Prêmio João do Rio: Biblioteca Nacional cria categoria inédita para crônicas

Biblioteca Nacional cria o Prêmio João do Rio, nova categoria de crônicas no Prêmio Literário 2026. Conheça os detalhes da homenagem e as 13 categoria
Cartaz do Prêmio Literário Biblioteca Nacional com a nova categoria Prêmio João do Rio dedicada a crônicas, com fundo temático e informações sobre a edição 2026.


Nova honraria literária entra em vigor em 2026 e amplia para 13 o total de categorias da premiação


A crônica brasileira ganha um tributo à altura de um de seus mestres


A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), anunciou a criação de uma nova categoria em seu tradicional prêmio literário. A partir da edição de 2026, o "Prêmio João do Rio" será dedicado exclusivamente às crônicas, passando a integrar um seleto grupo de 13 categorias que celebram o melhor da produção intelectual brasileira. Com esta adição, a premiação passa a contemplar: Conto (Prêmio Clarice Lispector); Crônica (Prêmio João do Rio); Ensaio Literário (Prêmio Mario de Andrade); Ensaio Social (Prêmio Sérgio Buarque de Holanda); Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli); Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen); Ilustração (Prêmio Carybé); Literatura Infantil (Prêmio Sylvia Orthof); Literatura Juvenil (Prêmio Glória Pondé); Poesia (Prêmio Alphonsus de Guimaraens); Projeto Gráfico (Prêmio Aloísio Magalhães); Romance (Prêmio Machado de Assis); e Tradução (Prêmio Paulo Rónai).

Desde o início da gestão do presidente Marco Lucchesi, em 2023, este é o quarto novo prêmio incorporado ao calendário da FBN, seguindo as recentes criações das categorias Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli), Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen) e Ilustração (Prêmio Carybé). Cada vencedor das treze categorias receberá um prêmio no valor de R$ 30 mil. A escolha do patrono da nova categoria não poderia ser mais simbólica. "João do Rio é uma das grandes vozes da crônica brasileira. Seus olhos alcançaram o Brasil profundo e plural. E a Biblioteca Nacional é um símbolo forte que atravessa a sua vida e a sua obra", destacou Lucchesi.

Sobre João do Rio, pseudônimo de Paulo Barreto (1881–1921), sua trajetória como jornalista, cronista, contista e teatrólogo é fundamental para a literatura nacional. Autor de clássicos como "A Alma Encantadora das Ruas" e "Vida Vertiginosa", é reconhecido como o primeiro repórter a deixar a redação para imergir no cotidiano das ruas do Rio de Janeiro, retratando a boemia e a vida das classes populares. Pioneiro da crônica social moderna, enfrentou preconceitos por ser negro e homossexual ao longo da vida, mas seu talento o levou à Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1910. O Prêmio Literário Biblioteca Nacional, concedido anualmente desde 1994, consolida-se assim como uma das premiações mais democráticas do país, sem taxa de inscrição e aberta a autores independentes, desde que a obra esteja em Depósito Legal e possua ISBN, reafirmando seu papel de reconhecer a qualidade intelectual das obras publicadas no Brasil.

Nota do Editor - Portal Splish Splash
A decisão da Biblioteca Nacional de homenagear João do Rio com uma categoria própria não é apenas um acerto literário, mas um ato de justiça histórica. Ao eleger o "cronista das ruas" como patrono, a premiação valoriza um género que é a espinha dorsal da nossa identidade cultural e resgata a memória de um intelectual que desafiou convenções sociais e estéticas para registar o Brasil na sua essência mais vibrante e contraditória. 
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