Dia Mundial da Poesia 2026 no CCB

CCB celebra o Dia Mundial da Poesia 2026 com leituras, música, cinema e encontros entre poetas e público num dia dedicado à poesia em língua portugues
Cartaz oficial do Dia Mundial da Poesia 2026 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com programação dedicada à poesia em língua portuguesa

Uma maratona de versos, leituras e encontros para celebrar a poesia em português


No dia 21 de março, o Centro Cultural de Belém abre as portas à palavra dita, ouvida e reinventada

O Centro Cultural de Belém celebra o Dia Mundial da Poesia 2026 com um programa intenso e provocador que se estende ao longo de todo o dia 21 de março, sábado, entre as 10h30 e as 19h00, no Centro de Reuniões, com entrada livre em todas as salas, sujeita apenas à lotação máxima.

Sob o título sugestivo “Oh, não! Lá vêm os poetas do costume!”, a programação concebida por Nuno Artur Silva propõe uma verdadeira imersão na poesia em língua portuguesa, reunindo poetas, leitores de poesia, atores, cantores e artistas de diferentes áreas. O objetivo é simples e ambicioso ao mesmo tempo: celebrar a poesia não apenas nos poemas escritos, mas também na forma como ela se manifesta na leitura, na escuta e até no acaso.

Durante todo o dia, o CCB transforma-se numa espécie de casa feita de versos, onde convivem leituras ao vivo, projeções, instalações, transmissões e encontros inesperados entre autores, intérpretes e público. Há momentos de leitura individual e coletiva, espaços dedicados ao silêncio e à escuta, e também sessões onde a poesia se cruza com o cinema, a música ou a performance.

Entre os muitos participantes confirmados encontram-se Aldina Duarte, Ana Zorrinho, António Cabrita, António Carlos Cortez, António de Castro Caeiro, António Jorge Gonçalves, Carla Maciel, Cucha Carvalheiro, Daniel Belo, Elvis Veiguinha, Fernando Alvim, Fernando Cabril Martins, Fernando Pinto do Amaral, Filomena Cautela, Ivo Canelas, Jani Zhao, Joana Meirim, João Lopes, Jorge Reis-Sá, José Peixoto, Lúcia Evangelista, Luís França, Marco Oliveira, Margarida Pinto Correia, Maria Caetano Vilalobos, Maria Castello Branco, Maria Flor Pedroso, Maria João Luís, Maria Lis, Maze, Mia Tomé, Muleca XIII, Nicolau Santos, Nuno Costa Santos, Nuno Galopim, Paula Moura Pinheiro, Paulo Alves Guerra, Paulo Pires, Rui Zink, Samuel Úria, Sara de Castro, Sir Scratch, Teresa Paixão, Tiago Ribeiro e uliarud uliarud.

A programação começa às 10h30, na Sala Fernando Pessoa, com “Roteiro para se perder no Dia Mundial da Poesia”, uma introdução que o próprio Nuno Artur Silva sugere que possa ser lida como provocação. Ao longo do dia, multiplicam-se as propostas, desde a Feira do Livro de Poesia na receção principal até sessões temáticas em diferentes salas do edifício.

Entre os destaques estão a iniciativa “Palavra Futuro”, os encontros “As escolas, as escolhas. Essa outra (estranha) poesia” e “Constituição da poesia portuguesa”, bem como o curioso debate “E se de repente o Zeppelin das cinco passasse pelo buraco da agulha?”. A programação inclui também cinema, com a exibição do filme “Paterson”, de Jim Jarmusch, um retrato sensível da poesia no quotidiano.

Outros momentos evocam autores e obras marcantes da literatura portuguesa, como a sessão dedicada aos 100 anos de “Lisbon Revisited”, de Álvaro de Campos, ou encontros centrados na obra de Yvette Centeno e Alberto Pimenta. A música também entra em cena com propostas como “Era para ser uma canção” e “Canções das cidades”.

Há ainda espaços abertos à participação espontânea do público, como o “Canto do leitor anónimo”, e ambientes mais contemplativos, como a sala de leitura silenciosa com auscultadores, onde se podem ouvir poemas num ambiente de recolhimento.

A própria ideia de poesia atravessa todo o evento como um território em permanente descoberta. Como sugere o texto que inspira esta edição, a poesia pode não estar exatamente onde esperamos encontrá-la. Pode surgir no verso mal lido, no silêncio entre duas palavras, no olhar distraído de alguém na última fila ou até no pequeno acaso que interrompe um recital.

Tal como o humor, que muitas vezes nasce do inesperado, também a poesia pode revelar-se no falhanço, na distração ou no ruído. É precisamente essa liberdade que o Dia Mundial da Poesia no CCB pretende celebrar: uma poesia que não se limita ao poema, mas que vive em tudo aquilo que acontece à sua volta.


Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num tempo em que a pressa parece dominar o quotidiano, iniciativas como esta lembram que a poesia continua a ser um espaço de pausa, de escuta e de descoberta. Mais do que um género literário, a poesia é uma forma de olhar o mundo — e, às vezes, basta um verso inesperado para nos lembrar disso. 
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