Infertilidade masculina: atendimentos mais que dobram no SUS em 10 anos

A infertilidade masculina mais que dobrou no SUS em 10 anos. Entenda as causas, diagnóstico e quando procurar ajuda médic

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Homens são responsáveis por metade dos casos de infertilidade conjugal


Busca por diagnóstico precoce aumenta chances de tratamento e gravidez

São Paulo – 16/03/2026 - A infertilidade masculina está em alta a julgar pelo número de atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), que mais que dobrou na última década de acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde obtidos pelo Portal G1. Os registros passaram de 725, em 2015, para 2,5 mil em 2024 — o maior número da série histórica. Em 2025, até setembro, eram 1,5 mil atendimentos contabilizados. “De todos os casais que têm infertilidade conjugal, 30% são exclusivamente por fator masculino e mais 20% são um fator misto de infertilidade, quando há causas masculinas associadas a um fator feminino. Então, de forma geral, 50% dos casos de infertilidade também compreende a infertilidade masculina, ou de forma exclusiva, ou associada. Esse é um problema comum”, explica o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo. Isso derruba o mito de que a infertilidade é um problema feminino.

Os dados incluem atendimentos ambulatoriais e hospitalares registrados nos Sistemas de Informações Ambulatoriais e Hospitalares (SIA e SIH) e não correspondem ao número de pessoas ou diagnósticos definitivos, já que um mesmo paciente pode realizar mais de um atendimento ao longo do tempo. Ainda assim, o crescimento expressivo revela uma mudança importante: mais homens estão procurando ajuda para investigar dificuldades para engravidar. “As principais causas de infertilidade masculina estão ligadas a hábitos de vida: obesidade, tabagismo, abuso de álcool, alimentação inadequada, sono não reparador e sedentarismo. Também existe a varicocele, que é a dilatação e varizes das veias da bolsa testicular. Existem fatores genéticos com alteração do cariótipo e também uma alteração chamada microdeleção do cromossomo Y, em que falta um pedacinho do cromossomo, do material genético, e isso é responsável pela ausência total ou presença de poucos espermatozoides. Além disso, temos a criptorquidia, quando o testículo não desce antes do nascimento, se não for corrigido a tempo é causa de infertilidade masculina. E fatores hormonais, principalmente por abuso de esteroides anabolizantes, que também são causas comuns de infertilidade masculina”, afirma o especialista.

O aumento acompanha uma realidade que ainda é pouco discutida. Estima-se que 1 em cada 7 casais enfrente infertilidade conjugal. Segundo o médico, muitos dos fatores masculinos têm um ponto em comum: o aumento do estresse oxidativo e da temperatura na região testicular, o que prejudica a produção adequada de espermatozoides. “Os hábitos de estilo de vida prejudiciais como alimentação inadequada, abuso de álcool e a obesidade, todos esses têm um fator em comum que é o aumento do estresse oxidativo. E com isso há uma piora na produção e na qualidade desses espermatozoides. E todos os fatores que estão ligados ao aquecimento da região genital, já que para ter uma melhor produção de espermatozoides, a temperatura dos testículos deve estar abaixo da temperatura corpórea. Nos casos de varicocele, de obesidade, esse aumento da temperatura faz com que não haja uma produção adequada dos espermatozoides. Mudar os hábitos é fundamental nesses casos, para a saúde reprodutiva e do organismo como um todo”, completa o Dr. Rodrigo.

Como é feito o diagnóstico

O principal exame para avaliar o potencial fértil do homem é o espermograma. “O exame avalia o potencial fértil do homem e mostra o volume do sêmen, a concentração dos espermatozoides, a motilidade nesses espermatozoides e a morfologia. Baseado nesses parâmetros, nós podemos estimar se o homem é fértil ou não. Mas a comprovação de fertilidade é apenas quando há a gravidez”, explica o Dr. Rodrigo Rosa. Caso haja alterações, exames complementares podem ser solicitados para investigar a causa, como ultrassonografia de bolsa testicular com doppler, exames hormonais e o teste de fragmentação de DNA espermático, que também pode estar associado a infertilidade e abortos de repetição.

Há tratamento — e quanto antes, melhor

Apesar do impacto emocional que o diagnóstico pode trazer, a boa notícia é que, na maioria dos casos, existe tratamento ou alternativa terapêutica. “O principal tratamento da infertilidade masculina é identificar e tratar a causa daquela infertilidade. Então se for a varicocele, o tratamento cirúrgico pode ser indicado. Se for obesidade, a perda de peso. Se for algum hábito de estilo de vida, melhorar esse hábito. Mas existem casos que são realmente irreversíveis, que são sequelas de traumas e infecções ou mesmo genéticas que não são passíveis de reversão. Na grande maioria dos casos em que não há uma forma de reverter aquela piora da qualidade e quantidade dos espermatozoides, são indicados os tratamentos de reprodução assistida como a inseminação artificial nos casos mais leves e nos casos mais severos a fertilização in vitro”, afirma o Dr. Rodrigo. Nos casos de azoospermia — ausência de espermatozoides no ejaculado — ainda pode haver possibilidade de obtenção de espermatozoides por meio de punção ou biópsia testicular para uso em fertilização in vitro. Quando isso não é possível, o casal pode recorrer a banco de sêmen.

Quando procurar ajuda

A recomendação é que casais que tentam engravidar há um ano sem sucesso procurem investigação médica. “Todos os casais que estão tentando engravidar há um ano sem sucesso devem ser investigados, porque é uma luta contra o tempo, quanto antes diagnosticar e tratar a causa da infertilidade, melhor o prognóstico de gravidez. E como a infertilidade masculina é tão comum quanto a feminina, sempre o homem deve ser investigado. O espermograma é um exame básico, que deveria ser feito em todos os homens antes mesmo de tentar a gravidez para que o homem saiba que, se tiver um problema, trate aquela causa antes que se perca tempo em busca de uma gestação espontânea que muitas vezes pode não acontecer”, orienta o especialista. O aumento dos atendimentos no SUS reforça uma mudança cultural importante: falar sobre fertilidade também é falar sobre saúde do homem. “E, diante dos dados crescentes, a informação pode ser o primeiro passo para o diagnóstico precoce e para ampliar as chances de realização do desejo de ter filhos”, finaliza o Dr. Rodrigo Rosa.

*DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. CRM 119789 | RQE 61439. Instagram: @dr.rodrigorosa

Nota do Editor - Portal Splish Splash:
A pedido da assessoria, publicamos este alerta sobre a saúde reprodutiva masculina, que tem apresentado um aumento significativo nos atendimentos pelo SUS. 
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