Constelações no Paço Imperial

Luiz Aquila apresenta a série Impregnação e sensação na mostra que celebra os 40 anos do Paço Imperial no Rio de Janeiro até junho de 2026
 Luiz Aquila em frente a obras da série Impregnação e sensação no Paço Imperial

Luiz Aquila transforma o México em cor na celebração dos 40 anos


Quarenta anos não se comemoram com nostalgia, mas com arte viva. E quando a memória viaja, a pintura ganha novos territórios.

O artista Luiz Aquila integra a exposição coletiva “Constelações – 40 Anos do Paço Imperial”, que celebra as quatro décadas do histórico espaço cultural carioca. A abertura acontece no dia 28 de março, reunindo cerca de 100 artistas em uma mostra que reafirma o papel do Paço como um dos centros pulsantes da arte contemporânea no Brasil.

Para a ocasião, Aquila apresenta a série inédita “Impregnação e sensação”, resultado de uma viagem de 15 dias ao México, realizada em outubro do ano passado. Mais do que deslocamento geográfico, a experiência tornou-se deslocamento interno. O artista converteu paisagem, cultura e encontro humano em linguagem visual, produzindo seis trabalhos sobre cartão com pastel, tinta guache e bastão de óleo.

Segundo ele, o impacto foi imediato e profundo. A identificação cultural com o Brasil — ambos marcados pela colonização ibérica, pela presença de civilizações originárias e por uma cultura material ancestral — despertou uma espécie de memória expandida. O contato com a arquitetura vibrante, as cores intensas aplicadas nas construções, a arte popular e as transições dramáticas de paisagem — do deserto às montanhas nevadas, com vulcões ativos ao fundo — provocou uma impregnação sensível. Aquila regressou “impregnado de México”, como define, após percorrer longos trajetos de carro e testemunhar mudanças geográficas quase cinematográficas.

A coletiva comemorativa é organizada sob curadoria de Claudia Saldanha (com equipe) e Ivair Reinaldim, membro do Comitê Brasileiro de História da Arte e do Conselho do Paço Imperial. A proposta não é retrospectiva, mas dialógica: obras já exibidas convivem com produções recentes, peças do Museu do Folclore, trabalhos do Museu do Inconsciente — fundado por Nise da Silveira — e criações do Museu Bispo do Rosário, além da exibição de vídeos.

A presença de Aquila na história do Paço é consistente. Ele participou de exposições individuais e coletivas marcantes ao longo das décadas, incluindo projetos como “Atelier FINEP” e “Caminhos do Contemporâneo”. Para Claudia Saldanha, o vínculo do artista com a instituição ultrapassa o edifício e a cronologia: trata-se de interlocução permanente, construída também a partir de relações com nomes como Lauro Cavalcanti e Glauco Campello, envolvidos em momentos importantes da trajetória do espaço.

Ao lado de Aquila, a exposição reúne artistas consagrados como Carlos Vergara, Anna Bella Geiger, Iole de Freitas, Cildo Meireles, Adriana Varejão e Beatriz Milhazes, além de representantes de gerações mais recentes, como Denilson Baniwa e participantes do Prêmio Pipa como Maxwell Alexandre e Aline Motta. O resultado é um panorama plural, em que tradição, contemporaneidade e arte popular se cruzam sem hierarquias.

Sobre Luiz Aquila
Luiz Aquila é um dos artistas mais ativos da cena brasileira. Atuou como professor em Évora, em Portugal, na Universidade de Brasília, no Centro de Criatividade da Unesco-DF e na EAV Parque Lage-RJ, instituição que também dirigiu. Ao longo da carreira, participou de mais de cem exposições individuais e coletivas, incluindo a Bienal de Veneza e edições da Bienal de São Paulo. Realizou retrospectivas no MAM-RJ, no MASP-SP e no próprio Paço Imperial, onde mantém presença contínua desde a década de 1980.

Situado na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro, o Paço Imperial foi construído em 1733 e inaugurado em 1743 como Casa dos Governadores, tornando-se depois Paço Real. Restaurado pelo Iphan entre 1982 e 1985, foi reinaugurado como centro cultural dedicado à arte contemporânea e consolidou-se como referência no cenário artístico brasileiro. A realização da coletiva neste ano ocorre graças à liberação de recursos por meio do Ministério da Cultura.

SERVIÇO:
Exposição: “Constelações – 40 Anos do Paço Imperial”
Série apresentada: “Impregnação e sensação” – Luiz Aquila
Abertura: 28 de março, sábado, a partir das 12h
Visitação: até 7 de junho de 2026
Local: Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial
Endereço: Praça XV de Novembro, 48 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Funcionamento: terça a domingo e feriados, das 12h às 18h
Entrada gratuita

Nota do Editor – Portal Splish Splash
Quarenta anos de um espaço cultural não representam apenas a passagem do tempo, mas a consolidação de um território simbólico onde a arte continua a reinventar-se. A presença de Luiz Aquila nesta celebração confirma a vitalidade do Paço Imperial e reforça a importância de instituições que preservam memória sem abdicar da contemporaneidade.



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