Doença agressiva e difícil de detetar exige atenção aos sinais e rastreio
Prevenção e vigilância fazem toda a diferença num diagnóstico precoce
São Paulo – 31/03/2026 - Por oito anos antes de seu falecimento, em 2021, o Príncipe Philip teria convivido com um câncer pancreático inoperável. A informação é revelada na nova biografia “Queen Elizabeth II: A Personal History”, do historiador Hugo Vickers. O diagnóstico teria ocorrido em 2013, após os médicos identificarem uma “sombra” no órgão. O fato de o príncipe ter vivido com a doença por quase uma década é considerado algo excepcional, visto que o câncer de pâncreas é de difícil detecção e apresenta comportamento agressivo, sendo um dos mais letais no mundo, inclusive no Brasil. Para se ter uma ideia, no país, ele é responsável por cerca de 5% das mortes por tumores, apesar de representar apenas 1% dos diagnósticos da doença. “O câncer de pâncreas é um tipo de neoplasia que acontece, como o próprio nome diz, no pâncreas, quando há uma replicação celular desordenada, gerando um tumor que pode se disseminar, se espalhar pelo corpo, o que é chamado de metástase”, detalha o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello*, do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Segundo o especialista, os principais fatores de risco para o câncer de pâncreas são obesidade, tabagismo e, muitas vezes, aqueles pacientes que têm pancreatite crônica. “É uma doença difícil de ser diagnosticada na fase precoce, por isso, o rastreio regular é fundamental, principalmente para pacientes com fatores de risco”, diz o médico. Mas, quando surgem, os sintomas mais comuns apresentados pelos pacientes são dor abdominal, perda de peso, amarelidão na pele e nos olhos, o que a gente chama de icterícia, e vômitos. “Todos esses sinais podem sugerir a presença de um câncer de pâncreas”, ressalta.
De acordo com o Dr. Ramon, o diagnóstico geralmente é realizado a partir de uma tomografia que aponta a presença de uma massa no pâncreas que tem uma sugestão de malignidade. “Eventualmente, em alguns serviços, temos disponível também a ressonância magnética, que consegue visualizar melhor as estruturas dessa região”, acrescenta. “Mas o diagnóstico se confirma mesmo por meio da biópsia feita através de uma exame chamado CPRE, ou colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), que combina endoscopia e radiografia”, pontua o oncologista.
Uma vez diagnosticada a doença, o médico poderá recomendar o tratamento mais adequado para cada caso. “A partir dos exames, o profissional poderá definir se trata-se de uma doença operável ou não. Caso seja operável, a cirurgia pode ser indicada. Outra opção é a realização de quimioterapia seguida de cirurgia e, posteriormente, retornamos com a quimioterapia. Por sua vez, se a doença já estiver disseminada pelo organismo, a quimioterapia é usada isoladamente”, detalha o médico. Infelizmente, trata-se de uma doença com prognóstico ruim, na maioria dos casos. “Especialmente na doença metastática, a sobrevida é curta, podendo variar, em média, de 6 a 11 meses de vida, dependendo do tipo de tratamento que é realizado. Mas, caso seja operável, o câncer de pâncreas apresenta um diagnóstico melhor”, finaliza o Dr. Ramon Andrade de Mello.
*DR. RAMON ANDRADE DE MELLO: Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. Instagram: @dr.ramondemello
Nota do Editor - Portal Splish Splash
O caso do Príncipe Philip chama a atenção para uma das doenças mais desafiadoras da medicina moderna. Informar, prevenir e reconhecer sinais precoces pode salvar vidas — ou, no mínimo, ganhar tempo precioso.
Doença agressiva e difícil de detetar exige atenção aos sinais e rastreio
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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