que abriu portas num país ainda marcado por profundas desigualdades raciais. Ator, cantor, comediante e pensador, foi o primeiro artista negro a conquistar verdadeiro protagonismo no teatro, rádio, cinema e televisão brasileiros. E não o fez em silêncio: com humor afiado e inteligência crítica, trouxe para o centro do palco debates sobre representatividade e direitos.

A exposição revela facetas íntimas e profissionais do artista. Entre os destaques estão manuscritos de poemas — incluindo “Cadê você, Gonzagão?”, homenagem a Luiz Gonzaga —, partituras dos anos 1940, guiões, cartas, fotografias e peças de vestuário. Há ainda documentos históricos, como um contrato com a Rede Globo de 1967, um diploma de cidadão paulistano de 1978 e troféus simbólicos, como o “Velho Guerreiro”, atribuído por Chacrinha.

Com curadoria do Itaú Cultural, consultoria da investigadora Deise de Brito e projeto expositivo de Kleber Montanheiro, a mostra propõe uma verdadeira imersão no percurso de um artista que foi muito mais do que entertainer: foi um agente de transformação cultural.

Após a inauguração, a “Ocupação Grande Othelo” permanecerá aberta ao público até 30 de setembro, de segunda a sexta-feira, entre as 10h e as 16h, sempre com entrada gratuita. A partir de maio, o espaço contará também com visitas guiadas para escolas, através do programa educativo do CEDOC — porque preservar a memória só faz sentido quando ela é partilhada.

SERVIÇO:
FUNARTE 50 ANOS – ATO 3
Abertura da nova sede do Centro de Documentação e Pesquisa (CEDOC) com a exposição “Ocupação Grande Othelo”
Data: 31 de março
Local: Praça da República, 26 – Centro, Rio de Janeiro
Horário: 10h às 16h
Entrada gratuita

Nota do Editor - Portal Splish Splash
Entre paredes cheias de memória e histórias por contar, esta inauguração lembra-nos que a cultura não vive apenas no presente — constrói-se, preserva-se e, sobretudo, partilha-se.
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