Fórum em Fernando de Noronha aposta no Sul Global Sustentável
O cinema deixou de ser apenas entretenimento e passou a ser estratégia
Entre os dias 3 e 6 de março de 2026, o arquipélago de Fernando de Noronha volta a assumir o papel de ponto de encontro entre criatividade, território e desenvolvimento com a realização da terceira edição do Noronha2B – Film Commission Forum. Sob o tema “Sul Global Sustentável”, o evento aprofunda o diálogo entre o audiovisual brasileiro e países da África, Ásia e Iberoamérica, promovendo novas alianças, estratégias de circulação internacional e modelos de produção alinhados com práticas sustentáveis.
A programação completa pode ser conferida no site.
Durante quatro dias, este território insular transforma-se simbolicamente na capital das film commissions brasileiras, reunindo profissionais do setor, especialistas em turismo e representantes institucionais em torno de uma programação gratuita que inclui debates, exibições cinematográficas, laboratórios de criação, oficinas e masterclasses abertas também à comunidade local.
Desde 2024, o Noronha2B tem trazido ao arquipélago nomes relevantes do audiovisual e da promoção turística, consolidando-se como plataforma de desenvolvimento de projetos e formação de talentos. Entre as iniciativas em destaque está o laboratório N2B WIP LAB, dedicado ao acompanhamento de obras em fase de finalização e desenvolvimento, promovendo o contacto direto entre realizadores e mentores internacionais.
Paralelamente, o Ministério da Cultura brasileiro apresenta, ao longo de dois painéis, as diretrizes da futura Film Commission Nacional, resultado de dois anos de consulta pública e articulação interministerial com vista à criação de uma política de internacionalização e atração de produções audiovisuais para o Brasil.
A programação cinematográfica inclui obras africanas com a presença dos seus realizadores, como “Ar Condicionado”, do cineasta angolano Fradique, e “Sumara Maré”, da realizadora cabo-verdiana Samira Vera-Cruz, ambos também convidados como tutores e oradores do fórum. Serão ainda exibidos títulos como o documentário “Maré Viva Maré Morta”, de Claudia Daibert, e o média-metragem “Seeds”, de Renato do Val e Yugo Romanelli, ambos anteriormente desenvolvidos no laboratório do evento.
No âmbito do N2B WIP LAB, com curadoria de Alessandro Engroff, Jacqueline Nsiah e Zeca Brito, foram selecionados três projetos de longa-metragem em fase de finalização e sete em fase de desenvolvimento, oriundos de seis estados brasileiros. A equipa de tutores integra profissionais de instituições e festivais de renome internacional, reforçando o caráter global da iniciativa.
Antes mesmo do início oficial do fórum, a comunidade local é envolvida através de duas oficinas gratuitas realizadas no Lab Noronha, com enfoque na valorização da memória, dos saberes e da identidade do arquipélago. Entre elas, destaca-se o projeto Olhar de Dentro, orientado pelo cineasta Jeferson Vainer, e a formação A Ilha Conta, conduzida pela gestora cultural Mariana Abascal.
As sessões de cinema decorrem na Praça São Miguel, enquanto os painéis e debates se distribuem por espaços emblemáticos da ilha, como o Forte Nossa Senhora dos Remédios e o auditório do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. O último dia inclui ainda uma atividade de location scouting na Baía do Sancho, reforçando a ligação entre o audiovisual e o turismo de ecrã.
O 3.º Noronha2B conta com o patrocínio da Agência Nacional do Cinema e da Embratur, entre outras entidades públicas e privadas, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e do Governo Federal brasileiro.
Quando o cinema descobre novos territórios, não é apenas a paisagem que ganha visibilidade: é toda uma identidade que se projeta no mundo e se transforma em valor cultural e económico.
Fórum em Fernando de Noronha aposta no Sul Global Sustentável
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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