Uma metáfora pop sobre amores descartáveis com brilho à superfície e dor no interior
Há canções que se ouvem. Outras que se reconhecem. “Convenience Store” pertence perigosamente à segunda categoria.
O cantor e compositor Michael Gilas apresenta o seu mais recente single, “Convenience Store”, um tema simultaneamente luminoso e melódico que, sob uma superfície açucarada, esconde uma vulnerabilidade silenciosa. A canção funciona como uma confissão disfarçada de pop contemporâneo, onde o artista utiliza a imagem de uma loja de conveniência como metáfora incisiva para relações emocionais transaccionais — aquelas em que alguém é apenas uma paragem momentânea na vida sentimental de outrem.
Produzido por Allan Phillips e pelo reputado compositor e produtor Stephen Wrench — conhecido pelo seu trabalho com bandas e artistas como Lynyrd Skynyrd, Tom Petty e Toto — o tema aposta numa produção elegante e pronta para a rádio, sustentada por melodias com dimensão de estádio e interpretadas com a confiança vocal que se tornou imagem de marca de Gilas.
Ao longo do seu percurso, o artista tem vindo a colaborar com nomes de peso como o produtor nomeado para os Grammy Kent Wells, associado a artistas como Dolly Parton, Kenny Rogers e Reba McEntire, bem como com o baixista Jon Peña, que já trabalhou com Chaka Khan, Carlos Santana e Diana Ross.
Em 2025, o single “Working with the Rain” marcou um ponto de viragem ao estrear-se na 21.ª posição da tabela Adult Contemporary da Billboard, subindo posteriormente até ao 13.º lugar. Seguiram-se “Can’t Hide Beautiful”, que alcançou a 21.ª posição na Hot AC e o 37.º lugar na Adult Contemporary, e “You and Me and Miami”, que chegou ao 29.º posto na Adult Pop Airplay. Estes resultados vieram consolidar a presença de Gilas no panorama da pop adulta contemporânea.
Natural de San Diego, o músico cresceu em Long Island, Nova Iorque, onde foi profundamente influenciado por bandas como Eagles, Steely Dan e Fleetwood Mac. Das sonoridades Motown ao R&B, passando pela pop e pelo rock clássico, essas referências iniciais moldaram a base melódica do seu estilo.
Antes de se dedicar inteiramente à música, Gilas construiu duas empresas de sucesso com o irmão — experiência que viria a influenciar a sua abordagem artística. Essa resiliência revelou-se particularmente decisiva em 2021, após um grave acidente de equitação que lhe provocou fracturas no pescoço e no pulso. Imobilizado e praticamente incapaz de se mover, começou a escrever melodias e letras no telemóvel com os polegares. A música acabaria por se tornar não apenas terapia, mas também vocação.
Aquilo que começou como catarse transformou-se numa carreira a tempo inteiro. Em 2024, o artista já tinha lançado vários singles e um álbum que, em conjunto, somaram milhões de reproduções nas plataformas digitais. As suas canções exploram temas como o amor, a perda, a mudança e a renovação, celebrando simultaneamente a resiliência e a ligação humana.
O novo single “Convenience Store” alia uma produção pop rock cintilante à dor silenciosa de um amor não correspondido — radiante à superfície, mas emocionalmente marcado por dentro. Actualmente em digressão nacional, Michael Gilas prepara-se para actuar na sala The Cutting Room, em Nova Iorque, no próximo dia 8 de Abril, continuando a afirmar-se como uma das vozes emergentes mais consistentes da pop contemporânea.
Num tempo em que as relações parecem, cada vez mais, funcionar em regime de self-service emocional, “Convenience Store” expõe com lucidez a fragilidade dos vínculos modernos, lembrando que nem todos os afectos são feitos para durar — alguns servem apenas para abastecer o vazio antes da próxima paragem.
Uma metáfora pop sobre amores descartáveis com brilho à superfície e dor no interior
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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