Um livro que propõe formar adultos mais empáticos e comprometidos com o bem comum
Solidariedade não é só para dias difíceis
Num tempo em que a solidariedade costuma surgir apenas como resposta a tragédias, há propostas que apontam noutra direção — mais exigente, mas também mais transformadora. O livro Criança solidária – Um itinerário para ensinar o valor da solidariedade às crianças propõe precisamente isso: fazer da empatia uma prática diária, ensinada desde cedo, dentro de casa e na escola.
A obra parte de uma provocação simples, mas poderosa: e se a solidariedade deixasse de ser apenas uma reação à dor coletiva e passasse a ser uma escolha consciente, cultivada todos os dias? Com linguagem acessível, exemplos inspiradores e propostas práticas, o livro convida pais, educadores e crianças a assumirem um papel ativo na construção de uma cultura mais humana e cooperativa.
Baseando-se em estudos de instituições reconhecidas, a autora demonstra que atitudes solidárias desenvolvidas na infância têm impacto direto na vida adulta. Não se trata apenas de formar “boas pessoas”, mas indivíduos mais resilientes, empáticos e preparados para viver em comunidade. Aqui, o conceito de sucesso ganha outra dimensão: deixa de ser medido pelo que se acumula e passa a ser definido pela capacidade de partilhar, cuidar e contribuir.
Ao longo das suas páginas, o leitor encontra histórias reais que dão corpo a esta visão: educadoras dedicadas à formação integral, jovens que usam as redes sociais para causas positivas, famílias que integram a solidariedade no seu dia a dia profissional e voluntários movidos pelo desejo genuíno de ajudar. São exemplos concretos que mostram como gestos simples — ouvir, dividir, apoiar — podem desencadear mudanças profundas.
No prefácio, a solidariedade surge não como teoria ou ideologia, mas como experiência viva. Um caminho capaz de contrariar a lógica individualista e consumista dominante, propondo uma inversão clara de valores: dar prioridade ao que tem valor humano, e não ao que tem preço. Educar deixa, assim, de ser apenas preparar para competir e passa a ser formar para conviver.
O prólogo reforça essa ideia ao lembrar que, em países como o Brasil, a solidariedade frequentemente emerge em momentos de crise. O livro sugere um caminho mais consistente: cultivar a generosidade no quotidiano. Não como resposta ao medo ou à dor, mas como escolha consciente e permanente.
A autora, Marcia Bortolanza, reúne uma trajetória que cruza áreas como a psicologia, o empreendedorismo e o trabalho social. Com experiência no Terceiro Setor, tem-se destacado pela defesa de uma formação humana baseada em valores e pelo compromisso com causas sociais. Obras anteriores reforçam essa linha de pensamento, consolidando o seu posicionamento como autora voltada para o impacto positivo.
Em “Criança solidária”, apresenta o seu projeto mais pessoal e exigente: um guia que combina fundamentação teórica, espiritualidade, relatos reais e orientações práticas. O resultado é um verdadeiro itinerário formativo, pensado para famílias e escolas que pretendem ir além do discurso e passar à ação.
No fundo, a mensagem é simples — e difícil ao mesmo tempo: a solidariedade não nasce pronta. Cultiva-se. Como uma planta que precisa de atenção diária, cresce aos poucos até transformar não só quem a pratica, mas tudo à sua volta.
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Num mundo cada vez mais centrado no “eu”, este livro lembra que o “nós” continua a ser a base de tudo. E, convenhamos, faz falta.
Um livro que propõe formar adultos mais empáticos e comprometidos com o bem comum
Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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