Água de frango cru pode intoxicar? Entenda os riscos

Água de frango cru pode causar intoxicação alimentar? Entenda riscos, sintomas e cuidados essenciais após caso no BBB26.
  Cartaz sobre riscos de intoxicação alimentar com água de frango cru no BBB26

Caso no BBB26 levanta alerta sobre contaminação e perigos invisíveis na cozinha


Na cozinha, descuido pequeno pode virar problema grande


São Paulo – março/2026 - No Big Brother Brasil, a atitude de Milena ao preparar um “suco” com a água liberada pelo frango cru para provocar outro participante repercutiu nas redes sociais e levantou uma dúvida importante: a ingestão desse líquido pode representar riscos à saúde? Segundo a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez*, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), sim. “A água liberada do frango cru pode conter bactérias como Salmonella e Campylobacter, que são causas frequentes de infecção alimentar. E pequenas quantidades já podem ser suficientes para causar a infecção, pois a dose infectante da Salmonella pode ser relativamente baixa, especialmente em crianças, idosos, gestantes e imunossuprimidos. Dependendo da cepa e da susceptibilidade individual, a ingestão de poucas centenas a milhares de bactérias já pode desencadear doença, o que torna relevante evitar qualquer contato com a água do frango cru”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

De acordo com a médica, os sintomas mais comuns são diarreia, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos, geralmente iniciando entre 6 e 48 horas após a ingestão. “Além disso, o paciente também pode apresentar mal-estar, cefaleia e, em alguns casos, diarreia com muco ou sangue”, acrescenta a Dra. Marcella. Na maioria dos adultos saudáveis, o quadro é autolimitado e leve a moderado, durando em média de 3 a 7 dias. “Porém, pode ser grave em idosos, crianças pequenas, gestantes e imunossuprimidos, com risco de desidratação e disseminação sistêmica”, diz a especialista, que explica que o tratamento é, principalmente, de suporte, com hidratação oral ou intravenosa. “Antibióticos são reservados para casos graves ou para grupos de risco, pois o uso indiscriminado não reduz a duração da doença e pode prolongar a eliminação bacteriana”, detalha.

Em casa, o risco está principalmente na contaminação cruzada, já que a água do frango pode contaminar mãos, utensílios, pia e outros alimentos, facilitando a ingestão das bactérias e aumentando a chance de infecção. Por isso, é importante adotar alguns cuidados, como não lavar o frango. “Lavar o frango não remove o risco de Salmonella. Pelo contrário, pode piorar a situação.  A prática favorece a proliferação de microrganismos nocivos que são espalhados junto com a água nas superfícies ao redor, aumentando o risco de contaminação cruzada e, consequentemente, de infecção alimentar. E não há necessidade de se preocupar com bactérias, pois elas serão eliminadas pelo calor durante o preparo adequado do alimento”, pontua a médica.

Também é importante tomar cuidado ao descongelar o frango, o que nunca deve ser feito em temperatura ambiente e sim sob refrigeração. “Vale ressaltar que o congelamento não elimina a Salmonella, apenas reduz a multiplicação bacteriana. As bactérias podem sobreviver ao congelamento e voltar a se multiplicar após o descongelamento”, diz a Dra. Marcella Garcez. Outras medidas fundamentais para evitar o risco de infecção alimentar incluem usar tábuas e facas diferentes para alimentos crus e prontos, higienizar as mãos e utensílios após manipular frango cru, manter alimentos crus separados dos prontos e, claro, prestar atenção na hora de preparar os alimentos, garantindo que eles sejam adequadamente cozidos. “É recomendado cozinhar completamente até temperatura interna de pelo menos 74°C, o que elimina Salmonella”, finaliza a médica nutróloga.

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Federal de Medicina (CFM), Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo. Além disso, é membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e da Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento. CRMPR 12559 | RQE 16019. Instagram: @dra.marcellagarcez
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