Crise global e a luta pela igualdade de gênero no centro do debate
Em tempos de instabilidade, conquistas históricas tornam-se vulneráveis, exigindo resistência e articulação estratégica
Por: Gabriela Almeida e Verônica Vassalo*
A agenda de igualdade de gênero nunca avançou em linha reta. Como alertava Simone de Beauvoir, “Nunca se esqueça de que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos nunca são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.”
A reflexão permanece atual. O cenário geopolítico contemporâneo, marcado por conflitos armados, crises humanitárias, polarização política, avanço de movimentos ultraconservadores e retração do multilateralismo impõe desafios particularmente complexos à proteção e à consolidação dos direitos das mulheres e meninas. Em contextos de instabilidade, conquistas históricas tornam-se mais vulneráveis, exigindo não apenas resistência, mas articulação estratégica e compromisso institucional contínuo.
Em diferentes regiões do mundo, observamos a instrumentalização das pautas de gênero como elemento de disputa ideológica. Direitos historicamente conquistados passam a ser questionados, políticas públicas sofrem descontinuidade e o financiamento internacional destinado à promoção da igualdade enfrenta cortes ou redirecionamentos. A agenda de gênero, que sempre exigiu vigilância constante, hoje demanda também estratégia política e uma articulação global renovada.
No cenário brasileiro, acompanhamos diariamente notícias sobre violência contra mulheres, o que evidencia que os avanços alcançados ainda convivem com profundas desigualdades e desafios estruturais. Diante desse contexto, torna-se ainda mais urgente redobrar nossa atenção e nossos esforços na promoção dos direitos das mulheres e na prevenção de todas as formas de violência e violação. Esse compromisso requer atuação contínua, cooperação entre diferentes setores e o fortalecimento de iniciativas que garantam proteção, igualdade e dignidade para todas.
Ao mesmo tempo, o Brasil tem se destacado por iniciativas relevantes conduzidas por empresas e organizações que vêm assumindo um papel ativo na promoção da igualdade de gênero. Em diferentes setores econômicos, empresas brasileiras têm desenvolvido políticas, metas e programas que buscam ampliar a participação de mulheres em posições de liderança, promover ambientes de trabalho mais inclusivos e enfrentar desigualdades estruturais. Essas experiências têm se tornado referência e demonstram o potencial transformador do setor privado quando alinhado a compromissos claros e ações concretas.
Qual é, então, o papel das empresas neste contexto? Quando falamos de direitos humanos, não há espaço para retrocessos. Trata-se de uma demanda social, legal e de negócio. Em momentos de maior tensão no cenário internacional, o compromisso das empresas com valores fundamentais torna-se ainda mais relevante. É justamente nesses períodos que precisamos fortalecer alianças e ampliar o engajamento do setor privado na defesa da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres.
É nesse cenário que estaremos presentes na Comissão sobre a Situação da Mulher – 70ª Sessão (CSW, na sigla em inglês) com uma delegação brasileira, acompanhando de perto as discussões globais sobre os direitos das mulheres e reforçando a importância do engajamento do setor privado na promoção da igualdade de gênero. Mobilizando as empresas comprometidas com o Movimento Elas Lideram 2030 para reafirmarem publicamente seu compromisso com o avanço dessa agenda.
*Gabriela Almeida é Gerente Executiva de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU – Rede Brasil.
*Verônica Vassalo é Gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Pacto Global da ONU – Rede Brasil.
Crise global e a luta pela igualdade de gênero no centro do debate
Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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