Hábitos alimentares fora de horas podem aumentar o risco de osteoporose
Relógio biológico desregulado hoje, ossos mais frágeis amanhã
São Paulo – março 2026 - Pessoas que pulam o café da manhã e jantam tarde podem ter um risco aumentado de desenvolver osteoporose. Essa é a conclusão de um novo estudo publicado no Journal of the Endocrine Society. “Sabemos que hábitos de estilo de vida, como exercícios, dieta, consumo de álcool e tabagismo, são conhecidos por aumentar o risco de osteoporose, mas a fraqueza e a fratura óssea também podem ter relação com a ciclo circadiano, que é influenciado pelo que consumimos e também pelo horário que nos alimentamos”, explica a endocrinologista Dra. Deborah Beranger*, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ). “Pular o café da manhã pode representar um menor consumo de cálcio e Vitamina D, essenciais para a saúde óssea. No caso de jantar tarde, este hábito está associado a níveis aumentados de cortisol e de glicose no sangue, além de obesidade”, acrescenta a médica.
O tecido ósseo é formado por células especializadas, chamadas de osteoblastos (formam novo tecido), osteoclastos (reabsorvem osso antigo) e osteócitos (células maduras que mantêm a estrutura e saúde do osso). “Todas essas células expressam principalmente genes do relógio circadiano. E o estudo mostra que a interrupção dos ritmos circadianos induziu uma diminuição na massa e densidade óssea. A dieta é um poderoso estimulador que afeta a fase do relógio periférico e o café da manhã afeta o relógio e os genes regulados pelo relógio. Ou seja, tudo está interligado e ritmos desordenados associados a esses hábitos alimentares podem influenciar a densidade mineral óssea. O estudo ainda mostrou que indivíduos que pularam o café da manhã e jantaram tarde apresentaram uma proporção maior de ‘sono insuficiente’, sugerindo uma associação com ritmo desordenado”, esclarece a endocrinologista.
A médica explica que, para quem pula o café da manhã, pode haver compensação no consumo de cálcio e Vitamina D durante o dia, mas no caso de jantares tardios, a questão é mais complicada. “Jantar tarde pode contribuir para níveis elevados de cortisol e estresse oxidativo. Níveis aumentados de glicocorticoides afetam negativamente a saúde óssea. E o estresse oxidativo elevado está associado à diminuição da densidade mineral óssea. Portanto, jantares tardios podem levar ao aumento dos níveis de cortisol e ao estresse oxidativo, afetando potencialmente o metabolismo ósseo e contribuindo para o risco de osteoporose”, explica a médica.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores usaram uma grande coorte de exames de saúde de 927.130 adultos (45,3% homens e 54,7% mulheres) de um banco de dados de reivindicações japonês para encontrar a associação entre fatores de estilo de vida e o diagnóstico de fratura osteoporótica (fraturas de quadril, antebraço, vertebral e úmero). “Eles também descobriram que pessoas que tinham hábitos pouco saudáveis, como fumar, consumo diário de álcool, exercícios ou sono insuficientes, pular o café da manhã e jantar tarde, tinham maior probabilidade de serem diagnosticadas com osteoporose. Os resultados sugerem que a prevenção da osteoporose e fraturas requer não apenas hábitos alimentares saudáveis, mas também um esforço mais amplo para melhorar os comportamentos gerais de estilo de vida", completa a médica.
A médica enfatiza que mais estudos devem avaliar os achados. “Mas está claro que a osteoporose é uma doença relacionada ao estilo de vida. Mais pesquisas são necessárias para investigar a relação entre jantares tarde da noite e o metabolismo ósseo, bem como estudos de intervenção com foco em orientações sobre pular o café da manhã e jantares tarde”, finaliza a Dra. Deborah Beranger.
*DRA. DEBORAH BERANGER: Endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ) e pós-graduação em Terapia Intensiva na Faculdade Redentor/AMIB. Com cursos de extensão em Obesidade, Transtornos Alimentares e Transgêneros pela Harvard Medical School, a médica tem MBAs de Saúde e Qualidade de Vida, de Marketing e Branding Médico e de Mindset, todos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e curso de Obesidade e de imersão em Medicina Culinária pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Fez Fellowship pela European Association for the Study of Obesity, em Portugal; é speaker dos laboratórios Servier, Novo Nordisk, Novartis, Merck, AstraZeneca, Lilly e Boehringer. Instagram: @deborahberanger
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Os ossos não fazem barulho… até partirem. Este estudo reforça algo simples: não é só o que comemos, é quando comemos. Pequenos ajustes no dia a dia podem evitar grandes problemas no futuro.
Hábitos alimentares fora de horas podem aumentar o risco de osteoporose
Uma romântica que acredita no amor eterno. Redatora do Portal Splish Splash. VER PERFIL
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